Coordenador do NEPE, PIBID de Geografia -FBJ, CoordenadorMestre e Doutor (Phd) em Geografia - UFPE

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Doutor em Geografia (stricto sensu) - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2012); Mestre em Gestão e Politicas Ambientais (stricto sensu) - UFPE (2009); Especialista em Ensino Superior de Geografia (lato Sensu) - Universidade de Pernambuco - UPE (1998); Licenciatura Plena em Geografia - Centro de Ensino Superior de Arcoverde - CESA (1985);   Coordenador do PIBID - Geografia Professor; Orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCC, na Graduação e Pós-Graduação (Latu Sensu).

sábado, 8 de agosto de 2015

O PARADIGMA MIASMÁTICO/THE MIASMATIC PARADIGM



O PARADIGMA MIASMÁTICO: Influência histórica e contribuição para a estrutura das políticas de saneamento moderna

THE MIASMATIC PARADIGM: influence historian, contribution of structure of politic sanitation modern


Video 1: Importante video produzido pela Xitronormal Movie marker em 13/02/2013. Fonte: Carmem Elena Cruz em http://www.youtube.com/watch?v=PWN2RV1dLrA
  
Esse texto mostra como os resíduos se tornaram um problema ao longo da história nas sociedades, considerando escala temporal que abrange desde a pré-história ao período contemporâneo. Mostra elos estabelecidos entre a saúde pública a religião e a mitologia, perpassa pelo surgimento da doutrina miasmática proposta por Hipócrates (460-435.a.C.), como paradigma explicativo para os problemas ambientais, e sua influência nas sociedades clássicas, medieval e moderna, e contemporânea. Elucidando a influenciou considerável no pensamento do mundo clássico, medieval e moderno, mostra como esse grande legado serviu de base nas primeiras medidas de saneamento em diversas sociedades europeias, especificamente na França, Alemanha, Inglaterra, onde mais tarde surgiria como  política moderna de saúde pública, vindo ser aplicado na América deixou marcas no Brasil, nomeadamente no processo de urbanização e saneamento do Rio de Janeiro.
  
Palavras Chave: Resíduo, Lixo, Doutrina Miasmática, Saneamento, Brasil


Características dos resíduos na Pré-história

Segundo a arqueologia, os homens pré-históricos da Idade da Pedra Lascada ou Paleolítico (1,5 milhão a.C 10.000 a.C) a exemplo de outros animais, atuavam como predadores e não produziam alimentos, sendo obrigado a uma vida de nômade, e os poucos resíduos biodegradáveis produzidos eram dispersos na natureza. Nessa condição técnica, as intervenções na natureza tornavam-se insignificantes, dado a pouca interferência no meio ambiente. Bidone & Povinelli (1999), asseveram que os resíduos na Pré-história eram basicamente excrementos.

Mais tarde, a Revolução Neolítica permitiu o sedentarismo, iniciou-se a construção de vilas e produção de novos artefatos de uso do cotidiano. Essa nova vida produziu resíduos em maior quantidade, advindo em parte dos objetos abandonados que após sua utilização eram lançados próximo às aldeias, em rios e florestas. Entretanto devido a esses materiais rejeitados possuírem características naturais dada às condições técnicas vigentes, sua disposição não oferecia impactos ambientais significantes.

Suguio (2001), assegura que foi no neolítico que se iniciaram os acúmulos de detritos. Os “sambaquis”, geralmente encontrados na forma de montículos ao longo do litoral brasileiro, notadamente no Sul do Brasil é um exemplo(Figura 1). Esses resíduos compostos por conchas de moluscos, ossos de animais, espinhas de peixes e até esqueletos humanos é apenas um dos exemplos do início da geração e consequente acúmulo de resíduos existentes em várias regiões da Terra. Esses resíduos têm permitido que arqueólogos identificassem informações sobre a vida nessas comunidades e o processo de sedentarismo.


Figura 1: Sambaquis (Litoral catarinense- Santa Catarina-SC)- montes compostos de moluscos (de origem marinha, terrestre ou de água salobra), esqueletos de seres pré-históricos, ossos humanos, conchas e utensílios feitos de pedra ou ossos. É resultado de ações humanas, ou seja, são montes artificiais, com dimensões e formas variadas. A palavra “sambaquis” tem origem Tupi, e é a mistura das palavrastamba (conchas) e ki (amontoado).Fonte: infoescola.com

A era pré-miasmática: o saneamento nas sociedades da antiguidade oriental

Nem sempre é possível encontrar fontes históricas com informações explícitas que assegurem a existência de resíduos de qualquer natureza relacionados à vida em sociedade, ou que, estes tenham causado algum tipo de problema ambiental. Entretanto, de forma implícita, e a partir de análises das obras de saneamento registradas por historiadores, deduz-se de sua possível existência. Munford (1998), afirma que foram encontrados nas cidades Mohenjo-Daro na Índia; Ur, Uruk e Lagash na Mesopotâmia, datado em cerca de 2.500 a.C, uma quantidade significativa de indícios relacionados a problemas sanitários.
  
Antes dos indícios das primeiras práticas de sanitação, relata-se de que em Ur dos Caldeus jogavam-se resíduos nas ruas. Contudo, “nos bairros de elite e religiosos, houve um esforço deliberado visando remover todos os resíduos, orgânicos e inorgânicos para locais fora das áreas comuns que vivem (Savas, 1977:12)”.

Por outro lado é  na Mesopotâmia, onde surgiu o primeiro sistema de esgotos do mundo; casas continham banheiros, dutos de esgotamento em tijolos, inclusive funcionários encarregados de manutenção (FRY, 1996; ROSEN, 1999; MUNFORD, 1998). Na cultura egípcia o exemplo melhor vem da cidade egípcia de Herakopolis (BCE 2100). Coube a Flinder arqueólogo descobrir no Egito restos de um banheiro nas ruínas de Tel-el-Amarna entre 2100 e 1700 a.C (ROSEN, 1999, p.32) (Figura 2).
  
Figura 2Sanitação no Antigo Egito: Ao lado, um detalhe do banheiro com canalização nas ruinas do palácio de Ramsés III (c. 1194 a 1163 a.C.), em Medinet Habu –antigo Egito. Fonte:fascinioegito.com


Entre os hebreus há também os ensinamentos religiosos que lidavam com o lixo, na lei  lei mosaica principalmente  diz que "para remover seu próprio lixo e enterrá-lo na terra." Neemias fala da reconstrução de Jerusalém, onde havia uma porta de lixo onde os resíduos da cidade estavam a ser despejado. eo Talmude chamado para as ruas de Jerusalém para ser lavados diariamente (Savas, 1977:12).

No Século I a.C entre os hebreus na Palestina, em Jerusalém, também aparecerem registros de obras de saneamento e sistemas para abastecimento d’água residencial e acumulação de resíduos em um local denominado “Genna” . O Genna ou Vale do Hinon foi um depósito de resíduos de Jerusalém, inclusive de cadáveres. Jesus Cristo (01-33 d.C) muito se referiu em suas parábolas a esse local para simbolizar a destruição eterna da alma (NEW WORLD TRANSLATION OF THE HOLY SCRIPTURE,1996).

