Coordenador do NEPE, PIBID de Geografia -FBJ, CoordenadorMestre e Doutor (Phd) em Geografia - UFPE

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Doutor em Geografia (stricto sensu) - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2012); Mestre em Gestão e Politicas Ambientais (stricto sensu) - UFPE (2009); Especialista em Ensino Superior de Geografia (lato Sensu) - Universidade de Pernambuco - UPE (1998); Licenciatura Plena em Geografia - Centro de Ensino Superior de Arcoverde - CESA (1985);   Coordenador do PIBID - Geografia Professor; Orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCC, na Graduação e Pós-Graduação (Latu Sensu).

quinta-feira, 12 de junho de 2014

CONSIDERAÇÕES SOBRE A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL DO RIACHO DO MEL DE ARCOVERDE - PE

CONSIDERAÇÕES SOBRE A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL DO RIACHO DO MEL DE ARCOVERDE - PE

Autor: Dr. Natalicio de Melo Rodrigues, 2014.







Figura 1: Rio Moxoto recebe águas do Riacho do Mel de Arcoverde. A foto acima mostra sua condição hidrográfica perene algo que ocorre somente sazonalmente em épocas de cheias provenientes de chuvas. Autor: Natalício de Melo Rodrigues, 2010


Localização

As bacias hidrográficas de Pernambuco se dividem em 13 bacias, essas se dividem em dois grandes receptores que são: BI – Pequenas Bacias de Rios Interiores em que os rios da região sertaneja drenam para o Rio São Francisco, e as bacias denominadas BL-pequenas Bacias Litorâneas em que os rios da zona da mata drenam diretamente para o Oceano Atlântico.

Riacho do Mel por sua localização, insere dentro da rede de rios que compõe a drenagem receptora BI- 8 Bacia do Rio Moxotó, esses rios por sua drenam para o Rio São Francisco e desde chega ao oceano Atlântico. A bacia do Moxotó por suas dimensões faz fronteira naturais com os divisores de água que separam ao norte geográfico do Estado da Paraíba, ao Sul o Estado de Alagoas, a oeste e com os divisores de água da bacia do Ipanema de nº 7,  e a Oeste os divisores de águas da bacia do Rio Pajeú de nº8.


Figura 2:  Na figura ver-se que o tom de cor da água denota apenas presença de sedimentos carreados de encostas nesse ponto a poluição é quase zero embora haja muitas partículas de solo . Em segundo plano e acima da copa da arvore é possível observar ao fundo parte das encostas da  "Serra da Microndas" uma das principais vertentes de fluxos hídrico do riacho do Mel que cruza o centro de Arcoverde vindo a receber os poluentes residenciais. Fonte: Natalício Rodrigues.2014


Aspectos físicos e pluviométricos do Riacho do Mel

Cantado por Paulino Leite o Tonino Arcoverde, o riacho do Mel nasce em Arcoverde, entre as vertentes das Serras do Coqueiro e da Caiçara ao Norte, e Serras de Santa Cruz a Sul a afluente da margem esquerda do rio Moxotó possui uma extensão aproximada de 20 km, percorre o eixo urbano de Arcoverde no sentido Vila da COHAB  I em direção ao município de Cruzeiro do Nordeste atual Central do Brasil, nesse trajeto sinuoso entre leito rochoso, é captado em parte pelo açude do Xilili, desse se direciona ao Rio Moxóto rio onde se torna um pequeno e esporádico afluente constituindo uma micro bacia praticamente ocupada pelo plano urbano.

É um riacho de regime de caráter intermitente no diz a respeito de fluxo fluvial e das parcas precipitações pluviométricas, só para se ter uma ideia as precipitações em Arcoverde são da ordem 538 mm, muito baixo quando se compra a Buíque que é de 1.496 mm. Essa condição pluviométrica de pouca chuva é por sempre concentradas sazonalmente e quase sempre ocorrem entre durante as estações chuvosas, que ocorre no inverno nos meses de junho e julho, e no verão em março, e nessas épocas que a quantidade de água aumenta em sua rede de drenagem, condição que se aplica ao seu afluente riacho Zumbi. Entretanto, durante os períodos de estiagem que vai do mês de agosto até fevereiro o riacho seca desde sua nascente.

 Assim devido a condição de intermitência fluvial, seu curso de água só é visível durante as enxurradas de inverno ou nas chuvas de março (quando o ano não é seco), entretanto um pesquisador desavisado pode vir a pensar que o riacho do Mel é perene, uma vez que o mesmo sempre tem água nas suas calhas de captação, porém na verdade a enganadora condição perene é resultado de lançamento de aguas usadas e poluídas nas residências que chegam ao riacho.

