Coordenador do NEPE, PIBID de Geografia -FBJ, CoordenadorMestre e Doutor (Phd) em Geografia - UFPE

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Doutor em Geografia (stricto sensu) - Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (2012); Mestre em Gestão e Politicas Ambientais (stricto sensu) - UFPE (2009); Especialista em Ensino Superior de Geografia (lato Sensu) - Universidade de Pernambuco - UPE (1998); Licenciatura Plena em Geografia - Centro de Ensino Superior de Arcoverde - CESA (1985);   Coordenador do PIBID - Geografia Professor; Orientador de Trabalhos de Conclusão de Curso - TCC, na Graduação e Pós-Graduação (Latu Sensu).

quarta-feira, 12 de abril de 2017

CLAUDE RAFFESTIN


POR UMA GEOGRAFIA DO PODER.


A geografia política é um ramo de geografia humana de ordem nomotética que tem como objeto de  estudo da interação entre a política e o território, nomeadamente no que diz respeito à administração.

A geografia política moderna reflete as características políticas frente aos aspectos sócio-econômicos no âmbito local, regional, nacional e internacional. Os estudos desta área avaliam diversos fatores que determinaram uma situação já estabelecida como, por exemplo, as características demográficas frente ao desenvolvimento de um ramo da economia.

Este ramo da geografia surgiu na obra "Politische Geographie" (Geografia Política, em português), do geógrafo alemão Friedrich Ratzel (1844-1904), publicada em 1897. Nessa obra, Ratzel concebe o Estado como um organismo territorial, mas seu objetivo não é explicar essa instituição por meio de uma metáfora com o desenvolvimento dos seres vivos, e sim como referência ao seu papel de articular o povo ao solo por meio de políticas territoriais. Portanto, Ratzel entendia o Estado como organismo no sentido que o pensamento romântico dava a essa noção, ou seja, como um "todo" constituído por elementos naturais e humanos indissociáveis. A função primordial do Estado, razão de sua própria existência, era mobilizar os indivíduos para a realização de um objetivo comum, qual seja, a defesa e organização do território. Contudo, numa edição posterior desse livro, Ratzel concluiu que a comparação do Estado com um organismo não era produtiva. O livro  Por Uma Geografia do Poder de autoria de Claude Raffestin tem como centro essa temática situada no âmbito da Geografia Politica.  

Claude Raffestin (15/09/1936) nasceu em Paris na França é Geógrafo, professor de Geografia Humana na University of Geneva ( French: Université de Genèv e) na Suiça, 

Fonte:Google.com.20017.


Claude Rafestin foi professor entre 1960 e 1968, em várias escolas secundárias no cantão de Genebra, para ganhar a vida. Entre 1961 e 1962, iniciou estudos visando preparar uma tese de doutorado. Quando eu fui nomeado professor em Genebra em 1968 lhe atribuíram a disciplina de geografia histórica e de geografia política, condição que mais levaria a escrever a obra pela qual o autor veio  a ficar conhecido como uma clássico da geografia politica.

Claude Raffestin por sua publicação de Por uma Geografia do Poder, veio a tornar-se um dos geógrafos europeus mais conhecidos no Brasil. Por uma Geografia do Poder é ainda hoje um dos seus trabalhos mais referenciados pelos geógrafos do Brasil, principalmente que se ocupam da problemática ratzeliana que envolve as relações entre poder e território.

Baseado nas concepções de Foucault sobre o poder, Raffestin tornou-se celebre por escrever essa importantes obras. Por Uma Geografia do Poder" originalmente denominada em francês Pour une géographie du pouvoir, publicado pela Librairies techniques, 1980. Na Italia teve a denominação Per una geografia del potere, 1983; e em Portugues: Por uma geografia do poder, 1993).

Esse livro tem sido fundamental para se compreender as relações de Poder dentro da visão critica da Geografia, assim como para se compreender o conceito "Território". Raffestin Considera as relações de poder que formam o "Território" e a população aparece como o próprio fundamento do poder, e assim rompe com a geografia política clássica.

Por se tratar de um com conceito chave da geografia é de fundamental importância sua leitura. Roberto Lobato Corrêa lembra bem a importância dos conceitos chaves em geografia inclusive o de território. Em seu livro Geografia Conceito e Temas afirmou: “Como ciência a geografia tem como objetivo de estudo a sociedade que no entanto, é objetivada via cinco conceitos chaves que guardam entre si forte grau de parentesco, pois todos se ferem a ação humana modelando a superfície terrestre: paisagem, região, espaço, lugar e território”( CORRÊA, R.L, 2000, pag.16).

Todavia por ser um conceito é preciso ater-se as advertências de SAQUET (2007) quando afirma: “Todo conceito tem uma história, seus elementos e metamorfoses; tem interações entre seus componentes e com outros conceitos; tem um caráter processual e relacional num único movimento do pensamento, com superações; as mudanças significam, ao mesmo tempo, continuidades, ou seja, dês-continuidades (descontinuidade-continuidade-descontinuidade), num único movimento; o novo contém pois o velho e este, aquele” (SAQUET, 2007, p.13).

