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quarta-feira, 21 de maio de 2014

II.IMPACTOS DA SECA SOBRE A PRODUÇÃO AGRÍCOLA NO BREJO DE ALTITUDE: O CASO DA COMUNIDADE DO AMARO DO MUNICÍPIO DO BREJO DA MADRE DE DEUS - PE

BREJO DE ALTITUDE DO MUNICÍPIO DO BREJO DA MADRE DE DEUS - PE E A DEGRADAÇÃO DO SOLO - O CASO DA COMUNIDADE DO AMARO

PARTE II. Continuação.
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6.2 Características Geológica do Município de Brejo da Madre de Deus


Geologicamente, o corpo granítico do Batólito Brejo da Madre de Deus é parte integrante do Batólito Caruaru-Arcoverde, o maior corpo da associação cálcio-alcalina de alto potássio da Província Borborema, ocupando a porção centro-leste do mesmo e situado entre os municípios de Belo Jardim e Brejo da Madre de Deus (Melo, 2002). A extensão lateral leste do batólito corresponde ao complexo ígneo cálcioalcalino de alto potássio Fazenda Nova/Serra da Japecanga (Neves e Vouchez, 1995). As rochas encaixantes do batólito Brejo da Madre de Deus são, ao sul, biotita xistos granatíferos, paragnaisses e ortognaisses graníticos a granodioríticos, e, a norte, ortognaisses graníticos a dioríticos e migmatitos.

A trama magmática, segundo Melo (op. cit.), possui, na porção central, foliação com direção aproximadamente NE-SW e mergulho variando de moderados a fortes para SE ou NW. No restante do batólito, predominam direções EW-NS e mergulhos fracos. Ainda na porção central observam-se zonas de cisalhamento mesoscópicas (Z. C. Fazenda Nova) exibindo critérios cinemáticos sinistrais originada em estágio submagmático, mostrando uma evolução na deformação de fluxo viscoso a deformação no estado sólido.

6.3 Características Pedológica do Município de Brejo da Madre de Deus

Tomando-se como base a classificação utilizada pelo levantamento de baixa e média intensidade de solos do Estado de Pernambuco produzido pela EMBRAPA – Solos (2002), a área de estudo apresenta um mosaico se solos.


Mapa 04: Mapa pedológico do município de Brejo da Madre de Deus. No mapa encontram-se cinco tipos de solos: em tom verde claro está presente o solo Planossolo que está bem presente na região do extremo Norte e centro-leste; em tom de marrom escuro observa-se-se o solo Brunos não cálcicos presente em menor proporção no município; de cor marrom claro e salteados em pequenas manchas por boa parte do município está os solos Litólicos; de cor amarelo claro observa-se, em menor quantidade no município o solo denominado Regossolos e por fim em to, de cinza escuro, em maior proporção e presente em toda região brejeira está presente o solo Podzólico Vermelho Amarelo que na nova classificação de solos é o Argissolos. Fonte: Zoneamento Agroecológicode Pernambuco - ZAPE (Silva, et. al., 2001) Direitos reservados: Embrapa Solos, UEP Recife.

A área apresenta Patamares Compridos e Baixas Vertentes, onde o relevo é suave ondulado, com Planossolos mal drenados, fertilidade natural média e problemas com acúmulo de sais; Topos e Altas Vertentes com solos Brunos não Cálcicos, rasos e fertilidade natural alta; Topos e Altas Vertentes do relevo ondulado com solos Podzólicos drenados, com fertilidade natural média e as Elevações Residuais com solos Litólicos rasos, pedregosos e fertilidade natural média (BRASIL, 2005).

6.4 Características Geomorfológica do Município de Brejo da Madre de Deus

Geomorfologicamente, a área do município de Brejo da Madre de Deus apresenta-se como um mosaico de morfofeições, largamente associado a superfícies aplainadas e bastante dissecadas. As formas inter-montanas são decorrentes das diversas fases de denudação pós-cretácea da Borborema. Os pedimentos formas onduladas que se direcionam ao talvegues dominam a paisagem, e muitas dessas ocupadas pelo plano urbano o que dar a cidade feições onduladas. Observa-se também algumas superfícies que elevam em pequenos patamares sem que haja uma ruptura brusca de gradiente condicionada por uma trama de falhas, ocasionando o confinamento de pequenos depósitos em alvéolos restritos ao ambiente fluvial.


A uniformidade topográfica da superfície dos pedimentos só é interrompida pelos relevos residuais em forma de inselbergs e alinhamentos de serras, com altitudes variando de 500 a mais de 900 m, testemunhos das antigas superfícies cenozóicas. Os relevos residuais apresentam-se orientados segundo as direções preferenciais da estrutura regional, NE-SW, formando vales profundos e encaixados, com controles estruturais indicando movimentação tectônica possivelmente neo-cenozóica associada à reativação de antigas estruturas com descida do nível de base a sudoeste e subida a noroeste, ocasionando perda de nascentes fluviais e captura de drenagem.

6.5 Características da cobertura vegetal e Altimetria

O município de Brejo da Madre de deus possui naturalmente dois tipos vegetacionais em dois diferentes tipos climáticos, a vegetação da região semiárida que é a Caatinga que está compreendida na maior parte do município e na região brejeira encontra-se a vegetação de Mata Atlântica compreendida em menor área do município. Também encontra-se na interface dos dois tipos vegetacionais uma vegetação de transição entre esses dois biomas.

O relevo do município de Brejo da Madre de Deus é atípico de outros municípios da região semiárida do Nordeste. Na região do brejo de altitude o relevo é altamente ondulado e declivoso, com serras de cotas altimétricas acima de 1000 metros acima do nível do mar. A medida que segue para região semiárida encontra-se bastantes áreas pediplaniziadas e pedimentadas.

6.6 Recursos hídricos do Município de Brejo da Madre de Deus

O município de Brejo da Madre de Deus encontra-se inserido nos domínios da Bacia Hidrográfica do Rio Capibaribe. Seus principais tributários são: o Rio Capibaribe e os riachos: Boi Manso, Doce ou Mulungu, das Barracas, da Jurema, Açudinho, dos Poços, Tabocas, Quixabeira, Fundo, do Brejo da Madre de Deus,
Mandacaru do Norte, Jacaré, da Cachoeira, Mandacaru do Sul, da Onça, Santana, Santo, Betume e Veado Podre. Os principais corpos de acumulação são os açudes: Machado (1.228.340 m³) e Oitís (3.020.159 m³). Todos os cursos d’água no município tem regime de escoamento intermitente e o padrão de drenagem é o dendrítico (CPRM - Serviço Geológico do Brasil).

 A açudagem no semiárido nordestino se deve aos aspectos geológicos dada ao fado da camada cristalina impermeável ser próxima a superfície  servindo de revestimento de fundo das barragens como é o caso do açude do Oitis: Brejo da Madre de Deus.  Em primeiro plano vê-se o espelho d’água da represa - barragem na comunidade denominada Sítio Oitis, ao fundo escarpas cristalinas do grande conjunto geológico-geomorfológico denominado Planalto da Borborema. O espelho da água assenta-se sob uma massa de solo com embasamento cristalino impermeável. Grande parte dessa água represadas é para o uso de irrigação e lazer para população local, municipal e de outros municípios. Latitude S- 08º05’371; W- Longitude 36º22’464 e altitude 563 metros. Fonte: Henágio José da Silva, 2010.


6.6.1 Águas Subterrâneas

O município de Brejo da Madre de Deus está totalmente inserido no Domínio Hidrogeológico Fissural. O Domínio Fissural é composto de rochas do embasamento cristalino que englobam o subdomínio rochas metamórficas constituído do Complexo Belém do São Francisco, Complexo Vertentes, Complexo São Caetano, Suite Serra de Taquaritinga e do Complexo Salgadinho e o sub-domínio rochas ígneas da Suitecalcialcalina Itaporanga, Suite peraluminosa Xingó, Suites hosonítica Salgueiro-Terra Nova, Granitóides e da Suite Máfica (CPRM - Serviço Geológico do Brasil).


6.7 Características Climáticas do município de Brejo da Madre de Deus

Segundo os pesquisadores Rhaissa Francisca Tavares de Melo, Danielle Gomes da Silva e Prof. Dr. Antonio Carlos de Barros Corrêa as condições climáticas, em linhas gerais, não diferem das existentes no semiárido nordestino, onde as condições de extrema semiaridez transitam gradualmente para condições de maior umidade em função de posições topograficamente mais elevadas dentro da região. Tomando-se como ponto inicial à precipitação, a média anual no distrito de Fazenda Nova, a 509 m de altitude, situa-se em torno de 557,5 mm, com período seco de 7 a 8 meses de duração e os valores máximos de precipitação concentrando-se no trimestre março, abril e julho, totalizando 50% da precipitação anual. A sede municipal de Brejo da Madre de Deus registra 844 mm, concentrados nos meses de março a julho, com cerca de 75% do total de precipitação anual.

O clima é do tipo Tropical Semiárido com chuvas de verão; o período chuvoso tem início em novembro e término em abril, com precipitação média anual de 431,8 mm e; a temperatura média anual é equivalente a 22°C (BRASIL, 2005).

A ocorrência de concentração de precipitação acima de 100 mm em Brejo da Madre de Deus e Fazenda Nova nos meses de março/abril denota a influência da zona de convergência intertropical (ZCIT), que apresenta sua maior expansão nesses meses no hemisfério sul (cerca de 4ºS em média), como também pelas ondas de este (EW) e as correntes perturbadas de sul (FPA).


 Valores pluviométricos anuais da sede do município de Brejo da Madre de Deus do ano 1991 a 2000. Os valores da coluna a esquerda representam a pluviometria que vai de 0 a 1.600 mm; as colunas em cor azul com seus respectivos valores, representam as precipitações anuais da sede do município de Brejo da Madre de Deus e por fim na parte inferior a marcação do anos em que se deu as precipitações, nota-se uma variação das precipitações anuais, sendo assim uma localidade de muita irregularidade de chuvas. Tendo a maior precipitação no ano de 1985 atingindo 1.392 mm/ano e menor índice no ano de 1990 atingindo apenas 651 mm/dia. Fonte: EMATER; EBAPE e IPA (2011).


