Coordenador do NEPE, PIBID de Geografia -FBJ, CoordenadorMestre e Doutor (Phd) em Geografia - UFPE

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Doutor em Geografia (stricto sensu) - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2012); Mestre em Gestão e Politicas Ambientais (stricto sensu) - UFPE (2009); Especialista em Ensino Superior de Geografia (lato Sensu) - Universidade de Pernambuco - UPE (1998); Licenciatura Plena em Geografia - Centro de Ensino Superior de Arcoverde - CESA (1985);   Coordenador do PIBID - Geografia Professor; Orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCC, na Graduação e Pós-Graduação (Latu Sensu).

sexta-feira, 28 de março de 2014

Escravidão Moderna - A Sociedade do espetáculo.

A Sociedade do espetáculo 


Guy Debord (Paris, 28 de dezembro de 1931 — 30 de novembro de 1994) foi um escritor francês. Foi um dos pensadores da Internacional Situacionista e da Internacional Letrista e seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68.

A Sociedade do Espetáculo é o trabalho mais conhecido de Guy Debord. Em termos gerais, as teorias de Debord atribuem a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas quanto da privada, a forças econômicas que dominaram a Europa após a modernização decorrente do final da segunda grande guerra.

Ele faz a crítica, como duas faces da mesma problemática, tanto ao espetáculo de mercado do ocidente capitalista (o espetacular difuso) quanto o espetáculo de estado do bloco socialista (o espetacular concentrado).


A pesquisa desenvolvida por ele está fundamentada nos trabalhos de Karl Marx. Para conceber o atual estado do desenvolvimento capitalista Debord se utiliza da noção de valor, conceituada por Marx no primeiro capítulo do livro O Capital. Neste sentido o valor (que é diferente do preço) surge no mercado como elemento de representação do trabalho socialmente necessário para a produção da mercadoria. Tal característica da mercadoria não se apresenta na forma material, mas no ato de equiparação entre duas mercadorias. Para que possamos entender como o valor irá resultar na reificação, ou seja, como a representação do trabalho que cada mercadoria contém irá resultar na redução dos Homens a simples coisas, simples mercadorias no mundo do trabalho, é fundamental a leitura do trabalho de Karl Marx. E mais, é fundamental a leitura do livro História e Consciência de Classe, de Georg Lukács.

No entanto, Guy Ernest Debord não é apenas um competente leitor de Marx. Em sua obra podemos encontrar também referências outras como Mikhail Bakunin ou Sigmund Freud. Sua obra A sociedade do Espetáculo é o resultado de uma série de debates e leituras acerca dos conceitos desenvolvidos por Marx. Debate este que tem recebido contribuições enriquecedoras de diversas pessoas e de diversas ações. Pessoas como Anselm Jappe e Robert Kurz.

O ponto central de sua teoria é que a alienação é mais do que uma descrição de emoções ou um aspecto psicológico individual. É a conseqüência do modo capitalista de organização social que assume novas formas e conteúdos em seu processo dialética de separação e reificação da vida humana. Como uma constituição moderna da luta de classes, o espetáculo é uma forma de dominação da burguesia sobre o proletariado e do espetáculo, sua lógica e sua história, sobre todos os membros da sociedade.
Debord mostra algumas estratégias que buscam resistir à alienação através da supressão ou derivação da realidade espetacular, destruindo os valores burgueses tal como a submissão ao mundo do trabalho.


 
Figura 2: O livro Guy Debord lançado 1961 em virou filme nas mãos de Jean-François Brient em 2009 Fonte:  circulalaimprimeira.blogspot.

A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado, se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir. Para que esta tragédia absurda possa ter lugar, foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e de sua alienação. Aí está a estranha modernidade da nossa época. Contrariamente aos escravos da antiguidade, aos servos da Idade média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje em dia frente a uma classe totalmente escravizada, só que não sabe, ou melhor, não quer saber. Eles ignoram o que deveria ser a única e legítima reação dos explorados. Eles não conhecem a rebelião, que deveria ser a única reação legítima dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que se planejou para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça.

“estamos hoje frente a uma classe totalmente escrava, que no entanto não se dá conta disso ou melhor ainda, que não quer enxergar [...] a renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça”

E finalmente chegamos. Chegamos ao tão esperado tempo da tecnologia, anunciado com ansiedade desde os primórdios da mídia. Afinal, quem não se lembra dos simpáticos membros da família Jetson? Quem não se lembra de todas as benesses, dos carros que voam e dos fornos que cozinhavam imediatamente? Enfim chegamos, agora é uma questão de sentar, relaxar e esperar que o trabalho nos seja feito, não? Talvez não seja bem assim.

Com minha declarada orientação Freudo-Marxista não posso deixar de dizer que caímos em nossa própria armadilha, e estruturalmente é fácil de se entender tal fenômeno: O valor de uso foi exuberantemente ultrapassado pelo fetichismo das mercadorias. Os reflexos de tal fenômeno são tão nítidos quanto os projetados pelos espelhos instalados nos banheiros do shopping Iguatemi. A mercadoria não está aí a nosso serviço, e nem tem a menor pretensão de voltar ao status de ferramenta do humano.

Geramos através de nossa ideologia racional e tecnológica uma nova, mas não inédita era, a era da servidão moderna ( e não pós moderna ). Nos tornamos servos de nossos aparelhos, trabalhamos em dobro visando adquirir aparelhos que propositalmente não são capazes de suprir a demanda que eles mesmos nos criaram. O micro ondas, por exemplo, nos possibilita esquentar mais rápido o alimento, de forma que possamos trabalhar em dois empregos e ter mais renda, para que possamos comprar novos modelos de micro ondas.

“O sistema dominante fez do trabalho seu principal valor, e os escravos devem trabalhar mais e mais para pagar à crédito sua vida miserável. Eles estão esgotados de tanto trabalhar… passam toda sua vida realizando uma atividade extenuante e insidiosa que é proveitos apenas para alguns”

Em relação a esta nova forma de servidão, não há nada de tão novo, ou de tão fluído ou de tão pós ( moderno). A análise é praticável se valendo de textos como O capital de Marx (1867) que há mais de cem anos nos alerta dos perigos das novas formas de classificação da mercadoria. Porém por mais realista e contemporânea que a teoria marxista seja, não se tinham subsídios suficientes para notar que a mercadoria humana seria submissa aos demais tipos. Talvez a auto exclusão não seja a melhor opção de oposição a este novo tipo de servidão, mas uma simples postura reflexiva considerando a soberania do ser humano em relação às demais mercadorias, uma vez que nossa posição de mercadoria já está bem consolidada. Não podemos permitir que as demandas de nossa vida sejam controladas pelo mercado, devemos sim exigir esclarecidamente que o mercado passe a ocupar o seu lugar, como servo manso e subserviente em relação às nossas necessidades, que sinceramente nem são tantas assim.

“é o medo que nos fez escravos e que nos mantêm nesta condição. Baixamos a cabeça frente aos donos do mundo, aceitamos esta vida de humilhação e de miséria somente por medo”

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Referencias:
wikipédia
circulaaliprimera.blogspot
youdelaservitudemoderne.org
Acesso em 05/04/2014.