Recomendo a leitura desse livro por ser de fundamental importância na formação de geógrafos pesquisadores e de dos que pleiteiam adquirir licenciatura em geografia. Um livro que quando do seu lançamento foi fundamental porque veio preencher uma lacuna nos discursos da geografia brasileira sobre o tema território. 

Don Manuel Osorio de Zuniga - Goya (1746-1828).

O SIGNIFICADO DA CAPA

O significado da capa é descrito pelo próprio autor nas páginas introdutórias, afirma o autor: Ao escrever isso nos vem a à memória um quadro de Goya que, para além do que representa, expressa com incrível precisão o complexo emaranhado da trama que as relações de poder tecem nos espetáculos mais insignificantes. Pensamos neste Don Manuel Osorio de de Zuniga, que coloca em cena uma criança e seus brinquedos "vivos". A criança vestida de vermelho, o ator por excelência, e também os animais dispostos aos seus pés, à direita, à esquerda e a frente, compõem o significado do espaço do quadro. O significado do espaço também é dado pelas relações mantidas pelos elementos desta composição. 

A obra de Goya (1746-1828) é uma fascinante metáfora pictural de sistema de poder. Sem duvida a criança domina por sua presença realçada pelo vermelho, mas só domina porque todas as relações passadas, presentes e futuras passam por ela. É ela que quem segura o cordão que prende o pássaro colocado à sua frente, cujo os movimentos potenciais são determinados pela maior ou menor liberdade que a criança lhe proporcionará. Á direita dela, três gatos, cuja cabeças ocupam os vértices de um triângulo imaginário, têm o olhar voltado para o pássaro, no qual vêem um trunfo para a violência deles. Violência contida, prestes a se manifestar, mas que a presença da criança impede.Prova disso é a falta de medo do pássaro, que se esforça em levantar uma carta com o bico.

Do lado esquerdo da criança, uma gaiola contendo outros pássaros menores expressa o caráter de prisão em segundo plano, do espaço construído. Todos esses animais são trunfos para a criança que os controlam e com eles matem relações de poder. contudo, bastaria que cessasse a convenção - que mantém os gatos em repousa - para que a cena se animasse e se revertesse em drama. A criança também é o trunfo destes animais; é tanto prisão como garantia; ela faz pesar sobre eles a ambigüidade de sua vontade. É a medida da incerteza e a parte do acaso, para eles e para si. É portanto , a representação de um equilíbrio entre uma infinidade de desequilíbrios brios possíveis que podemos imaginar, mas não verificar. as relações de poder se escrevem numa cinemática complexa. (RAFFESTIN, 1993, p. 6-7).

SOBRE O PERSONAGEM DA CAPA

Vicente Joaquín Osório de Moscoso e Guzmán Fernández de Córdoba (1756-1816), Conde de Altamira, contrataram Goya para vários retratos de família. Altamira detinha muitos títulos e era também diretor do Banco de San Carlos. Em 1786, após pintar vários retratos da corte, Goya foi nomeado pintor a Charles III. Esta pintura, de 1787-88, é de seu filho mais novo, Manuel, que nasceu em abril de 1784 e morreu aos oito anos em 12 de junho de 1792 (wikipédia.org). 

Don Manuel Osorio de Zunga, foi filho do conde e condessa de Altamira, aprece na capa equipado com um esplêndido traje vermelho, ele é mostrado brincando com uma pega de estimação (que segura o cartão de visita do pintor no bico), a gaiola cheia de tentilhões e três gatos de olhos arregalados. Na arte cristã os pássaros simbolizam frequentemente a alma, e na arte barroco os pássaros enjaulados são simbólicos da inocência. Goya pode ter pretendido este retrato como uma ilustração das frágeis fronteiras que separam a criança das forças do mal ou um comentário sobre a natureza passageira da inocência e da juventude.

DADOS DA PINTURA

Artist  Francisco Goya (1746-1828).
Ano/Year 1787–88
Medium Oil on canvas
Dimensions 127 cm × 101.6 cm (50 in × 40.0 in)
Location Metropolitan Museum of Art

Fontes:
  • CORREA.L.R. Espaço, um conceito–chave da geografia. In: CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa. Geografia: conceitos e temas. – 6ª ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p. 77 – 116. 
  • Rafestin, C. (1993). Por uma Geografa do Poder. São Paulo: Ática. 
  • Saquet, M. A. (2007). Abordagens e concepções sobre território. São Paulo. 
  • Wikípédia.org.
  • Luis Lopes Diniz Filho. Fundamentos epistemológicos da geografia. 1. ed. Curitiba: IBPEX, 2009 (Metodologia do Ensino de História e Geografia, 6), p. 67-68
  • Entrevista com o Pr. DR. CLAUDE RAFFESTIN na Universidade de GENEBRA Entrevistador: Marcos Aurélio Saquet.
Disponível para leitura online:
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