Valores pluviométricos anuais da sede do município de Brejo da Madre de Deus do ano 1991 a 2000. Os valores da coluna a esquerda representam a pluviometria que vai de 0 a 1.400 mm; as colunas em cor azul com seus respectivos valores, representam as precipitações anuais da sede do município e por fim na parte inferior a marcação do anos em que se deu as precipitações. Verifica-se a irregularidade pluviométrica, tendo seu maior índice no ano de 1997 atingindo 1.175,8 mm e com menor índice ocorrendo no ano de 1993 apresentando apenas 367,5 mm. Fonte: EMATER, EBAPE, IPA – Brejo da Madre de Deus, 2011.


Quanto à temperatura média anual, Fazenda Nova apresenta o valor de 22,7ºC,com médias máximas em novembro e dezembro de 31,7ºC e mínima em agosto e setembro, de 17,9ºC. Entretanto, em Brejo da Madre de Deus a temperatura média anual é de 22,2ºC, com médias máximas mais elevadas entre dezembro e janeiro de 23,5ºC, e mínimas entre julho, agosto e setembro, 16,5ºC. Essas temperaturas mais amenas são devidas principalmente à orografia. A seguir gráficos pluviométricos do município de Brejo da Madre de Deus, de sua sede do ano de 1984 a 2010 e de suas localidades rurais.

Os índices pluviométricos do município de Brejo da Madre são coletados no escritório local do Instituto Agronômico de Pernambuco– IPA, localizando no centro da cidade, ao lado da igreja Nossa Srª. do Bom Conselho, com os o par de coordenadas latitude S – 08º 08’ 58‖ e longitude W - 36º 22’ 13‖olocal está a 636 metros de altitude do nível do mar.

Nos índices nota-se que existe uma irregularidade nos quantitativos precipitados do ano de 1984 ao ano 2010, tendo com menor índice o ano de 1993 atingindo 367,5 mm e com o maior índice ocorrendo no ano de 1985 atingindo 1.392 mm, tendo uma diferença entre o maior e o maior índice de 1.024,5 mm, o quê representa uma extrema irregularidade. Observando os três gráfico pluviométricos acima, vê-se que nos últimos sete anos existem uma maior regularidade. Nos últimos 27 anos em que se mediu os índices pluviométricos na sede da cidade têm-se uma média de 976,0 mm/anual, o que representa uma média relativamente superior ao das médias das cidades do semiárido nordestino, característica essa que diferencia o município em estudo do seu entorno, sendo o mesmo localizado em um brejo de altitude, fator esse que proporciona esses índices pluviométricos.


Índices pluviométricos anual da sede e das áreas rurais do município de Brejo da Madre de Deus do ano 2010. O gráfico apresenta em sua coluna da esquerda os índices pluviométricos referencias de 0 a 1.800 mm, no centro, observam-se na parte superior os quantitativos pluviométricos em mm e na parte inferior as localidades onde existem pluviômetros e por fim na coluna da direita a legenda, sendo representada por cores que indicam cada região do município. Fonte: IPA e CONDESB – Brejo da Madre de Deus, 2010.

Nota-se que no gráfico acima existem colunas com quatro cores diferentes. As colunas vermelhas representam a região brejeira (Xéu, Ladeira Preta, Cavalo Ruço e Amaro) com índices pluviométricos mais expressivos chegando a atingir na comunidade de Ladeira Preta 1.644 mm/ano, as colunas de cor azul representam a região semiárida do município (Brejinho, Paridas, São Paulo, São Domingo, Queimadas e Baraúnas) tendo os índices de chuvas de menor expressividade, com índice na comunidade de queimadas atingindo apenas 395 mm/ano, a coluna de cor amarela representa uma comunidade localizada na área de interface entre a região brejeira e a semiárida, tendo seu índice de chuva alcançando 1.128 mm/ano e por fim a coluna de cor preta representa a sede do município que atingiu 1.314,8 mm/ano. No gráfico verifica-se a diferença pluviométrica de diferentes regiões do município em especial o quantitativo pluviométrico que atinge os brejos de altitude.

6.8 Características Agropecuária e Fundiária do município de Brejo da Madre de Deus

A Agropecuária contribui com 9,754% (Fonte – IBGE – Censo 2007) do Produto Interno Bruto do Município. Exploram tradicionalmente as culturas de milho e feijão, especialmente nos Distritos de Mandaçaia, Fazenda Nova e praticamente em todo setor centro norte do município.

A área na região Brejeira, antes densamente coberta por fruteiras, café e mandioca, encontra-se hoje bastante descoberta, sendo transformadas em pequenas áreas de cultivo de hortaliças ( coentro, alface, cebolinha, chuchu, etc), a prática de agricultura orgânica vem sendo uma atividade implantada em pequenas áreas e como principal atividade agrícola o cultivo de banana da variedade Prata e Prata Pacovã que possui prática de manejo tradicional com baixo nível tecnológico, a atividade que vem tendo destaque é a produção de morango cujo área se estima aproximadamente 4 hectares com bom nível tecnológico na irrigação, adubação, preparo do solo e outras práticas de cultivo. Na região também vêm surgindo a atividade pecuária com a criação de gado bovino para corte, nas áreas com alto declive o que vem causando degradação física do solo.

Áreas ribeirinhas ao Rio de Tabocas pertencentes aos Distritos de Barra do Farias e Mandaçaia apresentam predominância do criatório bovino, especialmente leiteiro. Há no Município uma tradição de mais de 40 anos no que concerne à disseminação da prática de agricultura irrigada, exercendo influência nessa área sobre os Municípios de Belo Jardim e Jataúba, com predomínio das culturas de repolho, tomate, cenoura e beterraba, já tradicionais no município de origem e nos demais. Face às secas cíclicas ocorridas com maior frequência na região, essas culturas, que constituíam a base econômica do município, chegou-se a explorar a cenoura em três plantios anuais, perfazendo uma área física de cerca de 300 ha/ano, ocorreu um sensível declínio chegando-se a estimar (ano de 2010) a área de cenoura, em 50 hs.


No quadrro ver-se que a produção Agrícola do município de Brejo da Madre de Deus do ano de 2009. Na primeira coluna vê-se a descriminação das culturas agrícolas de destaque do município, na segunda coluna relaciona-se o total de área colhida em hectares, na terceira coluna verifica-se a quantidade produzida em Kg, na quarta coluna observa-se o rendimento médio em Kg/ha e por fim vê-se na última coluna o quantitativo em reais (R$) por cada cultura. Na tabela verifica-se que a cultura que ocupou mais áreas foi o feijão atingindo 900 ha e o milho atingindo 800 ha, mas essas culturas apresenta uma baixa produtividade pela técnica rudimentar de cultivo. Já a atividade que gerou mais resultados econômicos foi o cultivo de tomate atingindo R$ 1.690.000,00 reais, sendo essa atividade desenvolvida por agricultores empresariais e de outros municípios em sua maioria. E a cultura mais expressiva na região brejeira foi a cultura da banana atingindo 350 hectares. Fonte: IBGE, Censo 2009.


Rebanho pecuário do município de Brejo da Madre de Deus em 2009. A coluna da esquerda descrimina as espécies animais e da direita o quantitativo do efetivo animal. Nota-se que o rebanho de animais que apresenta maior efetivo é de aves (Galos, frangas, frangos e pintos) com 30.500 animais que são produzidos por diversas famílias de agricultores familiares, já o rebanho bovino totaliza 9.300 animais entre macho e fêmeas. Fonte: IBGE, Censo 2009.

Com relação a situação fundiária do município a quantidade de propriedades existentes no município chega a 1.620 (IBGE, 2006) propriedades registradas, concentrando essa quantidade nas pequenas propriedades. Em 1995 a maior concentração no número de propriedades estava nas áreas de menos de 10 hectares com quase 80%.


Quantitativo de propriedades (por áreas) do município de Brejo da Madre de Deus. Na primeira coluna nota-se o total de propriedades registradas, na segunda coluna o total de propriedades com menos 10 hectares, na terceira coluna o total de propriedades com áreas entre 10 à 100 hectares, na quarta coluna o total de propriedades entre 1.000 á 10.000 hectares por fim a coluna com total de propriedades que ultrapassa 10.000 hectares. Nota-se que o maior quantitativo de propriedades está em áreas com menos 10 ha totalizando 1.263 propriedades o quê significa que o município tem sua maioria das propriedades de pequenas áreas pertencentes a agricultores familiares e que apresentam menos de quatro módulos fiscais (cada módulo fiscal são 20 ha na região) as mesmas se enquadrando dentro das características do PRONAF – Programa nacional de fortalecimento da agricultura familiar. Já com relação a latifúndios existem 62 propriedades e apenas uma com mais de 1.000 ha. Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Censo Agropecuário / BDE – Base de Dados do Estado (Período de referência: 1995).

7 Características do brejo de altitude do Município de Brejo da Madre de Deus

Nessas porções úmidas que ocupam a parte sul do município com aproximadamente 70 km², localiza-se o objeto de estudo, denominado Região Brejeira, na qual, constitui uma área de exceção, com cotas altimétricas variando de 700 m à 1.100, (1195 alguns autores) m de altitude. Por conta da altitude e consequente umidade, prevalece uma flora com características fisiográfica de enclaves da Mata Atlântica, formando ilhas de floresta úmida em plena região semiárida cercadas por vegetação de caatinga, tendo uma condição climática bastante atípica com relação à umidade, temperatura e vegetação e com pouco conhecimento sobre sua vegetação e ecologia (Lins, 1979).