Seu leito e sobre diversas e superpostas camadas em rochas do tipo cristalinas e metamórficas em idade geológica que vai do pré-cambrianas antigas até as coberturas mais recentes e quaternário e antropogênica lançada pelo homem leia-se aqui o lixo.   O setor mais rochoso do riacho do Mel são os que se encontram localizados em suas áreas de nascentes e no médio curso, podendo ser observados nas proximidades do açude do Chilili. Mas, por ser um trecho de rio com razoável inclinação, as enchentes levam os fragmentos de rocha para outros locais. O desnudamento o leito acaba por expor os granitos, gnaisses e magmáticos descobertos como as que se se observou nas imediações do açude do chilili.


Dadas a condições de dureza do seu leito rochoso e sua resistência há pouco intemperismo químico e sua erosão fica sob controle da camada rochosa impedido desacelerando um aprofundamento de sua calha no sentido vertical, impedido maior coleta de água verticalmente. A sua erosão lateral hoje não ocorre porque a ocupações urbano freia o processo e seu consequente alargamento de margens.

Os problemas ambientais no Riacho do mel e suas consequências
As degradações ambientais no Riacho do Mel ocorrem em quatro condições:
·         Nas nascentes e divisores de águas representadas pelas “Serras de Santa Rita” “Serrote” etc, no seu entorno;
·         Ao longo do seu curso pela ocupação de seus terraços;
·         Lançamentos de esgotos e lixo sem tratamentos; ”.

Nas nascentes a degradação encontra-se associada à inserção das torres de transmissão, desmatamento para retirada de lenha, práticas agrárias e ocupações por loteamentos. Quanto a redes de transmissão o dano ambiental é aparentemente reduzido a uma escala estética. O desmatamento é mais significante, e estão associados a práticas agrícolas e redução de área para expansão de loteamentos. Esses impactos ambientais podem ser classificados das seguintes formas de degradação: aceleramento dos processos erosivos nas encostas; danos à fauna flora, liberação de grande quantidade de sedimentos ampliando a área de assoreamento da calha do rio e dos canais urbanos.
O que torna a prática agrícola nessas vertentes desaconselhável é justificado por razões geomorfológicas e ambientais. A primeira justificativa, e que essa área se encontra sob permanente erosão natural, onde à declividade e gravidade atuam conjuntamente. Desse modo, faz com que as partes superficiais do parco solo existente, se direcionem naturalmente em movidos lentos para as encostas. Durante os períodos de chuvas essa ação se agrava, sendo por isso mais notada.



 Figura 3 : Observa-se que a ocupação urbana avançou em direção as escarpas dos recortes residuais do Planalto da Borborema, ocupando as encosta da Serra da Santa Rita e aumentando o fluxo de drenagem superficial do riacho do Mel. A impermeabilização por pavimentação urbana aumenta tem sido apontado como principal responsável pelo aumento de carga hídrica no centro urbano e consequentemente cheias nas imediações do Largo 13 de Maio e avenida Cel. Antonio Japiassu. Fonte: Natalicio de Melo 2014.   


Quando essas áreas são submetidas a um desmatamento para á prática da agricultura, por exemplo, o que ocorre é um aceleramento desses processos. A chuva ao se precipitarem nas clareiras sem a vegetação aberta pela agricultura, se choca com o solo desagregado, que com auxilio da gravidade e a declividade, provoca o arrasto da escassa camada de solo para as áreas mais baixas direcionadas ao talvegue do riacho do Mel. Essa ação repetida vezes vai tornando o solo cada desse local cada vez mais infértil e impróprio para a agricultura.

Embora a vegetação presente nessas encostas apresente aspecto verde e tramita a ideia de fertilidade e solo abundante, nada mais é, que apenas uma adaptação natural da “Caatinga” típica do Nordeste, ao um litossolo escasso, de pouca chuva e pedregoso. Assim a ilusão de uma boa produção agrícola nessa local ocorre apenas no início, enquanto parte do solo ainda permanecer “estável”.
Quanto ao aspecto ambiental, o primeiro dano ocorre com a queimada. Essa prática primitiva que antecede o preparo do solo para á prática agrícola de pequeno porte como é caso nas vertentes das Serras de Santa Rita, por si já é um problema. Estudos apontam que tecnicamente tem sido a responsável pela aceleração dos processos erosivos, matam a fauna endopedônica, que proporcionam maior aeração aos solos, além é claro, de produzir matéria orgânica.