Um elo entre saneamento e religião

As obras de saneamento constituem um registro bastante consistente para evidenciar a existência de problemas relacionados ao sanitarismo. Outro elemento significativo que permite deduzir a existência de problemas relacionados ao saneamento são as recomendações e hábitos presentes na religião. Rosen (1999) afirma que durante longos períodos históricos práticas de religiosidade mantiveram um forte elo com o exercício da limpeza.

Na América, os quéchuas da civilização Inca (1.000 a.C. - 1.000 d.C), praticavam cerimônia festiva religiosa denominada “citua”, que incluía limpeza de ruas e casas. Esses ritos inibiam a manifestação de doenças e mantinham asseado o ambiente (ROSEN, 1999). Os sacerdotes ou xamãs exerciam funções de curandeiros, feiticeiros, líderes comunitários, juízes, líderes religiosos e profissionais de saúde. No judaísmo o livro de Levítico do Pentateuco também se observa a existência de inúmeras normas de saúde pessoal e coletiva em escritos  religiosos (SUGERIST,1978).

Nas civilizações clássicas, a questão do saneamento difere das anteriores, principalmente porque não se encontra associada à religião, mas à mitologia. A primeira iniciativa de associar o meio ambiente e saúde veio de Hipocrates (460 – 355 a.C) (Figura 3); a doutrina “miasmática” proposta por ele na obra Ares, Águas e Lugares, mostrava ligações entre limpeza, saúde e ambiente físico (MORAIS, 1997). Esse modelo teórico teve grande influencia nas sociedades romana, medieval, moderna e contemporânea, e permaneceu como modelo teórico até meados do século XIX quando, devido a avanços na descoberta dos micróbios deu-se início à era bacteriológica que teve de ser desconsiderada.

Figura 3: Hipócrates (em grego antigo: Ἱπποκράτης, transl. Ippokráti̱s; * 460 a.C. em Cós; † 370 a.C. em Tessália) é considerado por muitos uma das figuras mais importantes da história da saúde, frequentemente considerado "pai da medicina", apesar de ter desenvolvido tal ciência muito depois de Imhotep, do Egito antigo.Fonte:Wikipédia.com

As parcas condições de saneamento nas sociedades da antiguidade clássica

Munford (1998), Rosen (1999), Crosher (1974) e Sposito (1988), citam como péssimas as condições de saneamento existentes nos núcleos urbanos das sociedades clássicas. Atribuí-se a Aristóteles (384-322 a.C) as primeiras críticas às péssimas condições do meio ambiente de Atenas (450 a.C), definindo-a como uma cidade mal suprida de água, suja, sem pavimentação e latrinas a céu aberto ( MUNFORD,1998). Aristófanes(450-388 a.C) (Figura 4), poeta e dramaturgo grego, teria afirmado:’Mandai que todos os homens fiquem em silêncio, que vedem seus esgotos e latrinas com telhas novas e fechem seus próprios orifícios de vento”.
Figura 4: Aristófanes (em grego antigoἈριστοφάνηςca. 447 a.C. — ca385 a.C.) foi um dramaturgo grego. É considerado o maior representante da comédia antiga. Fonte: greciateatro.com.

Nas cidades menores a situação se repetia, nem todas as casas  havia esgotos e grande parte dos resíduos eram lançados nas ruas, servindo de alimento para porcos e cães (CROSHER, 1974, p.17). Heródoto (484-425 a.C.), historiador grego, ao chegar a Atenas pela primeira vez e vendo essas péssimas condições sanitárias teria comentado: ‘O caminho para Atenas é agradável, correndo entre campos cultivados por toda distância. A cidade é seca e mal suprida de água. As ruas não passam de velhos e acanhados caminhos, as casas são mesquinhas, havendo entre eles umas poucas melhores. Ao chegar ali pela primeira vez, um estrangeiro dificilmente acreditaria que esta é a Atenas da qual tanto se ouve falar’ (MUNFORD, 1998,p.182).

A Mitologia e o saneamento

Com a disseminação de doenças na Grécia inicia-se uma busca para entender as causas e a relação entre as péssimas condições sanitárias e as doenças que ainda era um fator desconhecido. Assim, cabia aos filósofos assumir a tarefa (ROSEN, 1999). Inicialmente a questão da saúde não era o foco principal dos debates; buscava-se investigar a constituição do universo, as relações entre os homens e natureza. Mais tarde, apoiado em questionamentos filosóficos, foi-se desenvolvendo as primeiras concepções e explicações naturalistas, na crença de que as manifestações das doenças tinham origem na desarmonia que se estabelecia entre as ações do homem e ambiente (ROSEN, 1999.p.37).

Foi a mitologia grega que ofereceu os elementos que permitiram entender o elo entre higiene e mitologia. A sistematização do pensamento grego sobre a questão sanitária e higiene tem raiz nesse elo. Segundo a mitologia, a sociedade refletia um antagonismo ancestral, entre as filha do deus Asclépias: Panacéia e Higia (Figura 5). Panacéia era a padroeira da medicina curativa e das práticas terapêuticas fundamentados em intervenções sobre os indivíduos enfermos. Visando atingir seus objetivos recorria a encantamentos, preces e uso de Pharmakon (remédios) (ROSEN, 1999).
  
Figura 5Asclépio(ao centro) acompanhado de Telésforo, Panaceia e Hígia. Hígia (equivalente na mitologia romanaSalus) era a filha de Esculápio e a deusa da saúde, limpeza e sanidade. Panacéia a deusa da cura. Fonte:wikipédia.com

Desse mito, nasceu o adágio popular: “panaceia para todos os males”, usado para designar seu extraordinário poder curativo. Higéia, por sua vez, era cultuada por aqueles que consideravam a saúde como resultante da harmonia entre os homens e o ambiente, assim, buscava-se promover ações preventivas e mantenedoras do perfeito equilíbrio entre elementos fundamentais, ou seja, terra, fogo, ar e água (ROSEN,1999 apud ROUQUAYROL & ALMEIDA FILHO, 2003, p.05).
  
Foi da sobrevivência dessas crenças e práticas através dos tempos que derivou o conceito de higiênico, sempre lembrado no sentido de promoção de saúde no âmbito coletivo. Muitos historiadores acreditam que a epidemiologia nasceu com Hipócrates, e que a estrutura e o conteúdo dos seus textos sobre epidemias nos ambientes têm origem na tradição higéia, que antecipou o chamado raciocínio epidemiológico (ROSEN, 1999 apud ROUQUAYROL & ALMEIDA FILHO, 2003, p.05). Os primeiros depósitos foram desenvolvidas pelos gregos (Atenas) circa 500 aC No desenvolvimento da gestão de resíduos, em Atenas, em 320 aC, passou o primeiro decreto conhecido que proíbe a disposição de lixo nas ruas (SAVAS,1977) apud Paul Trotta (SD).
  