A região possui apenas um distrito, Cavalo Ruço a 4 Km da Sede, onde existe infraestrutura de calçamento, posto de saúde, escola. Segundo as informações da técnica em enfermagem do Posto de Saúde da Família – PSF, na região do brejo de altitude existem 892 famílias, totalizando uma população de 3.568 habitantes.
Os demais povoados são sítios sem infraestrutura básica, alguns tendo apenas grupo escolar. São as localidades que compõe a região brejeira: Conceição, São Francisco, Genipapo, Preguiça, Xéu, Almas, Rosário, Piedade, Ladeira Preta, Santa Rosa, Bitury, Cajueiro, Bituriznho, Cavalo Ruço, Livramento, Pacote, Cafundó, Boa Vista, Pedra Grande, Amaro, Chã do Amaro, Teixeira, Navalha de Cima, Boi, Lages, São Gonçalo, Arara de Dentro e Navalha de Baixo. O escritório local do Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA, estima uma quantidade de propriedade nessa região, em torno das 200 unidades produtivas, um pouco mais que 10% do total municipal.

7.1 Características naturais do brejo de altitude da Madre de Deus

A vegetação natural da região brejeira é a mata Atlântica subcaducifólia, que praticamente não existe mais, sendo substituída pelas atividades agrícolas e pecuárias ou pelo simples desmatamento para uso da madeira. Hoje existe uma Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, essa área ocupa uma área de 173 Ha na localidade do Biturí, sendo essa a única reserva de preservação na região brejeira.

Os recursos hídricos na região brejeira são bastante presente e abundante, existem várias nascentes perenes bem distribuídas em toda região brejeira que são utilizadas para consumo humano e abastecem os rios do município Laranjeira, Tabocas e Açudinho.


Na localidade de Santana existem duas barragem que abastecem o município, ambas administrada pela COMPESA, o rio mais expressivos da região é o Laranjeira que nasce na localidade de Cavalo Russo e passa por dentro da cidade. Todos recursos hídricos do município tem suas origem na região brejeira o a torna uma área especial e que deve ser bem preservada. Praticamente todas as nascentes, rios, riachos estão desprotegidas, pois suas matas ciliares já foram removidas, um projeto recentemente executado pelo Conselho de Desenvolvimento Sustentável – CONDESB e financiado pelo Ministério do Meio Ambiente – MMA, para reposição das matas ciliares desses olhos d’águas.

A área é fortemente ondulada o que impossibilita a prática da agricultura e muito menos da pecuária. A região possui várias serras com cotas altimétricas que ultrapassam os 1000 metros, como a Serra da Prata com seus 1050 metros, a Serra do Ponto com 1195 metros e a Serra do Estrago com 895 metros de altitude.



Fuguras 22 e 23Paisagens naturais comuns na região brejeira com serras. Na imagem 22 ao fundo vê-se a Serra da Prata, nota-se a forte ondulação da região e nível de perda de vegetação para implantação de pastagem para exploração da pecuária bovina. Na imagem 23 observa-se em segundo plano a Serra do Ponto maciço cristalino do período pré-cambriano, na vista esquerda da serra corredor d’água descendo serra a baixo. Ambas localidades com respectivas coordenadas: Latitude S- 08º09’094‖,W- Longitude: 36º21’550‖e altitude de 1020 metros; Latitude S-08º09’606‖ e Longitude W- 36º23’527‖ com altitude de 1195 metros. sendo o ponto mais alto do Estado de Pernambuco(IBGE). Fonte: Henágio José da Silva, 2011.



Pela elevação da área existem vários corredores d’água e uma delas é a cachoeira que é um ponto de lazer para localidade, para a população municipal e para os turistas, com corrente d’água perene denominada São Francisco.


Figura 25: Vêr-se a cachoeira de São Francisco, na localidade que possui mesmo nome, cachoeira que é afluente do rio Tabocas e fonte de Lazer para população da localidade e espaço muito visitado por turistas de cidades vizinhas. Nota-se pouca vegetação nas bordas da cachoeira, retirada para uso da madeira uma vez que para a prática agrícola é inviável pelo grande afloramento rochoso-granítico. Latitude S- 08º10’040‖, Longitude W- 36º21’193‖ e com altitude de 720 metros. Fonte: Henágio José da Silva, 2010.


7.2 Características Pedológicas do Brejo de Altitude da Madre de Deus

Segundo a Classificação de solo da EMBRAPA o solo da Região Brejeira é o Podzólico Vermelho – Amarelo, ver mapa pedológico do município, com a nova classificação do Sistema Brasileiro de Classificação de Solo–SIBCs da EMBRAPA passa a ser Argissolo Vermelho - amarelo.


Figura 26 e 27: Vê-se nas duas imagens o perfil do solo Argissolo, Na foto 26 a esquerda, nota-se um corte no solo, possibilita a identificação de diversos horizontes, de cima para baixo, o horizonte O denominado orgânico, devido a alta decomposição de massa biológica; o horizonte A na representado pela vermelha. Na imagem 27 a direita vê-se de cima para baixo o horizonte ―O‖ denominado orgânico com poucos centímetros, o horizonte A com aproximadamente 25 cm de cor marrom e o horizonte B 180 cm de cor vermelho. Localização: Sítio Livramento Latitude S - 08°10'25‖, Longitude W - 36°23'11‖ – 844 Metros de altitude; Sítio Amaro Latitude S 08°10'16‖ e Longitude W - 36°23'32‖ – 951 Metros de altitude, respectivamente. Fonte: Henágio José da Silva, 2011

7.3 Características Agropecuárias do Brejo de Altitude de Brejo da Madre de Deus

Historicamente as primeiras atividades agrícolas na região brejeira foram: o cultivo de cana de açúcar, seguido do cultivo de café sombreado que teve sua grande importância. No presente as principais atividades agrícolas são a produção de olerícolas em geral (alface, couve, chuchu, cenoura, beterraba, coentro, cebolinha) em pequenas áreas que são cultivadas nos melhores locais, pé de serra e várzeas.

O cultivo da banana é a principal atividade, existindo em quase todas unidades produtivas, o manejo é tradicional com práticas arcaicas, sem pouca inovação tecnológica no cultivo, sendo os bananais antigos com baixa produtividade.

Uma atividade que vem surgindo na região por apresentar condições edafoclimáticas favoráveis ao cultivo é a produção do morango, que possui bom padrão tecnológico com uso de irrigação localizada, preparo do solo com base na análise do mesmo, com mulching para proteção dos frutos e interrupção do nascimento de ervas daninhas e uma adubação adequada.

Também a produção de hortaliças de forma orgânica se destaca na região atualmente três produtores cultivam nesse sistema as mais diversas variedades de hortaliças e frutas.
Uma atividade relativamente recente na região é a pecuária bovina de corte, que vem tomando grande espaço nesse cenário de brejo de altitude, em sistemas semiextensivo de criação, com áreas desmatadas nas serras para implantação de capim para pastejo dos animais, sendo atualmente uma das atividades que mais ocupam os solos da região.

7.4 Desgaste e uso inadequado do solo no Brejo de Altitude da Madre de Deus

A região do brejo de Altitude por ter muito presente em seu espaço uma topografia fortemente ondulada, com serras, e poucas áreas de várzea nos fundo dos vales, a prática agrícola se torna economicamente e ecologicamente inviável, pois as atividades em encostas dificulta a mão de obra, uso de máquinas e se desgasta com maior facilidade causando a diminuição da produtividade de qualquer atividade agrícola implantada nesses locais. Apesar dessas condições topográficas o homem insiste em utilizar esses espaços para produção agropecuária.

A maioria dos agricultores tem em suas propriedades diversos estágios de degradação do solo causado pelo uno inadequado desse recurso natural. O cultivo de ladeira a baixo nas encostas das serras, o desmatamento descontrolado nos topos dos morros e nas proximidades dos espelhos d’águas que são Áreas de Proteção Permanente – APP’s, causam o desgaste do solo. A atividade pecuária de criação de bovino de corte que vem causando grande pressão aos espaços úmidos do brejo de altitude, com a retirada da vegetação que nem mais é a original para inversão com capim para pastejo animal, na maioria das vezes em áreas impróprias para essa atividade, que são implantadas nas encostas das serras, causando primeiro a descoberta do solo no período do desmatamento, em seguida o pisoteio bovino acarretando a compactação do solo o que facilita o escorrimento das águas da chuva provocando erosões por sulco com posterior voçoroca.

Também o uso da argila para produção de tijolos manuais vem causando impactos no solo, uma vez que não se faz nenhum estudo para uma retirada controlada desse recurso. Causando a degradação do solo por desprotegê-lo retirando a vegetação e cortando as barreiras expondo as camadas inferiores do solo.

8. O caso do Comunidade Amaro

A comunidade do Amaro está situada na Região Brejeira do Município distante de sede 9 Km no sentido sudoeste. Entre as Coordenadas Latitude S – 08º10’12‖ e Longitude W – 36º23’ 38‖ em 935 metros de altitude no seu ponto inicial tendo como base a sede do município e as coordenadas Latitude S – 08º08’53‖ e Longitude W – 36º24’ 21‖ em 919 metros de altitude. Segundo o IPA – LOCAL a comunidade possui 42 famílias com aproximadamente 200 pessoas morando na localidade, tendo 60% dos homens e 40% das mulheres.

Com relação aos serviços básicos na comunidade destaca-se que existe um agente de saúde que faz monitoramento na comunidade, um grupo escolar com ensino fundamental até a 4ª série, não existem saneamento nem sistema de abastecimento de água, as famílias se abastecem de água através das nascentes locais e o sistema de esgotamento é particular com fossas sépticas, existe sistemaCom relação aos serviços básicos na comunidade destaca-se que existe um agente de saúde que faz monitoramento na comunidade, um grupo escolar com ensino fundamental até a 4ª série, não existem saneamento nem sistema de abastecimento de água, as famílias se abastecem de água através das nascentes locais e o sistema de esgotamento é particular com fossas sépticas, existe sistema  de eletrificação trifásica em toda comunidade atendendo aos domicílios e a produção agrícola. Como saneamento básico encontramos algumas casas com fossa séptica (IPA, 2010 - PAM - Plano de Ação Municipal).

