POTENCIALIDADES TURÍSTICAS E RISCOS AMBIENTAIS
NO
PARQUE NACIONAL DO CATIMBAU *[1,2,3]
*Autor: Natalício de Melo Rodrigues; Orientadores: Fernando de Oliveira Mota Filho; Eugênia C. Pereira.
No Brasil o estabelecimento
de unidades de conservação
iniciou-se no século XIX prolongando-se até os dias atuais. Por isso, os critérios
que justificavam sua
formação também sofreram alterações. Inicialmente os objetivos
que nortearam a criação
dos primeiros parques
nacionais encontravam-se relacionados
aos aspectos cênicos,
uma influência clara
do modelo americano. Com isso,
buscaram-se como critérios
de seleção, a escolha
de paisagens de grande
beleza natural,
como por
exemplo, formações
rochosas, canyons e cascatas (RUNTE, 1979 apud MORSELLO, 2001).
Os parques norte-americanos
e brasileiros foram marcados por semelhanças
e diferenças. As primeiras se dão no que diz respeito
às motivações iniciais de suas criações, em geral, baseadas em
aspectos cênicos.
Porém, havia diferenças
no tipo de localização
geográfica e na política
de manejo. Enquanto
nos Estados
Unidos os primeiros parques
foram criados em
lugares remotos
no Brasil, Parques Nacionais
equivalentes eram localizados em áreas
urbanizadas próximas das capitais
(DRUMMOND, 1988 apud
MORSELLO, 2001, p.153). Quanto ao manejo havia drásticas diferenças:
os parques norte-americanos não
permitiam a presença do homem; no Brasil, ao contrário, a presença humana é permitida e condicionada às ações de manejo
sustentável.
Com a popularização do
ecoturismo, milhares de pessoas procuram ambientes naturais para desenvolver
atividades de lazer, como diferencial da rotina diária implementada nos grandes
centros urbanos. Nesse sentido os parques nacionais passam a ser centro de
atração para caminhadas, trakking,
rapel, dentre outras atividades desportivas ligadas à natureza. Assim,
atividades turísticas quando bem planejadas, podem se tornar importante fonte
de receita para os moradores dos municípios envolvidos diretamente com o Parque.
No entanto, quando mal planejadas, podem prejudicar a atividade do turismo
local.
Sabe-se que os Parques Nacionais
são áreas do território nacional, delimitadas e protegidas sob jurisdição do
governo federal, que apresentam elevados atributos naturais de importância
nacional, tendo como objetivo preservá-los e conservá-los para fins
científicos, educativos, ou como patrimônios culturais e naturais da nação,
contanto que mantenham ao máximo seu estado natural. Por isso, dentro dos
Parques Nacionais é proibida qualquer forma de exploração dos recursos
naturais.
Em contrapartida, algumas atividades são
permitidas nessas áreas, desde que associadas à preservação.
É o caso do ecoturismo. Esta atividade é considerada positiva
porque agrega valores
econômicos à economia
local. É necessário
preservar o ambiente,
uma vez que
uma atividade econômica
só pode ser sustentável se seus recursos são conservados. No entanto, por
serem Parques Nacionais
abertos à visitação, devem possuir atração significativa para o público, oferecendo oportunidade
de recreação, educação ambiental,
pesquisas, estudos e, principalmente, infra-estrutura, algo
que nem
sempre ocorre.
O Parque Nacional do Catimbau foi criado
pelo Decreto Lei 4.340 de 22/08/02 em conformidade com a Lei 9.985 (Lei SNUC), que
define no seu art. 11º: os parques “tem como objetivo básico à preservação
de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica,
possibilitando a realização de pesquisa científica e o desenvolvimento de
atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a
natureza e de turismo ecológico” (SANTOS,
2003).