A origem da doutrina miasmática e sua influência entre os romanos

Hipócrates (460-377a.C), considerado pai da medicina, foi quem desenvolveu a primeira matriz normativa paradigmática (AYRES, 2002, p.59). Paradigma pelo qual veio à compreensão da relação ambiente e doenças, abandonando assim, os tratamentos baseados em crenças, mitos e superstições (VICENTINO, 2002). Assim o elo que existia entre higiene e mito foi ao poucos sendo redirecionados e ocupados pelas explicações  racionais. Segundo esse modelo teórico, eram considerados como nocivos à saúde as planícies encharcadas, regiões pantanosas, e orientava também que as casas deveriam ser construídas em áreas elevadas e aquecidas pelo sol, ou ainda em contato com ventos saudáveis (ROSEN, 1999).

Quando os romanos conquistaram o mundo, o mediterrâneo ostentou o legado da cultura grega e herdou o ideário da medicina, destacaram-se como construtores de esgotos, aquedutos de água e instalações sanitárias (ROSEN, 1999). O geógrafo grego Estrabão (63 a.C- 23 d.C), observou diferenças entre a cultura grega e a romana ao planejar uma cidade. Os gregos, segundo ele, privilegiavam a beleza, fortificações, os portos e o solo fértil. Os romanos notadamente se dedicavam ao calçamento de ruas, redes de esgotos e suprimento de água (MUNFORD, 1998).
Estrabão ou Estrabo (em gregoΣτράϐωνtransl.: Strábōn63 a.C. ou 64 a.C. — ca. 24) foi um historiador,geógrafo e filósofo grego. Foi o autor da monumental Geografia, um tratado de 17 livros contendo a história e descrições de povos e locais de todo o mundo que lhe era conhecido à época.

Os calçamentos foram outra marca do Império Romano(Figura 6). Entretanto não atendiam diretamente os reclames da população, antes pelo contrário, priorizavam fins militares, facilitando deslocamentos do exército. Quando os alçamentos chegavam às ruas, era muitas vezes antes do abastecimento d’água residencial. Até mesmo as duas grandes avenidas de Roma não eram mais que um prolongamento dessas grandes vias destinadas a fluxos militares (MUNFORD, 1998).


Figura 6: A Via Ápia (em latim Via Appia, em italiano Via Appia Antica) é uma das principais estradas da antiga Roma. Recebeu este nome em memória do político romano Ápio Cláudio Cego, que iniciou sua construção em 312 a.C. Inicialmente a estrada estendia-se de Roma a Cápua, numa distância de 300 quilômetros. Posteriormente foi ampliada para passar por Benevento, Taranto, até Brindisi (264 a.C.).Fonte.Pt.Wikipédia.2012

Particularmente em Roma já se usavam a água para lavar seus esgotos(Figura 7). "os romanos empregavam água para escoar  a maioria de seus resíduos em direção do rio Tibre, através esgotos a céu aberto, situação que durou  até o terceiro século. Porém, o destaque maior na área de saneamento romano é atribuído à construção do grande sistema de esgoto de Roma, a “cloaca máxima”, obra que ainda hoje é parte do sistema de drenagem. Flávius Josefus (37- d.C 96 d.C.), historiador judeu, gabou o moderno sistema instalado por Herodes em Cesárea (ROSEN, 1999.p.236-237)


Figura 7: A Cloaca máxima romana ainda hoje é usada na cidade de Roma. Fonte: beentheredonethat.com

No entanto, algumas cidades romanas nem sequer tinham redes de esgotos; Estrabão (63 a.C -24.d.C) assinala com surpresa a construção da Nova Smirna com a ausência de esgotos. Em Roma, nos quarteirões mais pobres, as ruas exalavam mal cheiro por causa dos conteúdos dos urinóis esvaziados dos andares superiores. Não havia água e nem eram conectados a redes de esgotos (ROSEN, 1999), e os dejetos tinham de ser transportados em baldes. Havia sempre o perigo de se ter um urinol esvaziado na cabeça de alguém, algo que os tribunais romanos se esforçavam por prender e castigar esses culpados. A forma de lidar com o recolhimento e seu destino final dos detritos fecais lançam sérias dúvidas sobre a inteligência e competência dos serviços e funcionários municipais de Roma (MUNFORD, 1998).

Quanto à disposição dos resíduos fecais, a cidade de Roma antiga era dotada de um sistema baseado em latrinas públicas (Figura 8). Acredita-se que existiam na época do Imperador Constantino cerca de 150 que drenavam em redes de esgotos (DUBY & ÁRIES, 1989. p.268). Há registros que Roma teve 11 banhos públicos mais de 1300 fontes públicas e 856 banheiros privativos,144 [toaletes públicos de água coradas] (Kahn, 2000:121).


Figuras  8 e 9: Observa-se acima as ruínas de  latrinas publicas em Roma. Na figura abaixo a concepção artística do uso.Fonte: Wikipédia.2014. 

No apogeu do Império, Roma abrigou um contingente populacional que se aproximava de um milhão de habitantes, assim a deposição da grande massa de detritos gerada pela população passou a ser um problema. Sem uma política de saneamento adequada, o destino final eram as valas. Mais tarde, eram recolhidos por esterqueiros em carrinhos de mão. Embora essa remoção fosse noturna, regular e pontual, expelia odores insuportáveis que impregnavam os edifícios e ruas (MUNFORD, 1998).

Quando havia espetáculos no Coliseum, as carcaças de animais e cadáveres humanos eram lançadas nessas valas situadas nos arredores da cidade, formando um cordon malsanitarium. Em tempos de pestes, essas valas denominadas de paticuli, ficavam cheias de cadáveres. Coube a Augustus Octavianus (63 a.C -14 a.C)(Figura 9) as primeiras medidas de emergência a fim de resolver o problema, dando início a uma reforma especial que resultou na substituição da inumação pela cremação, porém não resolveu totalmente o problema da ge-ração e destinação dos detritos (MUNFORD, 1998, p.239-240).



Figura 9  Cesar  Augustus nasceu em 23 Setembro de 63 a.C e morreu em 14 D.C.

Os exemplos citados sobre o aspecto sanitário constituiu inovações de engenharia, por isso ficavam rele-gados primeiramente aos palácios e desconhecidos por grande parte da população. Só mais tarde os roma-nos tornarão os benefícios palacianos em feitos coletivos às massas urbanas. Apesar dessas conquistas romanas, não se deve negligenciar os lados sombrios da maioria da população em relação à saúde pública. Em suma, os grandes feitos de engenharia, os romanos se mostravam supremos nos aquedutos, nos esgotos subterrâneos, nas vias pavimentadas, porém as suas aplicações eram absurdamente dispersas e ineficientes (ROSEN, 1999).


Quanto à influência da doutrina miasmática entre os romanos, deu-se principalmente por parte das autoridades quando se tinha o cuidado de construir somente em sítios salubres. Entre as iniciativas baseadas nessa doutrina, destacam-se as ações de Marcus Vitrúvius Pollio, engenheiro militar (Séc. I a.C), esse recomendava a avaliação prévia dos locais nocivos para assentamentos humanos, que em geral se dava através da inspeção nos fígado e víceras de animais, nos locais onde haviam pastado (MUNFORD, 1998, p.237).