Ocupação dos Terraços

Em quase todo seu percurso o riacho só Mel sua drenagem se dar sobre plano urbano onde seus terraços estão ocupados por calçadas ou quintais de casas e blocos comerciais. Essa ocupação sobre os antigos terraços e margens do impermeabiliza o solo, não permitindo que as águas de chuvas e do transbordamento do rio penetre m no solo recarregando o lençol freático e diminuindo o fluxo de água na superfície, assim permitindo que a quantidade de fluxo de água superficial aumenta sucessivamente provocando inundações.

Esse processo de ocupação urbana sobre as margens do rio e construção de canal resulta em graves alagamentos, pior é irreversível. As consequências da permanência dessa pratica já são conhecidas: alagamentos. O rio evolui erosivamente de duas formas, para baixo ampliando o leito e para os lados para controlar o lançamento de sedimento e liberação de energia, dessa forma alargando-o e aprofundando-o consequentemente captando mais aguas em suas calhas. Na atual condição de ocupação a solução é mante as calhas do canal livre de lançamentos de lixo, não resolver mais ameniza e desobstrui um pouco a drenagem. 

E importante também que a sociedade cultive o bom habito de não lançar lixo nas ruas, condição requer educação da população para não lançar lixo nas ruas, sempre sabendo que não existe essa de jogar lixo fora, porque não lugar fora do Planeta. O lixo lançado na rua drena para os córregos urbanos ou esgotos, daí para o rio e do rio para os oceanos.

Todo rio tem em seu curso uma área larga para onde drena a energia cinética gerada pela declividade do seu curso e combinação com a força da gravidade. Em Arcoverde o Riacho do Mel tinha como área uma lagoa onde hoje se situa o SESC, O Estádio Souto Maior hoje ocupadas.

Figura 5; Antiga lagoa do Riacho do Mel área de antigos currais de gado foram ocupados pelo processo urbano que avançou sobre área antes de alagamento. Fonte; Google.com.2017.  

Quando ocorreu a grande cheia de 74 toda essa área ficou alagada chegando a entrar água nas casas que ficam de frente para a Praça da Bandeira e fundos para o atual SESC. Naquela ocasião o muro do estádio Souto Maior chegou a ruir e as águas cobriram todas as pontes de Arcoverde. Naquele ano um Grande Circo russo Vostok estava em Arcoverde, os elefantes ficaram enfurecidos pelo cheiro da água e foram encontrados nas piscinas da Pça da Bandeira. No largo 13 maio entrou água em as casa, hotéis e pontos comercias. A Avenida Coronel Antonio japiassu ficou cheia de aguas e sedimentos. No bairro São Geraldo próximos as serras divisoras de água do Riacho do Melo as enxurradas derrubaram diversas casas.  Naquele  cheia ficou um recado hoje esquecido: um rio um dia retoma seu curso.


Lançamento de esgotos - Aparentemente que visita Arcoverde fica a pensar que o riacho do Mel seja de fato um rio perene, porém esse fenômeno tem uma explicação, na verdade essa aparente condição fluvial “perene”, deve-se à rede de drenagem de esgotamento sanitário residencial, industrial, etc., que é lançada diretamente sem tratamento na calha do riacho que percorre toda a área urbana central no sentido Leste-Oeste de Arcoverde.

Essa perenidade advém na verdade de águas lançadas na rede de saneamento pela Companhia de Águas do Estado de Pernambuco – COMPESA. Captada em uma estação de tratamento no sopé da Serra de Santa Rita a 806 metros de altitude, com capacidade de tratar cerca de 725,00 m3 de água por hora, opera com uma vazão controlada em função da disponibilidade dos mananciais. Tudo leva a crer e em conformidade com dados disponíveis o volume total de água lançada na rede doméstica por dia gira entorna de 17.349 metros cúbicos de água por dia quando em fluxo normal sem racionamento.

Os parcos recursos hídricos que alimentam esse fluxo de água têm origem na rede de saneamento urbana. Segundo a Cia de Água de Pernambuco - COMPESA, esse recurso hídrico é oriundo principalmente do açude do Riacho do Pau e dos Poços da Bacia do Furtuoso. A fonte maior a barragem está localizado no município de Pedra (PE) em quanto que outra parte dessas águas provém de poços do Sitio Furtuoso, localizado na Bacia Sedimentar do Jatobá no município do Ibimirim - PE.