Mesmo sendo uma Unidade
de Conservação de Proteção
Integral, é ilusório
pensar, que, pelo fato de se transformar determinada
área em
Parque Nacional,
que inclui espaços de domínio público,
áreas particulares
não desapropriadas, entre outras
categorias, fique imune aos problemas causados por
atividades antrópicas. Neste sentido, o Parque Nacional
do Catimbau constitui um exemplo do que
vem ocorrendo na maioria dos parques brasileiros. Portanto, não
foge à regra quanto
à deficiência administrativa
e existência de problemas
ambientais. Assim, quando
a lei é ignorada, nem
sempre os parques
podem funcionar de fato como “ilhas”, onde teoricamente estariam ausentes
os efeitos dos impactos ambientais.
Em virtude dos problemas existentes e dos recursos
naturais exuberantes, a criação do Parque Nacional do Catimbau foi justificada
por constituir-se de paisagem com riqueza de biodiversidade ímpar. Essa região
do Catimbau, por suas características, foi considerada “Área de Extrema Importância Biológica”,
pelos grupos temáticos do workshop realizado em Petrolina – PE, em
dezembro de 2000. Essa avaliação foi fundamental para implementação de ações
prioritárias de conservação e utilização sustentável da biodiversidade do bioma
caatinga. Os motivos justificados para enquadrar essa Unidade de Conservação
(UC) na categoria “parque” foram os seguintes; a) do ponto de vista geológico, pois
possui uma unidade representativa da geologia do estado de Pernambuco e possibilita
a realização de estudos no assunto voltados para a compreensão da evolução
geológica e estrutural; b) testemunhos de processos de erosão eólica e pluvial
que desenvolveram feições de diferentes tonalidades nos paredões, o que confere
a essa região aspectos de exuberância cênica; c) rica espeleologia oferecendo
condições para o espeleoturismo; d) diversidade de espécies da caatinga e de
estruturas, em função da variação do relevo e aspectos climáticos; e) a
ocorrência de numerosos sítios de pinturas e gravuras rupestres de grande
heterogeneidade (SNE, 2000).
Localiza-se entre as coordenadas geográficas 8º 24’ 00” e 8º 36’ 35” S e 37º 09’ 30” e 37º 14’40” WG, totalizando
uma superfície de 62.300
ha na forma de uma poligonal.
Sua área encontra-se distribuída entre os municípios de Buíque (12.438 ha.); Tupanatinga (23.540 ha) na
Microrregião do Vale do Ipanema, e Ibimirim (24.809 ha)
na Microrregião do Moxotó do Estado de Pernambuco (Figura 01).
Analisando essa divisão, observa-se
que Buíque é o município com menor parcela do
Parque. Entretanto, dentro
de uma perspectiva de acessibilidade
espacial, Buíque exerce a territorialidade porque é o município que melhor
acesso oferece, através da PE-270.
O turismo
no Catimbau ainda é recente. Embora o local possua grande
potencial de crescimento
dessa atividade, não
dispõe de uma infra-estrutura capaz de atender, de forma eficiente, o
turista. Entretanto, o IBAMA alega dificuldades de ordem
financeira para
cuidar adequadamente da Unidade. Por conta dos parcos recursos e falta de estrutura, o Parque Nacional do
Catimbau encontra-se oficialmente
fechado à visitação pública.
O principal guia de referência de
turismo sobre Parques no Brasil é o Guia Philips de Parques Nacionais do
Brasil, editado pela Revista Horizonte
Geográfico. De informações consideradas
confiáveis, vem sendo recomendado pelo IBAMA. Por
possuir grande credibilidade
perante o público, é atualizado a cada edição,
sendo por isso
o mais lembrando e oficialmente
recomendado para turistas brasileiros
e estrangeiros que
pretendem visitar os Parques Nacionais.
Figura 1: Localização do Parque Nacional
do Catimbau no estado de Pernambuco. Fonte: SNE (2000)
O Guia em sua última edição, publicada no ano de 2003, incluía o Parque Nacional
do Vale do Catimbau como
um dos 52 parques
oficiais do Brasil. Mas,
na agenda de serviços,
o parque aparece como
um parque
fechado, recomendando ao turista que se interessa em
visitá-lo, primeiramente entrar em contato com
o IBAMA. Isso significa dizer
que, embora
o parque tenha sido criado há quase seis
anos, ainda não se resolveram os problemas de oficialização das trilhas,
e não possui infra-estrutura mínima
para funcionar.