Mais tarde, Marco Terrêncio Varro (116 - 27 a.C), alertava os cidadãos sobre o perigo de construir fazendas em lugares encharcados, “(...) porque ali se dá a geração de diminutas criaturas, que os olhos não podem ver e entram no corpo através da boca e do nariz, e causam sérias doenças”.

A crise no saneamento das cidades medievais e a doutrina miasmática

A Idade Média marca um período histórico compreendido entre os séculos V e XV, iniciando com a queda do Império Romano do Ocidente e que se estendeu até a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos (ROSEN, 1999 ; VICENTINO, 2002; ARRUDA, 1998). Cobre um período de tempo equivalente a mais ou menos mil anos, período durante o qual se desenvolveu o modelo econômico feudal, que marca definitivamente a era medieval.

A desintegração do mundo grego-romano e as invasões bárbaras, levaram o declínio à cultura urbana herdada pelos romanos, principalmente às práticas de saúde pública. Muitas obras construídas, a exemplo dos aquedutos, foram destruídas, outras importantes obras de instalação de higiene também acabaram sendo arruinadas (ROSEN, 1999, p.51). Esse desmoronamento do Império Romano do Ocidente acabou permitindo uma retração do comércio e das atividades urbanas em geral (ARRUDA, 1998, p.83; ROSEN, 1999, p.41; VICENTINO, 2002, p.96).

Como conseqüência do fim do centralismo de poder do Império Romano, a Europa passou por um período de ruralização e valorização das terras, condição que consolidou o sistema econômico feudal. Nessa nova fase da história, na Europa, a Igreja Católica veio a se tornar a mais forte instituição desse período. Sob a ordem monástica foi possível preservar as parcas noções de saúde e higiene herdadas dos gregos e roma-nos, mas essa parcas condições de saúde e higiene existentes nos mosteiros não se refletiam na população (ROSEN, 1999).

Os problemas mais comuns nas cidades medievais se relacionavam a esgotos a céu aberto, falta de água, ruas empoeiradas e acúmulo de resíduo. Nos séculos XI ao XIV, a população cresceu notavelmente, Madri, atingiu a cifra de 53.000 hab.; Nápoles, 40.000 hab; Florença, 90.000 hab; Bruxelas, 25.000 hab.; Strasburg, 25.000 hab. (SPOSITO, 1988, p.33). O crescimento populacional aumentou a quantidade de resíduos produzidos, vindo a se tornar um problema. Rosen (1999) afirma que uma residência medieval produzia mais detritos do que uma casa da era moderna. Muitos de seus habitantes para sobreviver criavam porcos, cavalos, gansos, galinhas e patos, e isso representava aumentos de detritos.

Esses resíduos, embora biodegradáveis, tornaram-se um problema, principalmente, porque se acumulavam nas ruas e nos becos estreitos das cidades medievais, assim, sua remoção tornou-se complicada (ROSEN, 1999). Em algumas cidades medievais, partes desses resíduos produzidos eram aproveitadas como adubo orgânico, agricultores e granjeiros que traziam seus produtos para venda; na volta recolhiam sistematica-mente os excrementos humanos e de animais para usar como adubo nas terras. Por outro lado, parte dos detritos tinham como destino certo os rios mais próximos, poluindo e emitindo maus odores (MUNFORD, 1998).

A doutrina miasmática e a peste negra

Rosen (1999) cita pelo menos três pandemias de peste no curso da história humana. A primeira, a peste de Justiniano em 543 d.C. no início da Idade Média; uma foi a Peste Negra, a segunda, as difusas epidemias de nosso século. Durante o período medieval  na “Idade das Trevas” (500-1000 a.C.), a peste foi explicado pelo paganismo e preceitos da religião cristã. O cristianismo via na manifestação das doenças a punição pelos pecados, ou ainda conseqüência de possessão demoníaca. Hoje se sabe que entre as causas que favoreceram a rápida propagação de doenças e epidemias, eram as péssimas condições de higiene das cidades (VICENTINO, 2002; COSTA & MELO, 1999; HUBERMAN, 1985).

Na Inglaterra, em Cambridge, era comum encontrar nas ruas pilhas de esterco espalhadas nas ruas. Os serviços de limpeza eram deficientes e a remoção dos resíduos só acontecia uma vez por semana (MUNFORD, 1998, p.317). Assim, o ambiente urbano acabava oferecendo as condições ideais para a proliferação de doenças e epidemias. Entre as epidemias que assolaram a Europa, a peste bubônica (Peste Negra) foi a mais grave, e era causada pela bactéria Yersinia pestis, cujo vetor é o rato.

Em Constantinopla, a peste foi batizada de “Grande Morte”(Figura 10). Sua disseminação atingiu as cidades européias através dos comerciantes de Veneza, em negócios marítimos com o Império Bizantino. Em 1351, sua ação epidêmica atingiu a maior parte da Europa (FRY, 1996, p.153), Florença chegou a perder cerca de 100.000 habitantes. Na França, Inglaterra, Países Baixos e Alemanha, entre 1347 a 1350 a mortandade atingiu números que  variaram entre 1/3 a metade da população (HUBERMAN, 1985, p.58; VICENTINO, 2002).




Entre as medidas encontradas para combater a propagação, baseou-se na melhoria das práticas de higiene e o saneamento das cidades. Essa ação diminuiu sensivelmente a infestação de ratos. Mas os médicos, buscando justificar a origem da peste, recorreriam à concepção que derivava da tradição hipocrática, com ênfase na importância dos fatores ambientais da “doutrina miasmática”. (ROSEN, 1999). O Jonhannes de Tornameira, médico que vivenciou essa época, aconselhava evitar respirar o ar que vinha de pântanos, valas estagnadas, cemitérios ou de estábulos (ROSE,1993,p.64).

Essa doutrina influenciou decisivamente para que a população, de forma coletiva e individual, enfrentasse com urgência esse grave problema de saúde publica (ROSEN, 1999). Com base nessas concepções, se desenvolveria mais tarde as primeiras políticas de saúde pública. Entretanto, a melhoria das condições sanitárias na Europa só veio ocorrer de fato no século XVIII, inicialmente na Alemanha com o nascimento da medicina social, mais tarde na França com o desenvolvimento da medicina urbana e a criação dos primeiros comitês de saúde publica, e finalmente na Inglaterra com a Lei dos Pobres (FOUCAULT, 1999).

As primeiras obras de saneamento na Europa medieval

Na Europa, registram-se diversos exemplos de leis e ações materializadas em obras de sanemanto urbano, partindo da concepção de um lugar limpo se evitariam doenças. Na Inglaterra, em 1388, tentando coibir essa prática, o parlamento aprovou uma lei que proibia o lançamento de detritos em valas, rios e lagos, no século X começaram a pavimentação de ruas com a finalidade de manter limpas (ROSEN, 1999). Em Paris o calçamento chegou em 1185. Praga na antiga Tchecoslováquia em 1331; Nuremberg em 1368; Basiléia em 1387; e em Milão, as cloacas e os primeiros matadouros datam do século XIV (ROSEN, 1999).