A comunidade apresenta um grande potencial hídrico com nascentes e um rio perene, o Rio Amaro. Apesar de não haver reservatórios de grande porte, há abundância de água. A vegetação de mata atlântica é explorada insustentavelmente com praticamente todo formação primária já retirada, a topografia bastante acidentada, mas com áreas próximas aos afloramentos rochosos, propícias para o cultivo, as várzeas. 

A atividade agrícola explorada no Amaro é bastante diversificada entre frutas, legumes, raízes, entre elas se destacam: banana, morango, manga, abacate, laranja, chuchu, cenoura, repolho, batata doce, cebola, cebolinha, coentro, macaxeira, inhame, beterraba, etc. Há dois produtores de hortaliças orgânica associado a organização Terra Fértil – associação dos produtores orgânico do município, mas o destaque principal na produção agrícola é o cultivo de banana ainda em sistema com pouca tecnologia e plantios antigos e a produção do morango com tecnologia moderna, irrigação, adubação e tratos culturais. Com relação a atividade pecuária hoje se destaca a criação de bovinos num sistema semiextensivo que hoje ocupa uma grande área da localidade. O desgaste do solo vem sendo um grande problema na comunidade, principalmente pela ocupação das terras com alto declive pela prática agrícola e principalmente pela pecuária nas áreas de pastejo.

9 MATERIAL E MÉTODO

Essa pesquisa foi realizada em duas fases distintas, uma primeira relacionada coleta de materiais abrangendo pesquisa bibliográfica, nessa visa coletar material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e atualmente com material disponibilizado na Internet, relacionado ao tema a ser pesquisado, para apropriação teórica do conteúdo e composição do mesmo.
Em outro momento, a pesquisa foi realizada no estudo de caso da comunidade do Amaro, região brejeira do município, visitou-se todas as propriedades da comunidade, totalizando 21 propriedades, onde foi entrevistado um dos membros da família. Utilizou-se uma ficha de pesquisa com 14 questionamentos diretamente ligados as formas de uso da terra pelos agricultores. A pesquisa de campo foi fundamental para testar a hipótese, buscando as possibilidades de identificar no município de Brejo da Madre de Deus a causa relacionada a degradação do solo por impactos ambientais , a saber, queimadas, desmatamento, uso de herbicida e técnicas de produção, irrigação, curva de nível e aração, condições que foram detectadas em campo, porém com perfil bastante particular discutido e exposto nos resultados.
Quanto as dificuldades encontradas na pesquisa, foi encontrar um método para organização dos dados de campo e sua posterior interpretação.


10.4 Desmatamento para Cultivo As Áreas de: Topo De Morro, Encosta, Margem de Rio e Cacimba.


Os agricultores que desmatam as áreas impróprias para o uso na agropecuária na comunidade do Amaro, segundo os mesmos admitem desmatar porque querem utilizar toda a área da propriedade, outro motivo citado foi porque os agricultores só tem aquelas áreas para a prática agropecuária, principalmente por serem essas propriedades de dimensões relativamente pequenas, outros citam serem as melhores áreas e outros acham que não faz mal o uso de terras situadas em áreas de preservação permanente.

10.5 Prática da curva de nível
A curva de nível é uma técnica antiga de conservação do solo, usada para possibilitar a redução dos processos erosivos, todas as áreas com declive devem ser usado curva de nível que pode ser realizada com uso de máquinas de precisão como teodolito ou por aparelhos adaptados e de simples confecção e uso como o pé-de-galinha. Nota-se que mais de 95% dos agricultores da comunidade do Amaro não utilizam essa técnica. 

10.6 Aração do solo

Nota-se que a forma de aração é adota por 76% dos agricultores do sítio Amaro, sendo mais comum nas propriedades de dimensão entre 0,5 e 20 hectares. A forma mais praticada pelos agricultores do Amaro é a utilização de tração animal, motivo principal pela forte declividade das áreas o que dificulta a aração por trator. Na verdade só deveriam ser aradas as áreas de várzeas, pois a aração em área de declive facilita o processo de erosão. Percebe-se ainda o uso de força humana para revolver o solo com a utilização de enxada. Por fim existem agricultores que não usam aração, motivo esse porque os solos já estão ocupados por bananeiras e pasto para bovino.

10.7 Forma de Irrigação utilizada pelos agricultores

Nota-se que a irrigação é adotada por 52% dos agricultores do sítio Amaro e que mais comum nas propriedades de dimensão entre 0,5 a 20 hectares. A forma de irrigação mais utilizada é a de aspersão, esse tipo de irrigação causa muito dano ao solo, pois os jatos d’água lançados pelo aspersores são grossos causando impacto e desagregação das partículas do solo facilitando os processos erosivos. Na comunidade inicia-se o uso de irrigação localizada por microaspersão que lançam jatos d’água pequenos e finos causando pouco dano ao solo, pois não desagregam as partículas do solo.


10.8 Trabalho agrícola nas áreas de alto declive

A região por ser de constante declividade os agricultores utilizam bastante essas áreas, mais de 80% dos agricultores utilizam esses espaços de declive para a prática agrícola. Para o cultivo agrícola essas áreas são de extrema fragilidade, pois os processos erosivos em declive acentuado são acelerados pela força da gravidade, também essas áreas deveriam ser de preservação mantendo a vegetação original que quase não existem mais. Nota-se que o uso das áreas de declive para a agricultura é com em praticamente todas as dimensões de propriedades, não tendo uma faixa de tamanho de propriedade que seja mais representativo para esse uso.


10.9 Pecuária em área de alto declive

A utilização de áreas de alto declive para a atividade pecuária vem se tornando uma prática comum na comunidade do Amaro, tendo 71% dos agricultores envolvidos nessa atividade em áreas impróprias, sendo mais comum nas propriedades de dimensão entre 11 a 30 hectares por serem relativamente grande nessa região.

Sobre os motivos em que os agricultores implantam as áreas de pastejo para os bovinos, 15 criadores utilizam dessas áreas por que querem aproveitar todo terreno, dessa forma utilizam áreas impróprias para essa prática, 10 criadores disseram que usam as áreas declive acentuado por que as terras são pequenas e só possuem aquelas áreas, 10 agricultores enfatizaram que as áreas de declive são as melhores áreas do terreno para a criação de bovinos e 3 criadores falaram que utilizar áreas de declive não causa nenhum problema para o solo.

11 CONCLUSÃO
Diante da análise em decorrência dos dados obtidos chega-se ao resultado que no Brejo de Altitude do Município de Brejo da Madre de Deus, particularmente no estudo de caso da comunidade do Amaro que:
 O uso de técnicas arcaicas de preparo do solo com a queimada e o uso de herbicida como técnica moderna para combate das ervas daninha estão proporcionando o desgaste do solo diminuindo a vida microbiana e matéria orgânica como também favorecendo a retirada da cobertura do solo expondo-o as intempéries do clima;
 Os solos estão sendo usados de forma imprópria, incompatível no que diz respeito as normas de conservação de solo e preservação ambiental através da retirada da cobertura vegetal original das áreas de declive acentuado;
 O uso de técnicas de produção agrícola como irrigação que está sendo utilizada em áreas de declive acentuado e com sistema de irrigação em sua maioria dos casos com aspersão que causa o desagregação das partículas do solo e aração do solo que mesmo sendo a tração animal facilita os processos erosivos;
 A falta de utilização de técnicas de conservação de solo como a curva de nível que possibilita a diminuição do desgaste do solo por erosão;
 As culturas implantadas em áreas de alta declividade estão possibilitando a eficiência do processo erosivo, causando o enfraquecimento do solo e a perda da produtividade;
 A atividade pecuária bovina está ocupando espaços indevidos para essa prática que apresenta condições edafoclimáticas desfavoráveis para a mesma.

Falta referenciar

RODRIGUES, N.M; PEREIRA, H. BREJO DE ALTITUDE DO MUNICÍPIO DO BREJO DA MADRE DE DEUS - PE E A DEGRADAÇÃO DO SOLO - O CASO DA COMUNIDADE DO AMARO.  T.C.C. FABEJA, 2003.

terça-feira, 20 de maio de 2014

MUDANÇA DE FUNÇÃO NOS BREJOS DE ALTITUDE PERNAMBUCANO

* OS BREJOS ONTEM E HOJE

INTRODUÇÃO
Os Brejos de Altitude são disjunções de floresta atlântica proporcionada pelos acidentes orográficos de tais áreas com elevações superiores a 600 m altitude em relação ao nível do mar que possuem características atípicas das áreas em seu contorno, essas áreas apresentam condições pluviométricas distinta a sua adjacência, com índices que passam dos 1.000 m anuais e condições de temperatura amena pela sua elevação e pela presença de uma vegetação arbórea verde durante todo o ano, solos profundos pelo grande grau de intemperismo químico. Esses espaços apresentam boa capacidade hídrica com várias nascentes que dão origem a riachos e rios muitas vezes perenes que dão suporte a agricultura local e ao abastecimento hídrico da cidade.
No passado essas áreas apresentavam enorme significância para seu entorno pela produção agrícola de vegetais e frutas, pois forneciam essas mercadorias nos dias de feiras.  Hoje embora dotados das mesmas condições naturais, não são mais capazes de alimentar as cidades, e sua produção fica muito aquém das necessidades, deve-se considerar os impactos ambientais que já são bastante marcantes. Hoje a modernidade reduziu quase que totalmente suas funções, modificando assim o sua produção, a importância das trocas, e seu alcance regional a uma condição periférica no sistema capitalista. A agricultura moderna com irrigação, controle produtivo e mercado abrangente sob a égide das grandes corporações de comercio agrícolas atuam sobre as redes, cidades e consequente os brejos, que agora se ver a consumir as técnicas advindas das cidades, como é o caso das sementes, técnicas de cultivas, máquinas e interferência nos preços.  Palavras chave: Brejos, Função dos objetos, Brejos de Pernambuco.