Figura 5: Observa-se o paredão de contenção de água do açude Riacho do Pau situado no municio da Pedra-PE em condições criticas de armazenamento. A esquerda é possível observar  o aferidor de nível, em dois tom de cores, a branca elucida o limite máximo, a marrom o ponto máximo de retenção registrado na época das cheias. Fonte; Arcoverdereporter disponível do Google 2014.

A extensão do riacho submetida à poluição mais significativa gira em torno de 12 km de extensão, e se limita praticamente à zona urbana de Arcoverde. A primeira descarga de poluentes sem tratamento lançada no riacho ocorre na altura da COHAB I. Embora exista uma Estação de Tratamento da Água (ETA) os resíduos são despejados diretamente no Riacho do Mel. Desse ponto em diante os lançamentos de resíduos generalizam-se e passa a ser algo comum e sem controle, recebendo detrito das áreas residenciais dos bairros: Boa vista, São Geraldo, Centro, São Miguel entre outros.


Figura 6: Serviço de limpeza e dragagem  no leito rochoso do riacho do Mel. Nota-se que a quantidade de sedimentos tem diminuído, de outro modo a máquina afundaria se o leito fosse lamoso e com grande quantidade de sedimentos, quanto maior for o grau de pavimentação urbana menor é capacidade de carga do leito do rio ou riacho como e esse caso. Fonte: Google.2014.

Segundo Mota (1997, p.119), um dos principais problemas resultantes do lançamento de esgoto nos corpos de água é a matéria orgânica presente na água percolada. Ao se lançar matéria orgânica em um manancial de água, inicia-se uma grande proliferação de bactérias aeróbias, que ao efetuarem a decomposição da matéria orgânica utilizam grande quantidade de oxigênio. O ponto inicial de contato entre o riacho e a matéria orgânica poluente é denominado Zona de Degradação (MOTA, 1997,121). Nesse caso especifico de Arcoverde, maior parte dos detritos é oriunda das descargas dos esgotos residenciais.

Nessas áreas onde se concentram as descargas da matéria orgânica, a água apresenta um aspecto escuro, sujo, presença de sedimentos de material sólido, proliferação de barata e ratos, é uma demanda bioquímica de oxigênio (DBO) em valores bastante elevados. Aos poucos na medida em que se distancia do perímetro urbano em direção a as áreas rurais o riacho começa a apresentar sinais de recuperação. Segundo Mota (1997, p.118) “todo corpo d’água tem condições de receber e depurar, através de mecanismos naturais, certa quantidade de matéria orgânica”. Esse setor onde se inicia a recuperação natural do riacho denomina-se tecnicamente na Engenharia Ambiental de Zona de Recuperação Ativa.

No Riacho do Mel, esse processo natural de autodepuração dar-se inicia na altura do Sitio Engole Cobra distante cerca de 9 km de nascente. As águas nesse setor apresentam-se mais translúcida, e há um significativo aumento da oferta de oxigênio dissolvido, ocorre queda na DBO, e uma diminuição bastante significativa de bactérias aeróbias (MOTA, 1997,120). Na altura do açude do Xilili, o Riacho do Mel deixa de percorrer a Zona de Amortecimento e entra nos limites oficiais do Parque Nacional do Catimbau. Nesse setor o riacho entra atinge às condições normais ou Zona de Águas Limpas. Mota (1996, p.119), afirma que nesse ponto as bactérias decrescem, o DBO torna-se insignificante, e o oxigênio aumenta de forma significativa, peixes, e outros organismos se proliferam abundantemente. Entretanto vale esclarecer que esse fenômeno de autodepuração das águas pode variar pode variar de um rio para outro.


BIBLIOGRAFIA
 LEINZ, V.; AMARAL, S.E. 1980.  Geologia Geral. 80  Ed. Cia Ed. Nacional. São Paulo.  397p.
POPP, J.H. 1987. -  Geologia geral. Livros Técnicos e Científicos, Rio de Janeiro/São Paulo.  299p.
 TEIXEIRA, W; TOLEDO, M.C..M. de; FAIRCHILD, T.R. & TAIOLI, F.  2000 – Decifrando a Terra. Oficina de Textos, São Paulo, 558p.
MOTA, Suetônio. Introdução à Engenharia Ambiental. 3a ed. Rio de Janeiro: ABES, 2003. 416p.
 JATOBÁ, L.; LINS,R,C. Introdução a Geomorfologia, Bagaço, Recife. 2010.
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