Mais tarde, em Paris, no século XVI, foram criados outros dispositivos jurídicos especiais visando o controle sanitário, proibiram-se, por exemplo, enterrar esterco dentro do limite da cidade, e se estabeleceram regras para controle e retirada de excrementos, restringido essa prática a determinados horários noturnos. Na capital francesa, muitas casas possuíam estábulos particulares. Em meados do século XV ficou proibida a construção de chiqueiros de porcos ou de estábulos com frente para as ruas (ROSEN, 1999).

A luta dos municípios para combater essas situações, se reflete no grande número de editos, regulamentos e também avisos de advertência pra toda a população, inclusive com promessas severas de punição aos infratores (ROSEN, 1999). Em Cambridge, as péssimas condições de saúde pública vividas pelos habitantes acabaram favorecendo, em 1348, a primeira lei sanitária urbana da Inglaterra (MUNFORD, 1998, p.315).

A influência da doutrina miasmática nas políticas de saúde publica contemporânea: os casos da Alemanha, França e Inglaterra

Durante o Iluminismo, período em que os filósofos refletiam sobre o Estado e esqueciam a comunidade (MUNFORD, 1998, p.492). Mas essa situação mudaria em meados do final do século XVI e início do século XVII, quando várias nações do mundo europeu perceberam que o estado enquanto poder, não poderia se suster com uma população debilitada pobre e doente, daí o surgimento da preocupação com a saúde da população (FOUCAULT, 1979; ROSEN, 1999).

No século XVIII, com a consolidação do poder político da burguesia emergente na Inglaterra através da Revolução Gloriosa; na França com a revolução 1789; e na Alemanha com a formação dos estados nacionais; nos Estados Unidos com independência, iniciam-se os processos de intervenção do estado sobre a questão da saúde das populações (ROSEN, 1999). Uma população saudável implicaria riqueza e o poder de uma nação. Assim, estadistas, legisladores, administradores, médicos e homens de negócios acabaram reconhecendo a importância de um povo com saúde (ROSEN, 1999).

De modo geral, a grande mudança nas áreas da saúde publica e saneamentos ocorreram primeiramente na Europa, estabelecendo-se particularmente na Inglaterra, Alemanha e na França. Esses paises deram importantes contribuições para estruturação das polític paises que impulsionariam todas as políticas de saúde pública do século XVIII. Através da ação de grandes reformadores e higienistas como são os casos de Chadwick na Inglaterra, do barão Houssman na França, e Johan P. Frank na Alemanha, deu-se inicio a uma série de mudanças, em busca da melhoria das condições sanitárias da Europa. as de saúde como conhecemos hoje.

Foram os movimentos sanitaristas nesses paises que impulsionariam todas as políticas de saúde pública do século XVIII. Através da ação de grandes reformadores e higienistas como são os casos de Chadwick na Inglaterra, do barão Houssman na França (Figura 12), e Johan P. Frank na Alemanha, deu-se inicio a uma série de mudanças, em busca da melhoria das condições sanitárias da Europa.

Figura 12Georges-Eugène Haussmann (Paris27 de Março de 1809 — Paris11 de Janeiro de 1891) foi um advogado, funcionário público, político e administrador francês. Nomeado prefeito de Paris por Napoleão III, tinha do título de Barão e foi o grande remodelador de Paris, cuidando do planejamento da cidade, durante 17 anos, com a colaboração de arquitetos e engenheiros renomados de Paris na época. Fonte:efem.com.br


Na Inglaterra, por exemplo, o movimento hospitalar e o assistencialismo precedem uma medicina de força pelo Estado em áreas urbanas. Na França com a Revolução de 1789, implanta-se uma medicina urbana com a finalidade de sanear a cidade, ventilando ruas, construindo vias públicas e isolando áreas considera-das miasmáticas (FOUCAULT,1979, p.05). Na Alemanha por sua vez, coube a Johan Peter Frank (1745-1821) sistematizar as primeiras propostas de uma política médica baseada em medidas compulsórias de controle e vigilância das enfermidades, sob a responsabilidade do Estado, e com a imposição das regras de higiene individual para o povo (ROSEN, 1999).

Miasmas e saneamento na Inglaterra

Os problemas urbanos das cidades inglesas, basicamente eram a falta de coleta de lixo, de rede de água e esgoto, ruas estreitas, a falta de espaço para lazer, insalubridade,entre outros. O crescimento urbano desordenado era uma manifestação clara da etapa pela qual o desenvolvimento do sistema capitalista atravessava A rapidez da urbanização desordenada resultou numa confusão social. Londres, por exemplo, na metade do século XIX, tinha seu abastecimento de água proveniente de poços e rios contaminados, a cidade era palco da cólera, e a expectativa de vida era de 36 anos, e nos bairros pobres, as casas não possuíam privada com descargas (SPOSITO, 1988).

Em Manchester, a situação também não era exemplar; havia duas privadas para cada grupo de 250 pessoas, e um urinol para cada 2.500 pessoas (ROSEN, 1999). Em Ashton, duas privadas para 50. Não obstante, o costume de possuir um gabinete sanitário privado por família, ou uma latrina ligada à rede pública em comunidades muito densas só veio a ser implantada pelos fins do século XIX. A epidemia de Cólera de 1831 e 1832 despertou as autoridades pela situação das cidades, fazendo emergir a reforma sanitária. As doenças procuravam os distritos mais pobres ou locais onde se negligenciavam medidas sanitárias (ROSEN, 1999).

Munford (1998), afirma que a maior contribuição dada pela cidade industrial, talvez tenha sido a reação que se produziu contra seus próprios descaminhos, a começar pela falta do saneamento ou higiene pública. A primeira metade do século XIX, o incremento capitalista e os inúmeros “problemas” urbanos, advindos da célere industrialização, impulsionaram a conduta individual e o isolamento social entre as classes ricas e pobres dentro da cidade. Essa desordem começou a incomodar a burguesia rica, suas carruagens por exemplo, não podiam circular em meio a ruas com lama, porcos, esgoto a céu aberto, lixo e odores fétidos (MUNFORD, 1998, p.511-512).

A epidemia de cólera de 1831 e 1832 fortaleceu ainda mais a veemência pela situação das cidades. A doença sempre se estabelecia mais nos distritos mais pobres, ou nos locais onde havia negligência às medidas sanitárias. Por conta dessa situação, os poderes públicos buscaram estabelecer regulamentos e executar obras sanitárias, foi assim que o Estado começou a gerir e planejar os espaços urbanos nas cidades na Inglaterra (SPOSITO, 1988). No século XIX, a partir da Lei dos Pobres(Figura 10), a medicina inglesa começa a se tornar social. Essa lei isabelina, tinha como encargo a responsabilidade pelo custeamento dos pobres. Entretanto não havia preocupação com a sua saúde pública e isso só mudaria em 1834, com a aprovação do Ato de Emenda à Lei dos Pobres, estabelecendo um novo período de pensar e praticar saúde pública(ROSEN, 1999; FOUCAULT, 1979).