Paisagens de exceção e brejos
            As paisagens de exceção constituem fatos isolados, de diferentes aspectos físicos e ecológicos inseridos no corpo geral das paisagens habituais. Mais que isso são referências para o homem desde a pré-história. Enfatiza-se que as paisagens de exceção serviram de referência para os nossos antepassados, e por isso devem ser bem conservados e protegidos. Tendo uma localização, quase sempre, muito distanciada entre si, os sítios de paisagens bizarras em um país de tamanho gigante raramente podem ser conhecidos ou estudados em sua totalidade (AB’SABER, p. 149, 2003).
            Na linguagem simbólica utilizada nas ciências biogeográficas sucedem-se termos para designar “ilhas” de vegetação aparentemente anômalas, identificadas nos corredores de grandes domínios morfoclimáticos e fitogeográficos (AB’SABER, p. 145, 2003). O mais singelo desses termos é certamente a expressão relicto, aplicada para designar qualquer espécie vegetal encontrada em uma localidade específica e circundada por vários trechos de outro ecossistema.
            Um outro termo usado para designar manchas de ecossistemas típicos de outras províncias, porém, encravado no interior de um domínio de natureza totalmente diferente , é utilizada a expressão “enclave” fitogeográfico. Conforme Ab’ Saber ao explicar a razão de serem esses “enclaves” ecossistêmicos foi necessário toda trajetória de pesquisa que tornou possível a Teoria dos redutos e refúgios. Na realidade, os “enclaves” de ecossistemas em espaço de médio porte refletem a dinâmica das mudanças climáticas e paleoecológicas do período quaternário (AB’SABER, p. 145, 2003).
Lins, 1989 conceitua como brejo “Subespaços úmidos que apresentam formas diversificadas de uso que as diferenciam das dominantes, no interior das quais se encontram situados”. Como sub - unidades regionais, que são, essas manchas úmidas reclamam uma caracterização geográfica sistemática ( ANDRADE, 1963).
            Os espaços subúmidos se destacam dos espaços semiáridos, dominantes na região, por suas condições agroecológicas excepcionais refletidas nos tipos e desempenho dos sistemas agrícolas em que sobressaem as lavouras e o manejo de baixo e ou médio nível tecnológico. Existem diferentes tipologias de brejos: Brejo de Várzea, Brejo de Fundo úmido e ou Vale e por fim Brejo de Altitude ou Exposição, que apresentam princípios fitoecológicos similares, mas com características próprias (LINS, 1989).
            Muitos desses espaços de exceção estão concentrados na faixa de rebordo do Planalto da Borborema. Eles ocupam posições inferiores do relevo e alternam com os Brejos de Altitude e estão caracterizados por condições climáticas com as mais elevadas cotas pluviométricas e pouca ou quase nenhuma deficiência hídrica, por exemplo o Brejo do Mimoso. Nesses ambientes a hidrografia é permanente e vegetação natural hidrófila, nesses campos de várzea, seus solos são moderadamente ou poucos desenvolvidos, profundos, argilosos, imperfeitamente drenados, ácidos, comumente saturados com água, durante boa parte do ano, sujeito a inundações com baixa fertilidade, denominados entre eles o hidromórficos e os aluviais distróficos (LINS, p 99, 1989).
Essa acuidade, permitiu desenvolvimento de uma série de estudos, que perpassa por diversos autores brasileiros que deram grande contribuição para explicação e origem, desenvolvimento e tipologia dos brejos, entre os quais destacam-se: Ab’Saber (USP), Raquel de Caldas - UFPE, Vasconcelos Sobrinho (UFPE), Gilberto Osório de Andrade (UFPE), só para citar alguns e a relevância desse tipo de pesquisa.

 TIPOS DE BREJOS

 Brejo de Vale

            São tipos agroecológicos de espaços ocorrentes entre algumas áreas serranas agrestinas, como a Serra do Mimoso e outras serras, constituídos por relevo pouco movimentado ou plano, com altimetria entre 500 a 700 metros, clima sub-úmido, com pluviosidade em torno de 700 a 900 mm anuais, com pouca ou moderada deficiência de água, hidrografia permanente e ou semipermanente e ou temporária, vegetação natural de floresta caducifólia / caatinga hipoxerófila, atualmente devastada em sua quase totalidade, e solos pouco desenvolvido, moderadamente profundo, textura média, boa disponibilidade de água, ácido a pouco ácido e com baixa a média fertilidade, onde dominam os aluviais distróficos e eutróficos (LINS, p 99, 1989).
            Ampla diversificação das formas de uso é constatada nessas áreas, onde os sistemas agrícolas envolvem culturas permanentes, como as de frutas diversas, de banana, de citros, de coco, e de pinha, assim como culturas temporárias, que incluem as hortaliças, de flores, de mandioca e de milho, além de pastagem de capineiras. Deficiência temporária de água e em alguns casos, a deficiência de fertilidade são seus principais entraves ao uso agrícola e em face disso esses espaços são dotados de regular e ou restrita aptidão para o uso com culturas. Os problemas acima referidos são superados através das práticas como a irrigação e as adubações orgânica e inorgânica.

Brejo de Altitude ou exposição

            Os brejos de altitude constituem zonas fisiográficas de maior importância para o suporte econômico das áreas semiáridas do Nordeste (SOBRINHO,1970). Segundo Paulo Kageyama (2004) “os brejos de altitude nordestinos são enclaves da Mata Atlântica, formando ilhas de floresta úmida em plena região semiárida cercadas por vegetação de caatinga, tendo uma condição climática bastante atípica com relação à umidade, temperatura e vegetação e com pouco conhecimento sobre sua vegetação e ecologia”.
A predominância do extrativismo de madeira e de lenha como principal fonte de energia, tanto para as indústrias de gesso como para a população, colocam em risco esse bioma ainda tão pouco conhecido. Por outro lado, este bioma é rico em conhecimento popular tradicional, tanto sobre plantas medicinais fitoterápicas como sobre a cultura alimentar, e pode apontar alternativas para a conservação e o uso sustentável de sua biodiversidade.
Lima (1960) o brejo de Altitude constitui em Pernambuco disjunções de floresta tropical perenifólia, dentro da zona Caatinga, e por suas condições geoambientais localizam-se, via de regra, nos níveis superiores das serras, quer graníticas, quer cretácea, acima de cotas nunca inferiores aos 500 metros, e progressivamente maiores, no sentido geral SE-NW, até os 1.100 metros.
Por sua vez, o Geógrafo Gilberto Osório de Andrade define como brejo de altitude “Subunidade regionais, que jamais ultrapassam 1020 m sobre o nível do mar e geralmente tem menos de 600 m de relevo local(...) Há que levar em conta solidariamente os suprimentos hídricos atmosférico que nelas acarretam precipitação responsáveis pelas manchas úmidas. Ora esses suprimentos são de origem remota. O ar límpido, de baixa umidade relativa, dos sertões que as circundam não lhe proporcionam valores higroscópicos susceptíveis de condensação  a tão modesta altitude. Trata-se então de verdadeiros complexos circunstanciais solidária, cuja resultante se exprime em termos de exposição. Exposição ao fluxo de massas advectivas de ar úmido, ou à dilatação de massas conectivas nevoentas.
Em suma, de posição geográfica em relação as regiões de origem dessas massas e de postura em função da direção geral em que elas anualmente se propagam. Os Brejo de Altitude são elevações montanhosas com altitudes que variam de 600 metros a 1000 metros quando considerado apenas a nível do mar, mas quando considerado o relevo local chegam no máximo a 600 metros de altitude. Entretanto são valores que influenciam na pluviosidade e umidade mais regulares, com ou sem fontes d’água, solo profundo de argila ou sílica, com revestimento de floresta ou de capoeiras de aspecto mais higrófilas que as Caatinga.
            Lins (1989) definiu  brejo de altitude são espaços relevo com gradientes, suaves a fortes com altitudes superiores a 600 metros acima do nível do nível local, raramente ultrapassando 1000 metros acima do nível do mar, clima úmido e ou sub-úmido, com cotas pluviométricas entre 900 e 1.300 mm anuais e pouca deficiência hídrica, hidrografia permanente e ou semipermanente. Sua vegetação natural primitiva de floresta subcaducifólia e ou subperenifólia em sua maioria erradicada, foi substituída por formações secundárias e seus solos são muitos desenvolvidos, muito profundos, argiloso, com alto teor de água disponível, pouco ácido a ácido, com média a baixa fertilidade, onde dominam os podzólicos vermelho – amarelos eutrófico e distrófico com ou sem ar proeminente e os latossolos vermelho – amarelo húmicos e os amarelos, ambos distróficos.
            Lavouras permanentes como as de banana, das frutas, de café, de citros secundadas por lavouras temporárias como as de hortaliças, de flores, de mandioca, de milho e de feijão, dominam nos agrossistemas e comumente são conduzidos em manejo de baixo e ou médio nível tecnológico.
            As principais limitações das condições agrícolas ao uso com a agricultura são a suscetibilidade, a erosão, a obstáculos e à mecanização, devido a natureza do solo e ao gradiente do relevo, a deficiência de água durante os meses secos e a deficiência de fertilidade, em alguns solos. Por essa razão, num manejo de médio nível tecnológico e na dependência da classe do solo e de sua fase, assim como do gradiente do terreno são espaços que apresentam um potencial agroclimático de bom a restrito para uso agrícola (LINS, p 97, 1989).
            Por sua vez Vasconcelos Sobrinho definiu os brejos de altitude como “(...) um acidente orográfico que por sua elevação acentuada, incidência de correntes atmosféricas úmidas e natureza do solo, condicionam uma vegetação predominantemente mais higrófila que as áreas circunvizinhas em meio as que se encontram situados”.