Em pesquisa
de campo buscou-se analisar
essa situação. Foi possível
mostrar que embora
o parque tenha sido criado
oficialmente no ano de 2000, ainda não há as
mínimas condições
de funcionamento, elucidando a informação do Guia Philips. Os problemas se estabelecem em
vários níveis como deficiência de transporte,
condições das estradas,
conservação de trilhas,
infra-estrutura hoteleira,
falta de funcionários treinados para recepção de
turistas, placas informativas, e problemas ambientais, dentro
e na zona de amortecimento do Parque.
A condição
de Parque fechado considerada pelo IBAMA pode significar perdas para o turismo ecológico de preservação.
Isto reflete em desperdício para
a população de uma oportunidade
única e rentável
que empregaria pessoas, movimentando o comércio local.
Em adição, não seria cumprido seu objetivo principal, o de promover o lazer
contemplativo e qualificado voltado a sensibilizar
as pessoas para
a necessidade de conservação
da diversidade biológica desse local.
O IBAMA afirma que
está buscando parcerias com a iniciativa
privada para fazê-lo funcionar plenamente.
Essa falta de infra-estrutura
dos locais, principalmente
de técnicos do IBAMA, tem permitido a ocorrência
de invasões, construção
de moradias irregulares,
atividades econômicas turísticas ilegais, degradação
de pinturas rupestres
e, até mesmo,
a degradação ambiental.
Potencialidades
espeleológicas do Parque Nacional do Catimbau
O Parque
do Catimbau possui um forte potencial para a atividade turística associada à espeleologia. Com cerca de 62 mil
hectares de paisagens
elaboradas em formação arenítica, abriga
sítios históricos,
cânions, cemitérios indígenas
pré-históricos, pinturas
rupestres, flora
de caatinga, além de um grande número de
cavernas e furnas.
O espeleoturismo no Catimbau é
promissor. Até o momento, apenas 4% das cavernas
foram cadastradas (SNE, 2000). É conhecida a possibilidade de ocorrer várias
outras, todas em rochas
areníticas, que não são tão extensas e ricas em espeleotemas como as cavernas
desenvolvidas em rochas carbonáticas. Ainda assim,
podem apresentar grandes
entradas, e amplos
corredores e salas
internas e, por vezes,
lagos de águas
cristalinas e fontes. Esses e outros fatores lhes conferem beleza e potencialidade turística. Um bom exemplo é a caverna
da Furna do Gato (figura 02a).
Há, entretanto,
alguns inconvenientes.
Em muitas dessas cavernas há presença de morcegos
e abelhas, o que
dificulta a prática do turismo,
embora sejam fundamentais
para o equilíbrio
do meio ambiente,
principalmente, por
exercerem na fauna o importante papel na disseminação de sementes
e polinização. Existem numerosos sítios de pinturas
e gravuras rupestres
localizados, principalmente, nos abrigos rochosos das serras
de arenito. Foram registradas, também, inúmeras pinturas
realizadas em épocas
pré-históricas, que apresentam uma grande heterogeneidade gráfica,
com características
que as identificam como
fazendo parte da classe
de registros rupestres
conhecidos como
Tradição Nordeste,
Tradição Agreste
e, outras classes ainda
não bem
definidas.