Com a Lei dos Pobres inicia-se então a prática de uma assistência controlada, com base na intervenção médica visando ajudar os mais pobres nas suas necessidades de saúde, e por conseqüência a proteção dos ricos (FOUCAULT, 1979, p.95). Assim, se estabeleceu inicialmente um cordão autoritário no interior das cidades entre ricos e pobres:os pobres encontrando a possibilidade de se tratarem gratuitamente, os ricos por sua vez, garantindo não serem vítimas de fenômenos epidêmicos originários dos pobres (FOUCAULT, 1979, p.95).

Em 1834, é criada a comissão da Lei dos Pobres (New Poor Law), que involuntariamente, consistia em um instrumento de assistência aos pobres, viria a ampliar mais ainda a questão sanitária. Nomeia-se Chadwick como secretário da comissão, que tinha concepção sobre a questão sanitária baseada na idéia de o meio ambiente físico e social exercer influência sobre a saúde humana. Em 1839, o governo inglês, instruiu a comissão a examinar a saúde da população de toda a Inglaterra. Essa ação resulta em um relatório que comprovaria um elo entre as doenças que afetavam a população e o meio ambiente poluído (ROSEN, 1999).


A idéia de que a deterioração dos ambientes tinha uma relação significativa com a falta de escoamento, de abastecimento de água, e dos refugos das casas e das ruas, ganhava cada vez mais consistência. A raridade de sistemas de esgotos e da remoção do lixo, o descaso quanto aos pátios e terrenos abandonados em torno dos quais se construíram as casas, deu origem à prática de monturos. Assim, raramente um pátio não estava ocupado por uma fossa comunal. Esse caos sanitário urbano favoreceu o pensamento de Chadwick, causídico da teoria, de que as febres epidêmicas, se deviam aos miasmas de animais e de matérias vegetais em decomposição (ROSEN, 1999).

Assim o problema da saúde pública ganharia uma nova orientação e a imundície se ergue ao nível de um inimigo da saúde comunitária. Paralelamente, havia pouco interesse em tomar medidas sanitárias, pois não se consideravam rendosas as despesas para usufruir desses benefícios, embora uma comissão de 1838, havia comprovado que o montante das despesas seria gasto para tomar medidas de prevenção e seria menor que o custo das doenças. A conseqüência imediata do relatório de 1839-1842 resultou na criação por Sir Robert Peel em 1843, de uma comissão Real, para investigação da situação das cidades  grandes e dos distritos populosos (ROSEN, 1999, P.166).

Após a conclusão de um relatório, a comissão chegou a propor que em cada cidade, fosse providenciada drenagem, pavimentação, limpeza e ampliasse a oferta de água, e regulamentasse a largura de ruas. Em 1846, Lorde Lincoln envia à Câmara dos Comuns um projeto lei para melhorar as condições sanitárias das comunidades urbanas. Em 1848 ocorre um grande surto de cólera, é então criado o Conselho Geral de Saúde, um marco na Historia da saúde pública da Inglaterra. O relatório de suas atividades 1848-1854, testemunha, a determinação, zelo e inteligência dos sanitaristas Chadwick, Shaftesbury e Southwood. (ROSEN, 1999).

A doutrina miasmática na França e na Alemanha
Na Alemanha, a medicina se concentrava justamente na melhoria de nível da saúde da população. Em 1750 e 1770, foram então propostos os primeiros programas iniciais de melhoria efetiva da população, o que se chamou de Política Médica do Estado. Em 1764 é criado, a Medizinichepolizei, uma polícia médica que atuava nos moldes de agentes de saúde de hoje; a idéia de criação desse órgão de saúde coube ao médico: Par W.T. Rau. (FOUCAULT, 1979, p.81; ROSEN, 1999, p.87).



Essa polícia foi colocada em operação no mesmo ano de sua criação, ou seja, 1764. Tratava-se de uma medicina estatal que tinha como objetivo o controle de morbidade, regulamentação e sistematização da medicina. Cabendo ao estado a responsabilidade pela nomeação dos funcionários envolvidos na área de saúde. A principal característica da medicina alemã nesse período era a estatização, o que demonstra a preocupação do estado no controle da saúde pública. (FOCAULT, 1979).

A sistematização da medicina na Franca, ao contrário do que ocorreu na Alemanha, só veio acontecer nos fins do século XVIII. Embora tenha nascido, sob a égide do estado francês, possui uma característica totalmente nova e diferente da que ocorreu no estado alemão. Segundo Foucault (1979, p.82), a política pública com a questão sanitária se restringia apenas a levantamento de informações, construção de tabelas com dados de natalidade e mortalidade, ou dados sobre índices da saúde da população. A preocupação era em aumentar o quantitativo da população, não havendo preocupação em elevar o nível de saúde publica da população. Os serviços de limpeza urbana eram precários, e ficavam a cargo da classe mais pobre, a eles cabia o dever de realizar a limpeza do lixo e retirá-los da cidade (FOUCAULT, 1979).


Um exemplo do descaso com a questão sanitária bastante conhecido ocorreu no século XVII – XVIII, sendo conhecido como o caso do “Cemitério dos Inocentes”. Localizado no centro de Paris, funcionava como um depósito onde os cadáveres em decomposição, dispostos a céu aberto, exalavam um mau cheiro que e incomodava toda a população circundante (Figura 14). Foi assim que apareceram em 1740-1750, os primeiros protestos contra o amontoamento de corpos nos cemitérios. Assim, em 1780, e que se iniciam as primeiras grandes operações para remoção dos cemitérios para as periferias da cidade (FOCAULT, 1979). 


A figura acima mostra os ossos retirado do antigo cemitério dos inocentes muitos destes restos mortais advindo da Revolução Francesa . Esse ossos e crânios são empilhados de cada lado de um corredor estreito como mercadoria em um armazém. O ar é fresco, com apenas uma sugestão de decomposição, e não há pichações rudes que datem da Revolução Francesa, principalmente sobre o rei e a nobreza. São vários quilômetros de passagens subterrâneas em torno da cidade, mas apenas uma pequena parte está aberta ao público e diz-se que o resto é patrulhado por uma polícia secreta especial. Apesar de as visitas guiadas estarem disponíveis, é mais assustador e eficaz ir sozinho, e sentir a experiência de encontrar milhões de ossos iluminado pela lâmpada de baixa potência. As catacumbas foram originalmente uma pedreira da era romana, mas quando o Cemitério dos Inocentes, no centro de Paris, começou a transbordar ao ponto de ser um perigo para a saúde pública em 1785, os túneis encontraram seu estado atual. Os ossos foram descartados durante a noite, em cerimônias elaboradas, até o ano de 1814.