A Teoria dos redutos como modelo teórico para explicação da origem dos brejos no semiárido do Nordeste brasileiro

Em uma visualização dinâmica e interdisciplinária dos fatos paleoclimáticos e paleocológicos, pode-se sintetizar os acontecimentos do seguinte modo: no período de Wurm IV – wiscosim superior, durante a última glaciação pleistocênica, quando se formaram fantásticas geleiras nos pólos Sul e Norte e em cordilheiras e altas montanhas, o nível do mar desceu até 100 metros menos do que é seu nível atual. As temperaturas médias em todo planeta baixaram de 3º a 4ºC, rebaixando o nível de calor das terras baixas intertropicais e tornando bem mais frio o ambiente das regiões subtropicais e temperada e muito fria a temperatura das montanhas a altiplanos existentes à altura dos trópicos (Itatiaia, por exemplo, entre nós) (AB’SABER, p. 52, 2003).
O grande acontecimento, porém, foram os deslocamento das correntes marítimas frias ao longo da face leste dos continentes, sujeitos, até então, apenas aos efeitos de correntes quentes, propiciadoras de umidade. As correntes frias projetando-se para o norte até a altura da Bahia, no caso brasileiro – contribuíram para barrar a entrada de umidade atlântica, devido a uma atomização das massas de ar úmido. Estando o mar em nível mais baixo, as correntes frias (Malvinas/Falklands) ficavam mais distantes da costa antiga, contribuindo indiretamente diretamente para expansão dos climas semiáridos ao longo do litoral recuado e na retroterra de algumas regiões situadas em depressões de escarpa e serranias, ou em forte transição da faixa sub-litorânia na direção dos sertões da época (AB’SABER, p. 53, 2003).
Figura 1:No modelo acima citado por Viadana (2002), observa-se que no primeiro quadro representado as condições climáticas atuais, havia um predomínio das massas de ar quente no litoral acentuando a umidade no litoral. No quando seguinte a direita mostra a condição paleoclimáticas da influencia da dinâmica da corrente fria de Falkland atuando sobre o litoral Sul e Oeste do litoral do Brasil, nessa condição os ventos frios inibiam as precipitações pluviométricas do litoral, condição que favoreceu a expansão da semiaridez.

Foram esses processos paleoclimáticos que se fizeram atuar, progressivamente, por alguns milhares de anos, provavelmente 23.000 anos A.P até 12.700 anos A.P. (Antes do Presente). Nesse intervalo de tempo os “corredores” da semiaridez em processo, feneceram as coberturas florestais anteriores, processou-se uma generalizada dessolagem dos horizontes superficiais dos solos preexistentes e um extraordinário avanço das caatingas por muitos setores dos planaltos e terras baixas interiores do Brasil.
Concomitantemente com a progressão da semiaridez, houve recuo e fragmentação dos espaços anteriormente florestados permanecendo matas biodiversas apenas na “ilhas” de umidade testada de algumas escarpas voltadas para os ventos úmidos de exceção, tendo as florestas anteriores ao avanço da semiaridez permanecido em redutos, sub a forma de ecossistema minoritário ao seu entorno (AB’SABER, p. 53, 2003).

Características da vegetação dos Brejos

            A floresta Atlântica brasileira é uma das 25 prioridades mundiais para a conservação. Calcula-se que essa floresta abrigue 20.000 espécies de plantas vasculares, sendo 8.000 endêmicas (MYERS ET AL. 2000). Além do alto grau de endemismo observado em alguns grupos vegetais (veja Mori et al. 1981, Peixoto & Gentry 1990, Thomas et al. 1998), a floresta Atlântica apresenta elevada riqueza e diversidade de espécies (Begon et al. 1996) que, em alguns locais, são superiores às observadas em trechos de floresta Amazônica (Silva & Leitão Filho 1982; Brown & Brown 1992).
         Com base na distribuição dos tipos de vegetação, estima-se que a floresta Atlântica nordestina cobria uma área contínua de floresta com 76.938 km², ou 6,4%da extensão da floresta Atlântica brasileira, distribuídas em cinco tipos vegetacionais: 1. Áreas de tensão ecológica 43,8%; 2.floresta estacional semidecidual 22,9%;3.floresta ombrófila aberta 20,5%; 4.floresta ombrófila densa 7,9%; e5.formações pioneiras 6,1%.Nessa tipologia existem ainda as florestas de terras baixas (< 100 m de altitude), submontanas (100-600 m) e montanas(> 600 m) (IBGE 1985).




Figura 2 E 3: A cima e a esquerda observa-se aspectos naturais da vegetação de Caatinga presente no semiárido pernambucano, particularmente ao Sul de Belo Jardim. A baixo e a direita ver-se aspecto do Brejo de Altitude de Serra dos Ventos distrito rural de Belo Jardim-PE, é possível observa a barragem de Tabocas e ao fundo a direita fragmentos da Mata Atlântica- Acerbo da FABEJA-  Cidade de Belo Jardim-PE. Fonte: Natalício de Melo. 2010.

Parte da floresta Atlântica nordestina é composta pelos brejos de altitude: “ilhas” de floresta úmida estabelecidas na região semiárida, sendo cercadas por uma vegetação de caatinga (ANDRADE & LIMA, 1982). Os brejos são “áreas de exceção” dentro do domínio do nordeste semiárido (LINS, 1989). A existência dessas ilhas de floresta em uma região onde a precipitação média anual varia entre 240 - 900 mm (IBGE 1985; Lima, 1989) está associada à ocorrência de planaltos e chapadas entre 500 - 1.100 m altitude (e.g., Borborema, Chapada do Araripe, Chapada de Ibiapaba), onde as chuvas orográficas garantem níveis de precipitação superiores a 1.200 mm/ano (ANDRADE & LIMA, 1960; 1961) (Figuras 2 e 3).



Figura 04: O MITO DA BORBOREMA: Perfil esquemático representando a formação de chuvas orográficas e sua possível influencia na manutenção das condições agroambientais dos brejos de altitude no Planalto da Borborema, região  que abrange principalmente a Paraiba e Pernambuco do Nordeste do Brasil. Vale salientar que muitos autores  erroneamente afirmam que a Borborema seria responsável pela semiaridez, mas trata-se de um mito, uma vez que as encostas a barlavento são descontinua e apresenta altitudes modesta, raramente ultrapassando 800 m, assim, incapaz de provocar uma mancha tão grande como a do semiarido nordestino situado a sotavento. Vale salientar que a maior parte das nuvens ou massas que atuam nessas vertentes  se formam inicialmente no oceano Atlântico, nesse local de origem há uma grande incidência de energia solar, essa quando combinadas com condições marítimas de abundancia de águas, propiciam elevação de água por processo de evaporação, consequentemente iniciam-se aumento de umidade nas nuvens, formando as do tipo cúmulos nimbos, as diferenças de temperatura atua que através dos ventos quentes e úmidos fazem-na deslocar-se do ponto de origem oceânica para o continente, o efeito continentalidade combinados com o efeito altitude, propicia a condensação, saturação, e por fim a precipitação nas áreas elevadas do relevo formando as chuvas orográficas nessa área. Fonte: Adaptado de Mayo & Fevereiro,1982.


 HIPSOMETRIA DOS BREJOS DE PERNAMBUCO
             
O relevo pernambucano é moderado em questões de altimetria cerca de 76% do território estão abaixo dos 600m. A classificação em nível do primeiro táxon se dar basicamente por três tipos: Fragmentos da extensa planície do Brasil ou Planície litorânea, onde se localiza a capital quase que em sua totalidade ao nível do mar,  nessas planícies estão as principais cidades do estado, como Recife e Jaboatão dos Guararapes; o Planalto da Borborema que abrange parte do Agreste e parte do Sertão; a Depressão Sertaneja que constitui a maior parte das cotas de altimetrias mais baixa.
A baixada litorânea no litoral trata-se de uma grande planície costeira de origem sedimentar e altitude que oscila entre 0 a 10 metros, apresenta feições onde sobressaem praias e restingas. A altitude aumenta conforme aumenta a distância da costa em direção ao sertão.
Após a Planície litorânea área  de sedimentação, encontra-se a  Zona da Mata tem como traço característico de sua paisagem um relevo marcado pela predominância de morros e colinas,  marcada por formações onduladas ou melonizadas, características denominadas pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines e consagrada pelo geógrafo brasileiro Aziz Ab'Saber, como domínio de "Mares-de-Morros", expressão para designar o relevo das colinas.
Após a Zona da Mata segue-se ao Planalto da Borborema a principal formação geológica na faixa de transição da Zona da Mata para o Agreste. O inicio do Planalto da Borborema em Pernambuco seguindo a rota BR232 ocorre na conhecida popularmente Serra das Russas, onde predomina contas de altitude média de 700m-900m, distribuída irregularmente sobre uma vasta área que abrange os limites do Estado de Alagoas ao Sul e Paraíba ao Norte. Nessas área destaca-se o maciço dômico de Garanhuns, a Serra da Barriga em Palmares, ambas com altitude média entre 800m a 900m de altitude. Entretanto há elevações acima de 1000 m de altitude, como é caso do Pico do Jabre na Microrregião do Pajeú, próximo ao município de Triunfo, o ponto mais alto é o Pico do Papagaio com 1.260 metros, no limite com o sudoeste da Paraíba, é sobre essas vasta região altimétrica que   vamos encontrar os brejos pernambucanos
O Agreste localiza-se sobre este planalto, sua altitude média é de 600m, podendo passar dos 1000m nos pontos mais elevados. A estrutura geológica predominante é a cristalina, sendo responsável, junto com o clima semi-árido, por formações abruptas (pedimentos e pediplanos).
No Sertão as cotas altimétricas decrescem em direção ao Rio São Francisco, formando, em relação ao Planalto da Borborema uma área de depressão relativa. As formações geomorfológicas predominantes são os inselbergues, serras e chapadas, estas últimas aparecendo em áreas sedimentares. 