Foram cadastrados os seguintes sítios
arqueológicos que, no estado atual
das pesquisas, considera-se apenas um pequeno percentual,
dada à potencialidade
da área em
termos arqueológicos: 1. Mulungu, 2. Quixéu 3 Serra das Torres,
4 Alcobaça 5. Pedra da Concha,
6. Pedra
da Concha II, 7. Casa
de Farinha, 8. Serra
Branca, 9. Mirante
da Serrinha, 10. Frutuoso, 11. Frutuoso II, 12. Furna dos Letreiros, 13. Furna dos Caboclos, 14. Gruta
do Israel, 15. Sítio dos Meninos,
17. Letreiro do Prateado,
18. Sítio dos Macacos,
19. Serra das Andorinhas,
20. Serra do Catimbau, 21. Lajedo Bonito,
22. Serrinha, 23. Puiu, entre outros. Destes, apenas
alguns estão em condições
de receber turistas.
Muitos desses sítios arqueológicos
permaneceram intocados, principalmente porque são protegidos pela vegetação e o
difícil acesso. Entretanto, alguns se encontram hoje em iminente perigo de
destruição, pelo desmatamento e ação do turismo improvisado. Entretanto, sabe-se que, por falta de
conhecimento e visando um retorno imediato (lucro) tem-se promovido, sem nenhum
planejamento, a visitação a alguns destes sítios arqueológicos sem acompanhamento
de agentes credenciados do parque. Esta atividade não subordinada à direção
administrativa do Parque Nacional, junto com o IBAMA, pode causar danos
irreparáveis a esse importante patrimônio nacional.
Foi observado durante as visitas às
prefeituras de Ibimirim, Buíque e Tupanatinga que, em nenhum destes órgãos,
existem projetos que visem proteção e preservação desses ambientes, de belezas
naturais e patrimônio cultural da pré-história do povo nordestino. Seria importante que as prefeituras e
a sociedade estivessem envolvidas diretamente no projeto do parque, e todos
deviam ter a obrigação de desenvolver meios adequados de visitação e de
proteger um patrimônio natural e cultural ímpar no Nordeste brasileiro. Mesmo na condição
de oficialmente fechado (IBAMA, 2005), o
Parque Nacional do Catimbau, continua a funcionar
informalmente.
Condições ambientais na Vila
do Catimbau e Paraíso Selvagem
O acesso à Vila do Catimbau se
inicia em Buíque. O
turista que solicitar informações
sobre o funcionamento
do Parque para visitação ou
informação das potencialidades
turísticas, vão se surpreender com o desconhecimento
da população sobre o local. Outro problema que um
turista poderá enfrentar é encontrar um transporte que permita o acesso ao
Parque. Como não existe um transporte oficial, não
resta outra opção
a não ser alugar um táxi, ou transporte
de lotação. Neste último caso,
o transporte é muito
incerto e desconfortável.
A Vila do Catimbau (figura 02b) é oficialmente
o ponto oficial de chegada e de direcionamento para
os demais pontos de visitação do Parque Nacional do Catimbau. Nesse local
encontra-se um posto
de turismo mantido pela
Prefeitura Municipal do Buíque e
supervisionado pelo IBAMA (figura 02c). O turista deve se dirigir a esse posto para
receber um folder oficial que explica o
acesso aos principais pontos turísticos do Parque, por exemplo, Cânion e Serra das Torres,
Serrinha e, Pedra do Cachorro (figura 02d).
A Vila do Catimbau lembra uma
cidade histórica com ruas estreitas, uma
capela no centro e diversas casas enfileiradas. O saneamento
é deficiente, as ruas
são sujas, os esgotos
são a céu
aberto, e a única
praça existente encontra-se atualmente deteriorada. Entretanto, o parque vem
funcionando de forma improvisada. Por isso, é comum a presença esporádica de
ônibus e automóveis particulares que se dirigem a esses locais. Em geral
trata-se de estudantes ou, às vezes, moradores das cidades circunvizinhas que
usam o local como balneário de fins de semana. Mas nada que lembre um turismo
estruturado com a presença maciça de turistas, lojas de conveniências,
movimento de hotelaria e restaurantes movimentados.