Segundo o filosofo François Marie Aroue ou Voltaire (Figura 15) descreveu a situação: “Os cachorros vêm aqui para cavoucar os ossos; um vapor grosso exala dali”. Quando um dos muros do cemitério desabou em uma casa, em 1780, o governo, depois de ouvir tanta reclamação, ordenou fechá-lo. Cinco anos depois, para eliminar o mau cheiro da região, foi decidido que o cemitério seria destruído. O serviço sanitário parisiense empreendeu, então, um grande rearranjo de mortos, que fechou cemitérios mal conservados e levou tonela- das de ossos para o subsolo da cidade, nas chamadas Catacumbas de Paris. É a partir dessa desordem, em relação à destinação dos restos mortais dos parisienses, que a burguesia inicia uma conciliação de interesses, buscando resolver esse e os demais problemas de saúde pública de 


Figura 15: François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire (Paris, 21 de novembro de 1694 — Paris, 30 de maio de 1778), foi um escritor, ensaísta,deísta e filósofo iluminista francês. Fonte: Wikipédia.com

Paris. Foucault (1979) assegura que não foi o cristianismo que ensinou à sociedade moderna o culto aos mortos, mas sim a intervenção do estado. Mesmo assim, o sepultamento individual só veio a aparecer no final do século XVIII, não para atender as razões teológicas, mas sim por razão político-sanitária de respeito aos vivos.

O problema sanitário existente não se resumia apenas aos cemitérios, mas também aos matadouros públicos e ao acúmulo de resíduos domésticos nas ruas e vielas, além da falta de uma rede de esgotos (FOCAULT, 1979, p.87). Embora essa atribuição fosse do estado, resolver esses problemas não era muito fácil, isso porque, por lei, o governo tinha poderes limitados sobre o subsolo, tornando a construção de esgotos e sepultamento quase impossível, e os proprietários estavam pouco dispostos a ceder seus terrenos para essa finalidade (MUNFORD, 1998).

O problema sanitário existente não se resumia apenas aos cemitérios, mas também aos matadouros públicos e ao acúmulo de resíduos domésticos nas ruas e vielas, além da falta de uma rede de esgotos (FOCAULT, 1979, p.87). Embora essa atribuição fosse do estado, resolver esses problemas não era muito fácil, isso porque, por lei, o governo tinha poderes limitados sobre o subsolo, tornando a construção de esgotos e sepultamento quase impossível, e os proprietários estavam pouco dispostos a ceder seus terrenos para essa finalidade (MUNFORD, 1998).

No século XVIII, inicia-se a intervenção do estado para resolver o problema. Assim, o governo francês acabou elaborando uma legislação autoritária que colocava o estado no controle do subsolo, deixando de ser propriedade particular e passando a ser de domínio público (FOUCAULT, 1979). Com essa mudança foi possível instalar redes de esgotos, remover os cemitérios e matadouros públicos para as áreas situadas nas periferias da cidade. Essa preocupação em remover os cemitérios e matadouros públicos para as periferias e a inquietação em manter o ar sadio, foi herdada possivelmente da doutrina miasmática de Hipócrates (460-377 a.C.). Por isso se fazia o possível em manter o ar sadio, não devendo ser bloqueado ou impedido de circular entre casas e outros recintos, daí a  necessidade de abrir grandes avenidas no espaço urbano visando manter o ar limpo (ROSEN, 1999; FOCAULT, 1979).

O desdobramento da doutrina miasmática e o saneamento de Paris

Mas Paris passaria ainda por uma grande reforma urbana e de saneamento que marcaria história. O Munford (1998, p.516), assevera que isso só veio a ocorrer na segunda República Francesa, quando se verificou a temível limpeza de Paris. Dirigido pelo barão Hausman, esse serviço foi tido como essencial e original, constituindo um dos mais célebres atos de urbanismo propriamente dito do século XVIII.

A cidade de Paris do século XVIII era uma cidade sórdida e com sérios problemas de saneamento público; havia acúmulo de lixo nas ruas, inexistência de rede de esgotos, péssimas condições de higiene em cemitérios, matadouros públicos e ruas fedidas. Esses eram os componentes da caótica realidade urbana vivida em Paris (MUNFORD, 1998, p.516). Os sanitaristas viam essas ruas de casas deterioradas e sujas como uma séria ameaça à saúde pública, e por isso planejaram demolir e em seu lugar construir largas e novas avenidas.

O responsável por essa grande reforma urbana de Paris foi o sanitarista Engenheiro Georges Haussman (1809-1891), adepto da “doutrina miasmática”. Em pouco tempo, ordenou a destruição dos velhos prédios, removeu os matadouros públicos e cemitérios do centro para as periferias, ligou latrinas públicas à rede de esgotos, abriu largas avenidas, ampliou ruas, construiu praças. Assim, a classe média dominante pode finalmente se deleitar das reformas, passear, comprar e vender (PAZZINATO & SENISE, 2002, p.180). Munford (1998, p.516) afirma que: “pela primeira vez, o aperfeiçoamento sanitário alcançado nos palácios sumerianos, ou pelas elites romanas e gregas, achava-se agora ao alcance da população inteira”.

Na capital francesa Paris, além da temível limpeza, verificou-se um dos seus mais célebres atos de urbanismos da época. No entanto, por trás dessas reformas, havia outros interesses burgueses, buscava-se sufocar os movimentos sociais. Ao criar avenidas largas e elaborar trajeto mais rápido para o centro facilitava o deslocamento de tropas militares, o que tornaria a cidade segura em caso de um levante civil, e ao mesmo tempo impediria levante de novas barricadas (BENJAMIN, 1985, p.41-42). Esse modelo de políticas sanitárias e reforma urbana, ficaria conhecido na França e na Europa como “embelissement strátegique,” se difundiria para outros países, inclusive para o Brasil.

Saneamento e doutrina miasmática no Brasil

Até meados do século XIX, as praias não só do Rio de Janeiro mas também de Salvador e Recife, eram lugares onde não se podia passear, muito menos tomar banho de mar, pois significavam imundície, era lugar de despejos de dejetos, excrementos, lixo doméstico, animais mortos e corpos de escravos (FREIRE, 2002).

Sem rede de esgotos, os dejetos residenciais eram colocados em tonéis, posteriormente eram despejados nas praias, atribuições relegadas aos negros ou “Tigres”. Esses, tinham de carregar em suas cabeças os grandes barris de excrementos (FREIRE, 2002). O mar por onde entrava a economia do país, ao contrário, era um dos grandes focos de disseminação das doenças. Essa situação prejudicava constantemente a economia do país.

Por causa desse caos sanitário portuário, o investidor estrangeiro buscava outros locais de investimento. Assim, as péssimas condições de higiene, eram vistas como um atraso do país em relação a outras nações. No século XVIII e inicio do século XIX, a medicina era pouco desenvolvida, e não se sabia como as doenças eram transmitidas. A Academia Real de Medicina, até que tentou resolver o problema, para isso recorreu ao modismo da “doutrina miasmática” (MEIRY & BERTOLLI FILHO, 1999). “Os miasmas eram obsessão dos higienistas da época” (FREIRE, 1990).

A Doutrina Miasmática baseava-se no princípio de que as doenças eram causadas pela presença no ar de substâncias fétidas (miasmas) resultantes do apodrecimento do Lixo. Como solução inicial para o problema, cogitou-se inicialmente a utilização de uma longa série de disparos de projéteis de canhão no ar, imaginando que essas detonações dissipariam o ar contaminado pairado sobre a cidade do Rio de janeiro. Outros, afirmavam que as doenças eram causadas pelo consumo de frutas, uma vez que a população tinha o hábito de enterrar os frutos na areia para ficarem frios (MEIRY & BERTOLLI FILHO, 1999, p.43).