Figura 3:As cores e sua variação representada na figura simulam as variações das cotas altimétricas presente no Planalto da Borborema em relação ao nível do mar. A linha em cor azul os limites da territorialidade do Oceano Atlântico. As cotas altimétricas estão representadas por cor e nível de altitude. As cotas de 900 e 1000 metros em cor vermelha distribuídas em locais específicos, nesse caso exemplificam as colinas do morro do Magano no município de Garanhuns, são hoje os antigos testemunhos de pediplanos do período geológico denominado pleistocênico, cognominados hoje de Pd3 e realçadas pelos pediplanos mais recente e de cotas mais baixas. As cotas em tom verde claro e amarelo que variam entre 800-500 são superfícies pediplanas exaltadas no pleistoceno denominadas de Pd2 e predominam em partes do sertão e principalmente no agreste; são as elevações denominadas Pd3 e Pd2 locais onde se encontram os brejos de altitudes; por fim o Pd1 que vai de 40 metros até 500; as demais cotas são partes dos sedimentos denominados Barreira e acumulação e sedimentação litorânea ou praias representadas pela cor verde piscina. Fonte: Embrapa, 2012.


Localização dos Brejos de Altitude
                                                                                              
De acordo com Vasconcelos Sobrinho (1971), existem 43 brejos na floresta Atlântica nordestina, distribuídos nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, cobrindo uma área de pelo menos 18.589 km2. Somente Pernambuco e Paraíba possuem 31 brejos, distribuídos em 28 municípios do agreste e sertão (quadro 02). Assim, pelo menos 1/4 da área de distribuição original da floresta Atlântica nordestina é representada pelos brejos de altitude.

Estados
N° de Brejos
Área Floresta em Km²
%
Ceará
11
6.596,5
35,48
Rio Grande do Norte
5
1.147,5
6,18
Paraíba
8
6.760
36,37
Pernambuco
23
4.850
21,97
Total
47
18.589
100
 Quadro 1.Localização dos Brejos no Nordeste do Brasil.

Localização e tipologia do brejos Pernambucanos

Localização dos brejos de Pernambuco
Nome
Tipo
Localização
Coordenadas
Triunfo
Exposição a barlavento
Triunfo
7° 49’, 38° 6’
Tacaratu
Altitude
Tacaratu
9° 05’, 38° 7’
Mimoso
Fundo de vale a barlavento
Arcoverde
8° 25’, 37° 2’
Serra das Varas
Exposição a barlavento
Arcoverde
8° 25’, 37° 2’
Taquaritinga
Altitude
Taquaritinga
7° 54’, 36° 1’
Serra dos Cavalos
Altitude
Caruaru
8° 16’, 35° 58’
Gravatá
Altitude
Gravatá
8° 12’, 35° 32’
Bezerros
Altitude
Bezerros
8° 19’, 36° 25’
Camocim S. Felix
Altitude
C. S. Félix
8° 21’, 35° 45’
Agrestina
Altitude
Agrestina
8° 27’, 35° 56’
Catimbau
Pernambuco
Buíque
8° 37’, 37° 8’
Cabo do Cambo
Exposição a barlavento
Buique
8° 37’, 37° 9’
São José
Pernambuco
Moxotó
8° 43’, 37° 31’
Serra Negra
Exposição a barlavento
Bezerros
8° 13’, 35° 46’
Serra Negra
Exposição a barlavento
Floresta
8° 36’, 38° 34’
Serra Olho d’Água
Pernambuco
Belo Jardim
8° 19’, 36° 25’
Serra do Vento
Pernambuco
Belo Jardim
8° 19’, 36° 25’
Serra do Genipapo
Pernambuco
Sanharó
8° 21’, 36° 32’
Serra de Ororubá
Exposição Barlavento
Pesqueira
8° 19’, 36° 46’
Poção
Altitude
Poção
8º11’, 36º42’
Serra do Comunati
Altitude
Águas Belas
9° 5’, 37° 7’
Serra do Arapuã
Pernambuco
Floresta
8° 36’, 38° 34’
Serra do Araripe
Altitude
Exu
7° 30’, 39° 43’
Quadro 2: Brejos Pernambucanos; Autor: Natalicio de  Melo, 2014.

A mudança de função nos Brejos
As condições privilegiadas dos brejos de altitude do passando e ainda mantidas em parte no presente aida mantem pecuaristas e agricultores, que, através da criação de gado e do desenvolvimento de lavouras permanentes, como as de banana, café e citros, entre outras, circundadas por lavouras temporárias, como as de hortaliças, mandioca, milho e feijão, constituem ainda hoje parte da base da estrutura socioeconômica desse setor, esse dotado de elementos naturais presente hoje em floresta Atlântica.
Segundo Lins (1989), a população dos brejos era distribuída de forma desproporcional entre proprietários, arrendatários, parceiros e ocupantes, sendo, em sua maioria, constituída por analfabetos ou semianalfabetos que manejavam a terra por meio de técnicas tradicionais, reduzindo a produtividade. Segundo a autora, boa parte da população era subnutrida, enfrenta desemprego sazonal (durante as entressafras) e tem difícil acesso aos principais serviços básicos, situação muito diferente das que encontramos hoje.
De fato os espaços de Brejos de modo geral tiveram  no passado próximo uma enorme importância para economias locais, período em que as redes principalmente rodoviárias eram precárias tornando a ligação entre as cidade muito tênue, nessa condição a trocas de objetos eram ineficientes, de modo eram as regiões dominava as cidades, ao contrário de hoje inseridos na modernidade onde as cidades dotadas de redes das mais diversas exercem um domínio no entorno e fazem a regiões.
Gilberto Osório quando estudando os brejos elucidando as condições de ausência de redes e privilegio dos brejos afirmou: “(...) se feira terminou, quando desmancha as barracas e os toldos, vê-se os feirantes com os seus burros, e caixas, e balaios, rumando estrada a fora de regresso aos celeiros escondidos, são os Brejos” (OSÓRIO,1964). Hoje apenas algumas dessas feiras regionais mantem como importante, o mesmo se pode dizer das formas de produção, conservação armazenamento, e principalmente transporte.
Foi no passado ao sopé das serras de Brejo, que se desenvolveram-se muitas povoações ou situaram-se mesmo dentro de suas áreas, quando suficientemente amplas. Deste modo, os brejos constituíam de fato pólos de desenvolvimento e alimentava as cidades, foram eles os criadores da civilização agrícola da caatinga.
Hoje embora dotados das mesmas condições naturais, não são mais capazes de alimentar as cidades, e sua produção fica muito aquém das necessidades, deve-se considerar os impactos ambientais que já são bastante marcantes.
A modernidade reduziu quase que totalmente suas funções, modificando assim o sua produção, a importância das trocas, e seu alcance regional a uma condição periférica no sistema capitalista. Hoje a agricultura moderna com irrigação, controle produtivo e mercado abrangente sob a égide das grandes corporações  de comercio agrícolas atuam sobre as redes, cidades e consequente os brejos, que agora se ver a consumir as técnicas advindas das cidades, como é o caso das sementes, técnicas de cultivas, máquinas e interferência nos preços. 
Um outro exemplo claro dessas mudanças espaciais considerando a escala temporal e a presença de condomínios de luxo, hotéis fazenda e outras atividades que priorizam a exploração não da sua capacidade produtiva, mas sim das sua potencialidades naturais e turísticas.
Segundo Manoel Correia de Andrade (1968) os brejos quando centro de desenvolvimento econômico apresentava duas paisagens naturais que deram origem naturalmente, as formas de povoamento, de exploração do solo e de paisagens culturais. Assim, nos planaltos existiam em geral grandes propriedades dedicada a pecuária extensiva de bovinos, caprinos e ovinos e à cultura do algodão.
Nas serras a paisagem era bem diversa, e o povoamento desses ambientes foram mais recente, pois os primeiros povoadores do sertão poucos numeroso e preocupados com a pecuária só as procuravam nas épocas de seca e às vezes para fazer pequenos roçados de lavoura de subsistência. Foi nesses ambientes  que  se refugiavam também, nos dois primeiros séculos, os indígenas, que só perderam o domínio das mesmas após a demorada Guerra dos Bárbaros.
Esses brejos também se especializam-se sobre tudo na cultura do café e da cana-de-açúcar para produção da rapadura e aguardente: nos últimos anos, porém, impossibilitados de competir com os produtos oriundos de áreas melhor localizadas, vem evoluindo para a policultura, desenvolvendo o cultivo de milho, do arroz e do feijão ao lado dos produtos tradicionais. (CORREIA, 1968, p.113-5).