Entre as recomendações do folder,
ressalta-se a visita ao Paraíso Selvagem, ao sítio Alcobaça e à gruta do Meu Rei. O que se observa quando se visitam esses
locais é que as condições ambientais e de infra-estrutura são inadequadas para
prática dessa atividade. As potencialidades oferecidas pela natureza são significativas,
mas o turismo nas condições atuais é inviável. Embora as opções de passeio sejam
recomendadas pelo posto do IBAMA, ao exame de algumas dessas trilhas,
percebe-se que é pouco provável que realmente os turistas possam ter disposição
para ir a esses locais, não por incompetência dos guias, mas pela falta de
estrutura de acesso aos locais. Desses pontos o de mais fácil acesso, e com uma
razoável estrutura, é o Paraíso Selvagem.
O acesso à serra das Torres, por exemplo, é um dos mais
difíceis. Primeiramente porque se faz necessário percorrer um bom trecho, cerca
de 5 km
de automóvel em estrada arenosa e de difícil acesso. Esse percurso inicial leva
a um local denominado Baixa Funda. A partir desse trecho só é possível o acesso
às torres em veículos pequenos. Por fim, o restante da trilha tem de ser feito
a pé e dura, em média, uma hora.
A serra das Torres possui cerca de 970 metros de altitude
(SUDENE, 1970). No alto dessas torres é possível observar diversas formações rochosas provocadas pela
erosão eólica
com inúmeros matizes. Uma dessas lembra um pássaro
pré-histórico (figura 02e). São também
visíveis alguns traços escavados nas rochas que lembram figuras
geométricas na forma de pinturas rupestres.
As trilhas da Pedra do Cachorro e da Igrejinha são os
pontos mais accessíveis ao turista. A pedra do Cachorro, por exemplo, pode ser
observada ao longo da estrada de terra que acessa a Vila do Catimbau. O Paraíso
Selvagem, por sua vez, é uma área particular que ainda não foi indenizada pelo
IBAMA, por isso o acesso é pago. A um custo de R$ 2,00 por pessoa torna-se
possível a visitação. Aliás, esse é um dos poucos acessos seguros com uso de
veículos, inclusive ônibus. Esse ponto funciona como uma espécie de balneário,
cercado por paredões de arenito com mais de 150 metros de altura nas cores
ocre, vermelha, amarela e laranja.
Entre as atrações destacam-se, por exemplo, esculturas
rochosas em arenito que lembram a pata de um cavalo. Outra formação se
assemelha a cabeça de um cachorro; e, um morro testemunho em forma de elefante.
Nesse local pode-se ainda tomar banho de bica em águas que jorram de fontes naturais,
ou em piscinas artificiais. Pode-se ainda visitar a pé a imensa caverna da Furna
do Gato (figura 02f)
Uma opção é escalar a Serra do Coqueiro com 914 metros de altitude.
Essa escalada permite acesso a importantes formações areníticas como, por exemplo,
a que tem forma de um soldado (figura 02g); e outra semelhante a uma águia (figura
02h). Além dessas atrações o turista, escalando a Serra de Jerusalém, tem uma visão
panorâmica de toda a parte sul do Parque Nacional do Catimbau. É possível ainda
ao visitante conhecer o museu de pedra e um considerável acervo particular de revistas
e fotos alusivas ao Parque.
Quanto aos problemas ambientais observam-se: alguns danos
às cavernas de arenito por escavação, alteração do piso das cavernas (figura 02f),
erosão do solo e voçorocas (figura 02e), construção de ocas que descaracterizam
a paisagem (figura 02j), dentre outros. Muito dessas alterações não decorre diretamente
de ação proposital do proprietário, mas devido à improvisação, sendo resultado
do turismo amador e sem orientação ao longo de mais de 20 anos, o que
representa a falta de cuidados do governo federal com o patrimônio histórico nacional.
Quanto às construções existentes no local, vale ressaltar
que estas antecedem a criação do Parque, e tinham como objetivo oferecer algum conforto
aos turistas que buscam visitá-lo. Aliás,
é ao turista amador a quem se têm atribuído as atividades pioneiras de
divulgação dos aspectos cênicos desse local, antes mesmo de ser criado
oficialmente o parque.