Um médico da época, Luiz Correia de Azevedo, também adepto da doutrina miasmática, culpava o projeto arquitetônico da cidade do Rio de Janeiro, e em determinado discurso na Academia Imperial de Medicina fez árduas criticas à forma como se davam as construções no Brasil, acusando-as de serem não fundamentados na doutrina miasmática. Criticavam os aspectos arquitetônicos das janelas, portas, corredores, salas, entre outros, achando que não contribuíam para uma boa ventilação; assim convictos de suas posições passou até mesmo a condenar a presença de esgotos nas cozinhas, convencido de que esses emanavam todas as sortes de “miasmas” (FREIRE, 2002).

Os primeiros serviços sistemáticos de limpeza urbana vieram a ser adotados a partir de 25 de novembro de 1880, quando o Imperador D.Pedro II, através do Decreto nº. 3024, de 25/11/1880, aprovou o pioneiro contrato de “limpeza e saneamento” da capital. Esses serviços foram executados por Aleixo Gary, e mais tarde, por Francisco Gary, cujos sobrenomes deram origem à palavra gari, termo que hoje se aplica aos trabalhadores da limpeza urbana das modernas cidades brasileiras (JUCÁ, 2004).


Políticas de saneamento no Brasil sob influência e da doutrina miasmática.

A política sanitária no Brasil republicano ganhou importância no governo de Rodrigues Alves (1902-1906). Na época, doenças como a febre amarela, a peste bubônica e varíola, faziam parte da realidade dos cariocas. A Capital Federal era uma cidade suja, com os esgotos a céu aberto, acúmulo de lixo nas ruas e calçadas, enfim, um ambiente perfeito para disseminação de doenças.

Uma das primeiras medidas do Governo de Rodrigues Alves foi inicialmente, pôr em prática a remodelação do tecido urbano na cidade do Rio de Janeiro. Para realização dessas tarefas, ele indicou o engenheiro Pereira Passos e o sanitarista Osvaldo Cruz. A reforma urbana proposta por Pereira Passos teve início em 1903, Inicialmente ordenou a desapropriação e demolição dos antigos prédios coloniais que serviam de moradia para a população de baixa renda. Essas habitações constituíam em grande foco de disseminação de ratos, transmissores potenciais da peste bubônica (MEIHY & BERTOLLI FILHO, 1995).



A população residente nas áreas atingidas pelas reformas foi obrigada a se retirar; não tendo alternativa de moradia, buscaram abrigos nos morros centrais que circundavam a cidade do Rio de Janeiro (MEIHY & BERTOLLI FILHO, 1995, p.47). No lugar dos antigos prédios coloniais, Pereira Passos abriu amplas ruas e avenidas, áreas de passeios e calçadas largas. Esse novo traçado urbano que preparava o Rio de Janeiro para a modernidade, adaptava-se a ideologia da “doutrina miasmática”, que sob esse ponto de vista, as largas avenidas serviriam para dissipar o ar miasmático (MEIRY & BERTOLLI FILHO, 1999).

Quanto à higienização da Capital Federal, coube ao sanitarista Oswaldo Cruz inicialmente empenhar-se em demolir os barracos que constituíam as favelas localizadas nos morros cariocas, situação que o levou a entrar em confronto com os moradores. Ajustificativa para demolir os barracos da favela, se apoiava na precária falta de higiene vivida pelos moradores, e na crença de que os morros que circundavam a cidade do Rio de Janeiro impediam a circulação do ar; o ar abafado não circulante, seria um dos fatores prováveis da causa de disseminação de doenças (MEIRY & BERTOLLI FILHO, 1999). Koshiba & Pereira, (2003, p.400) afirmam que essa reforma tinha como meta limpar o centro da cidade, entregá-la para uso das elites e deslocar os pobres para a periferia.
  
Essa notória preocupação “miasmática” de Osvaldo Cruz na política sanitária do Brasil republicano, só seria abandonada após estágio no Instituto Pasteur na França. Esse estágio fez abandonar as concepções miasmáticas e buscar na microbiologia o problema da saúde publica. Essa nova maneira de pensar a saúde tinha como base a eliminação da peste bubônica e a febre amarela com limpeza pública. Foram criados também a Brigada Mata-Mosquitos, cuja missão era vistoriar todas as casas e eliminar os focos de reprodução dos mosquitos transmissores

Em maio de 1904, para erradicar a varíola, tornou a vacinação obrigatória, gerando insatisfação nos diversos setores da sociedade, inclusive nos monarquistas e miasmáticos O medo da vacina e o caráter obrigatório, a falta de conhecimento e o analfabetismo, criaram uma expectativa do medo. Esse quadro de ansiedade foi alimentado pela insatisfação das políticas vigentes, pela carestia, a falta de uma política para habitação, entre outros fatores, gerando a “Revolta da Vacina”. A revolta da população civil iniciou-se no dia 10 de outubro, e prolongou-se por vários dias de conflitos entre civis e forças do governo, transfor-mando as ruas do Rio de Janeiro em palco de batalhas (MEIRY & BERTOLLI FILHO, 1999).


Em novembro, no dia 16, visando controlar a situação, o governo revogou a lei e decretou estado de sítio. Em 1914, entretanto, uma epidemia de febre amarela assolaria o Rio de Janeiro, vitimando desta vez 3.500 pessoas. A população voluntariamente, se dirigiu aos postos de saúde em busca da vacina, e finalmente, o trabalho de vacinação em massa proposto por Oswaldo Cruz seria reconhecido. Hoje se sabe que a questão da saúde pública está intimamente ligada à educação, higiene pessoal, organização de serviços de limpeza urbana, e principalmente a melhorias das condições econômicas e materiais das camadas mais pobres da população.
  
A era bacteriológica e fenecimento da doutrina miasmática
  
No século XVII a doutrina miasmática foi perdendo sua influência, uma das causas era a crença em um novo paradigma baseado na crença da geração espontânea de vida. Essa corrente era oposta à crença na doutrina miasmática, defendida por Hipócrates. Mais tarde, em 1840, Jacob Henle, professor de anatomia em Zurique, publica em Berlim a obra pathologische Untersuchungen, hoje considerado um marco na história bacteriológica e doenças comunicáveis (ROSEN, 1999). Na sua primeira seção relativa à “miasma e doenças miasmático-contagiosas”, formula uma teoria em que considera os organismos vivos como causadores das doenças, dando início a uma nova era interpretativa na medicina.

Em 1856, outra série de observações e experiências, leva Luis Pasteur a se tornar o fundador da medicina moderna, publicando uma pesquisa sobre a fermentação causada por microrganismos. Essas pesquisas sepultariam a crença na geração espontânea e revolucionam o diagnóstico e o tratamento das doenças. O Início da Era Bacteriológica (1875-1950), pôs fim à doutrina miasmática e à teoria da geração espontânea, como modelos para justificar as causas da disseminação das doenças.

  
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