 Degradação nos Brejos

Pesquisa cientifica sobre brejos, realizadas na década de 60 pelo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, coordenadas por Gilberto Osório de Andrade e Rachel Caldas Lins, resultaram em monografias, publicadas sob mote comum de As “ilhas” úmidas do agreste e do sertão. Andrade & Lins (1980), fazem importante referência sobre a função de fornecedor de alimentos exercida pelos brejos, isto é, tanto nas cidades agrestinas quanto nas sertanejas, chegando inclusive a denominá-los como celeiros de alimentos.
Por conta dessas condições oferecidas, Pernambuco era considerado um Estado privilegiado possuindo cerca de 22 importantes brejos (ANDRADE & LINS, 1980, p.2; VASCONCELOS SOBRINHO; 1970, p.83). Melo (1958, p.58), endossa a afirmação sobre essa função espacial exercida pelos brejos, quando afirmou que embora as cidades não fossem filhas dessas manchas úmidas escondidas, delas se nutriam.
Como afirmamos em momentos anteriores os brejos ainda exercem a função econômica tênue de fornecedor de alimentos, principalmente de origem escalar espacial. Sabe-se, porém, é que esse objeto espacial não vai deixar de ser brejo, pois as características físicas definidoras que lhe são atribuídas independem de sua função econômica. O que ocorre é apenas a mudança de função econômica, pelo menos em teoricamente. Exemplo dessa mudança pode ser observado no decreto lei nº. 4.340 de 22/08/02, que atribui ao antigo Brejo do Catimbau e áreas de adjacências uma nova função, a de Parque Nacional associado à proteção ambiental, pesquisas cientificas, e atividades turísticas, condição que requer sua preservação.
Na verdade, os objetos espaciais tendem a mudar de função, e isso decorre da evolução permanente do espaço geográfico. Tal evolução resulta da ação de fatores externos e internos. Assim, a introdução de uma nova estrada, a chegada de novos capitais, ou mesmo a imposição de novas regras (preços, moeda, impostos etc.) ‘tendem a levar às mudanças espaciais, do mesmo modo que a evolução norma das próprias estruturas, isto é, sua evolução interna, conduz igualmente a uma evolução ou mudança de função’ (SANTOS,1985,p.13).
Santos (1985, p.13) afirma:“na medida em que a economia se amplia e que relações entre as variáveis passam a se dar, não apenas em escala local, mas a escalas espaciais, cada vez mais amplas e complexas”, assim, “o pequeno lugar, na mais distante fração do território, passa a ter influências de outros lugares, de onde vem matéria-prima, capital, mão-de-obra, ordens, e recursos diversos”. Dessa forma, “o papel regulador das funções tende a escapar”, ‘(...) é aquilo que se poderia chamar sociedade local, passando a cair nas mãos de outros centros de decisão longínquas e estranhas às sua finalidade local’. Essa afirmação de Santos (1985) faz pensar particularmente no caso do brejo do Catimbau e a função que ele exercida no passado e, a sua atual condição de parque.
            Os brejos poderiam foram considerados como unidades superiores de recursos naturais renováveis; megassistemas, se aceitos como complexos harmônicos resultantes de unidades menores que mutualmente se condicionem: solo, clima, água do solo, vegetação e fauna. E, como tal, são duplamente vulneráveis: em cada um dos seus componentes e no seu todo (SOBRINHO, p84 e 85. 1970).
            Sobrinho já na década 70 percebeu um fato que é constatado pelos estudiosos exemplos de constatação dos primeiros impactos ambientais, mostrava já naquela época o extremo grau de degradação presente nos brejos: uns poucos, embora apareçam férteis, já não possuem as condições primitivas de produtividade que ofereciam aos primeiros ocupantes. Por conta desses impactos já esperava uma progressiva decadência em sua produtividade; em sua capacidade como centros de abastecimento das áreas que lhe eram dependentes: eles próprios cada vez mais densamente povoados, diminuindo suas áreas de cultivo.
            Hoje tendo em vista as potencialidades do solo de grande parte da florestas nordestina, incluindo os brejos, tem sido convertida em terras agricultáveis (Viana et al. 1997); as reservas naturais são pequenas e mal manejadas (Dias et al. 1990, Lima & Capobianco 1997) e a caça de subsistência é praticada de forma generalizada (ALMEIDA ET AL. 1995). De acordo com Ranta et a, (1998), grande parte do que restou desta floresta é composta por arquipélagos de fragmentos florestais, a maioria deles com menos de 10 hectares de área. Mesmo em áreas protegidas, a ausência de grandes vertebrados é a regra (TABARELLI, 1998).

Tipos de Vegetação
Vegetação original (Km²)
Vegetação remanescente (Km²)
% do total
Formação pioneiras
4.739,06 (6,1%)
707,33
14,9

Áreas de tensão ecológica
  33.684,03 (43,8 %)
1.465,56
4,35

Fl. Estacional semidecidual
17.677,5 (22,9)
1.942,7
10,9

Fl. ombrófila Densa                       
6.122,01 (7,9%)                   
277,9
4,5

Flombrófila aberta                       
14.715,86 (20,5%)
1.499,62               
10,19

Total
76.938,46
5.983,1     
7,6
Quadro 03: Na tabela acima apresentam-se os tipos de vegetação e vegetação remanescente na floresta Atlântica nordestina. Na primeira coluna encontram-se os tipos de vegetação da floresta Atlântica, onde se percebe cinco sub-tipos de vegetação Atlântica; já na segunda coluna se enfatiza a quantidade total em Km² de cada sub-tipo de vegetação Atlântica e suas áreas em percentagem; na terceira coluna encontra-se a quantidade dos remanescentes em Km² dos sub-tipos da vegetação Atlântica e na quarta coluna o percentual dos remanescentes dos sub-tipos de floresta Atlântica; por fim na última linha o total do quantitativo de cada coluna. Fonte: SOS Mata Atlântica (1993), IBGE (1985).

Lins em 1989, já advertia que de forma mais sistemática, os brejos vinham sendo convertidos em lavouras de café, banana e culturas de subsistência, como milho, feijão e mandioca, desde o século XIX. Tais atividades vinham representando perda e fragmentação de habitats, extração seletiva de plantas (e.x, madeiras, bromélias, plantas medicinais) e eliminação de grandes vertebrados pela caça (VASCONCELOS SOBRINHO 1971, SILVA & TABARELLI 2000). Sobrinho (1971) relata a existência de extensas florestas dominadas por cedro (Cedrelafissilis Vell Meliaceae) que sucumbiram devido à exploração madeireira na década de sessenta.
Na verdade, as grandes maiorias das principais cidades situadas na região do semiárido nordestino estavam situadas nas áreas de brejo, que ainda constituíam celeiros agrícolas (LINS, 1989), embora hoje ainda sejam importante na escala local. O “refúgio das plantas” também foram tido como um refúgio para as populações humanas pobres do semiárido nordestino.
Estudos atuais apontam que atualmente, restam 2.626,68 km² da vegetação original dos brejos (Tabela 4), a qual já representou, pelo menos, 18.500 km² de florestas semideciduais e ombrófilas abertas. Estes 2.626,68 km² de vegetação incluem também mosaicos com vegetação de cerrado e de caatinga (e.x, Chapada do Araripe, Ibiapaba), não discriminados no mapa de remanescentes (SOS MATA ATLÂNTICA, 1993).
O valor da vegetação remanescente torna os brejos o setor mais ameaçado da floresta Atlântica brasileira, embora não seja possível estabelecer o quanto este valor representa em termos da área ocupada pela vegetação original, para a qual não há estimativas. Um outro setor ameaçado é a floresta Atlântica nordestina costeira (que se estende de Alagoas ao Rio Grande do Norte), que possui 3.197,62km² de floresta, mangues e restingas (5,6% da área de distribuição original, SOS Mata Atlântica 1993).

Tipos de vegetação              remanescente
Área de vegetação remanescente (km²)
% Vegetação

Áreas de tensão ecológica
872,86
33,2      
Fl. estacional semidecidual
1.057,94
40,3
Fl ombrófila aberta
695,88
26,5
Total
2.626,68
100
Quado 04. Nessa tabela encontramos os sub-tipos de vegetação remanescente nos brejos de altitude do Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco). Na primeira coluna temos os sub-tipos de remanescentes  vegetação nos brejo de altitude; na segunda coluna a área em Km²  remanescente dos sub-tipos de vegetação dos brejos de altitude; na terceira e última coluna o percentual de cada vegetação remanescentes e por fim na última linha o total em Km e Percentagem das vegetações remanescentes nos Brejos de Altitude. Fonte: SOS Mata Atlântica (1993), IBGE (1985).   


REFERENCIAS
Ab’Sáber, Aziz Nacib. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas / Aziz Ab’ Sáber. – São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.
ANDRADE-LIMA, D. de. 1960. Estudos fitogeográficos de Pernambuco. Arquivos do Instituto de Pesquisa Agronômicas, v. 5, p. 305-341.
ANDRADE-LIMA, D. 1961. Tipos de floresta de Pernambuco. Anais da Associação dos GeógrafosBrasileiros 2:69-85.

ANDRADE, Gilberto Osório de, Lins, Raquel Caldas – Introdução ao estudo dos Brejo Pernambucanos, outubro de 1964.
ANDRADE, Gilberto Osório de, 1912. O “Brejo” da Serra das Varas( Arcoverde) por - Gilberto Osório de Andrade e Raquel Caldas Lins. Recife – Universidade Federal de Pernambuco – Imprensa Universitária – 1966. 20 p ilust.
EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ).
Sistema brasileiro de classificação de solos. – Rio de Janeiro : EMBRAPA-SPI, 2009.  xxvi, 412p. : il.

INSERÇÃO DE DADOS ALTIMÉTRICOS NA DIFERENCIAÇÃO DE TIPOS FLORESTAIS EM BREJOS DE ALTITUDE, Universidade Federal de Pernambuco – UFPE Pós-Graduação em Ciências Geodésicas e Tecnologias da Geoinformação- DECART;  Universidade Federal de Pernambuco – UFPE Centro de Tecnologia e Geociências, Departamento de Engenharia Cartográfica

LINS, Raquel Caldas coord. Áreas de exceção do agreste de Pernambuco. Recife, SUDENE/PSU/SRE, 1989, 402 p. mapas (Brasil. SUDENE, estudos regionais, 20).
SOBRINHO, Vasconcelos. As Regiões Naturais do Nordeste. Recife, Conselho de Desenvolvimento de Pernambuco. 1970.

TABARELLI, M. 1998. Dois Irmãos: o desafio da conservação biológica em fragmento de floresta tropical. Pp. 311-323, in: MACHADO, I.C., A.V. LOPES & K.C. PÔRTO (orgs.) Reserva Ecológica de Dois Irmãos: estudos em um remanescente de Mata Atlântica em área urbana (Recife _ Pernambuco _ Brasil). Editora Universitária da UFPE, Recife.


Silva, Henágio José da. Impactos da Seca  Sobre a Produção Agrícola no Brejo de Altitude: O Caso da Comunidade do Amaro do Município do Brejo da Madre de Deus - Pe. Belo Jardim, o Autor, 2013.  Orientador: Natalicio de Melo Rodrigues.FABEJA- BELO JARDIM -PE. 2013.


*TEXTO EXTRAIDO DE TCC DE GEOGRAFIA CURSO PÓS-GRADUAÇÃO: IMPACTOS DA SECA  SOBRE A PRODUÇÃO AGRÍCOLA NO BREJO DE ALTITUDE: O CASO DA COMUNIDADE DO AMARO DO MUNICÍPIO DO BREJO DA MADRE DE DEUS - PE . ORIENTANDO:   HENÁGIO JOSÉ DA SILVA, ORIENTADOR: DR. NATALICIO DE MELO RODRIGUES








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Inselberg do Espinho Branco

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