O parque de escultura natural José Bezerra
Outro importante local com potencialidade turística
localizada na vicinal do Catimbau encontra-se distante cerca de 10 km do
Paraíso Selvagem. Nesse o turista pode ver obras de arte em troncos retorcidos
de madeiras. A exposição dessas obras é a céu aberto, em um grande pátio. São peças
em formas diversas que lembram cabeças de humanos, pássaros, répteis e outros elementos
da natureza, além de imagens que lembram santos (figura 03).
A importância desse local foi divulgada pela imprensa e as
peças já foram expostas em eventos culturais no Centro de Convenções de
Pernambuco em Recife. Esse local também pode ser visitado virtualmente pelo site
www.pe-az.com.br/arte_cutura/zebezerra.htm.
Os dotes do artesão local não se resumem à produção de esculturas. O turista
pode ainda contar com canções que relatam os costumes, a vida do sertanejo
nordestino no campo, dentre outros temas da cultura regional.
Por fim é possível sugerir que o Parque Nacional do Catimbau enquadra-se
perfeitamente na categoria de Unidade de Conservação com potencial para o
turismo ecológico. No entanto, a falta de infra-estrutura para tal atividade, o
descumprimento da legislação que protege as UC s e planejamento adequado para
práticas turísticas dificultam o acesso de pessoas interessadas na visitação,
bem como o retorno financeiro que melhoraria as condições socioeconômicas dos
habitantes locais.
Figura
02: Aspectos do Parque Nacional do
Catimbau, Buíque – PE: (a) Furna do Gato no Balneário do Paraíso Selvagem; (b)
Vista da Vila do Catimbau; (c) Posto de
Turismo na Vila do Catimbau; (d) Paraíso Selvagem, com demonstração da Pedra do Cachorro; (e) Erosão eólica observada nas
rochas da Serra das Torres; (f) Furna do Gato. Seta indica alteração do piso;
(g) Pedra do Soldado
na Serra de Jerusalém; (h) Pedra da Águia
na Serra de Jerusalém; (i) Erosão dos
solos e voçorocas; (j) Construção de ocas na entrada do Paraíso Selvagem.
Fotos: Natalício Rodrigues (2004).
Figura
02: Aspectos do Parque Nacional do
Catimbau, Buíque – PE: (a) Furna do Gato no Balneário do Paraíso Selvagem; (b)
Vista da Vila do Catimbau; (c) Posto de
Turismo na Vila do Catimbau; (d) Paraíso Selvagem, com demonstração da Pedra do Cachorro; (e) Erosão eólica observada nas
rochas da Serra das Torres; (f) Furna do Gato. Seta indica alteração do piso;
(g) Pedra do Soldado
na Serra de Jerusalém; (h) Pedra da Águia
na Serra de Jerusalém; (i) Erosão dos
solos e voçorocas;(j) Construção de ocas na entrada do Paraíso Selvagem.
Fotos: Natalício Rodrigues (2004).
BIBLIOGRAFIA
GUIA PHILIPS. Parques Nacionais do
Brasil. São Paulo: Editora Horizonte Geográfico, 2003.
IBAMA. www.ibama.gov.com.br
Unidades de Conservação. 2005. Acesso
14/04/05
MORSELLO, C.. Áreas Protegidas - Seleção
e Manejo. São
Paulo: Annablume, 2001
SANTOS, Saint-Clair.H.
Direito Ambiental - Unidades de
Conservação, Limitações Administrativas. Curitiba: Juruá, 2003.
SNE - Sociedade
Nordestina de Ecologia. Projeto Técnico para a Criação do Parque
Nacional do Catimbau/PE – versão final, em cumprimento ao
Contrato n º 086-00/02, Subprojeto “Proposta
para Criação do Parque Nacional do Catimbau/PE”. 2002.
SUDENE.
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Ministério do Interior –
Departamento de Recursos Naturais – Divisão de Cartografia. Folha SC.24-X-A-
III.1970
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