sábado, 17 de outubro de 2020

O que é a pedagogia Paulo Freire e por que ela incomoda ala conservadora.

 

O que é a pedagogia Paulo Freire e por que ela incomoda ala conservadora.

Luiza Pollo
UOL.COM
17/10/2020 

"Paulo Freire primeiro lê o mundo para depois ler a palavra", diz a professora Targélia de Souza Albuquerque. Integrante da Cátedra Paulo Freire na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e sócia-formadora do Centro Paulo Freire, Albuquerque defende que não podemos falar apenas em um "método", mas sim em uma "pedagogia Paulo Freire". Isso porque os ensinamentos e o legado do educador vão bem além de uma fórmula de alfabetização — e podem servir de reflexão até mesmo durante a pandemia. 


O debate em torno do tema é perene, mas ganha os holofotes de tempos em tempos. Seja quando o governo federal coloca o projeto da Escola Sem Partido em pauta, seja no Carnaval do sambódromo do Anhembi, onde a Águia de Ouro desfilou sob um samba-enredo que citava o patrono da educação brasileira. No próximo ano, devemos ouvir falar ainda mais dele, já que em setembro de 2021 será comemorado seu centenário. Mas em que, exatamente, consiste essa pedagogia e por que ela é alvo de disputa?

Quem foi Paulo Freire. Nascido em 19 de setembro de 1921 no Recife (PE), estudou Direito na universidade que hoje conhecemos como UFPE e, no entanto, nunca exerceu a profissão. Freire se dedicou à pedagogia e à filosofia desde cedo, e no fim da década de 1940 já era diretor do setor de educação e cultura do Sesi (Serviço Social da Indústria), além de dirigir o Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco. Trabalhava com analfabetos em situação de pobreza, realidade que conhecia desde criança, quando se mudou com sua família para Jaboatão dos Guararapes, ao sul de Recife, com a crise do café de 1929.

 "Ele, que tinha tido uma infância de classe média até então, vai entender o que é fome, o que é pobreza, qual a dificuldade que uma criança tem ao chegar à escola sem ser alimentada, não ter as condições necessárias", relata Albuquerque. Somando experiência de vida a estudo e trabalho com pessoas de baixa renda que não sabiam ler nem escrever, Freire desenvolve um método de alfabetização que leva em conta a vivência e o contexto do aluno.

O método. Em 1963, Paulo Freire colocou em prática sua primeira grande experiência no ensino da língua portuguesa a partir de uma nova metodologia. Em 45 dias, ensinou 300 alunos a ler e escrever na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte. O método consiste nas seguintes etapas, que pressupõem sempre uma troca entre professor(a) e aluno -- "ensina-se com, e não para", ressalta Albuquerque: 
1. Investigação: entender o universo vocabular do aluno; 
2. Tematização: compreensão dos significados sociais dos temas e palavras;
3. Problematização: provocação para que o aluno esteja em constante questionamento e crítica do mundo. 

O educador ou a educadora começa o contato com os alunos de maneira informal, para entender seu universo e ensinar a língua escrita a partir de um vocabulário já conhecido. Inicialmente, são selecionadas por volta de 20 palavras que servem como base para o ensino das sílabas e, posteriormente, o enriquecimento do vocabulário. Um exemplo clássico é o da palavra, tijolo. Pelo método, o aluno aprenderia a dividi-la em sílabas da seguinte maneira: ta te ti to tu - ja je ji jo ju - la le li lo lu. Ao ver as sílabas escritas, um aluno teria identificado sozinho uma nova combinação: ta te ti to tu - ja je ji jo ju - la le li lo lu. Tu já lê. 

Quem conta essa história é Alípio Casali, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), onde trabalhou ao lado de Paulo Freire até a morte do educador, em 1997.

Aspecto social. Fator essencial da pedagogia de Paulo Freire é a associação desse aprendizado técnico a discussões sobre o significado social das palavras apresentadas. "A palavra liberdade, dependendo das mãos de quem a tem, é utilizada num sentido ou em outro", exemplifica a professora da UFPE. Casali ressalta que o método em si era voltado apenas para adultos, pessoas que já tinham experiência de vida e, portanto, poderiam fazer essas reflexões sobre suas condições.

"O processo de alfabetização tem que realizar a função política, de apropriação da própria vida, história e experiência. Agora, a pessoa vai dispor do manejo da linguagem para compreender seu próprio mundo dali para trás, a sua situação presente e projetar um futuro no qual ele seja livre", descreve Casali.

Estimular a pergunta, a reflexão crítica sobre a própria pergunta, o que se pretende com esta ou com aquela pergunta em lugar da passividade, face às explicações discursivas do professor, espécies de respostas a perguntas que não foram feitas. (...) O fundamental é que professor e alunos saibam que a postura deles, do professor e dos alunos, é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto falam ou enquanto ouvem. O que importa é que professor e aluno se assumam epistemologicamente curiosos. Paulo Freire, "Pedagogia da autonomia" (1996).

Capa do Livro Pedagogia da Autonomia editado pela Paz e Terra.Fonte:Google.com

Legado. A metodologia em si é apenas um dos aspectos da pedagogia Paulo Freire, ressalta Casali. Ao longo do tempo, estudos em neurociência e linguística foram capazes de desenvolver novos métodos de alfabetização, superando assim a silabação aplicada por Freire. "Tecnicamente falando, essa metodologia de alfabetização está superada, embora ainda funcione. Se alguém aplicar, vai funcionar. Mas há outros recursos mais avançados", diz o professor da PUC-SP. Isso não significa que a pedagogia de Freire esteja superada. A questão central do trabalho do educador não era criar um novo recurso instrumental de acesso à leitura e à escrita. Mais do que isso, era relacionar esse processo com a conscientização, explica Casali. Portanto, independente do método, as ideias de Paulo Freire seguem sendo aplicadas na educação, mesmo que sua metodologia não faça parte dos currículos.

Política. Por englobar o contexto social e provocar questionamentos, a pedagogia de Freire é inerentemente política. "A educação é um ato político e a política é um ato educativo", avalia a pesquisadora da UFPE, sobre o trabalho do educador. "Qual é a educação que a escola vai desenvolver, vai se comprometer? É uma educação que castra, conteudista, verbalista, que burocratiza mentes, que domestifica crianças e adolescentes? Ou uma educação relacional, que garante que o jovem se reconheça como sujeito participando da sua história, do seu mundo?" O viés anti conservador faz com que a crítica a Freire venha principalmente de grupos mais à direita. "Há uma disputa política muito pesada para desqualificá-lo. A questão da validade da metodologia é muito usada nesse sentido, para anulá-lo no vigor político que sua proposta tem", avalia Casali.

Programa Nacional de Alfabetização (PNA).Em janeiro de 1964, o então ministério da Educação e Cultura instituiu um programa para "coordenar os movimentos de educação de base e/ou alfabetização de adultos e adolescentes que vinham-se multiplicando em todo o país a partir de 1961", relata o CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil), da FGV (Fundação Getulio Vargas). A ideia era alfabetizar inicialmente quase 2 milhões de adultos, correspondendo a quase 9% da população analfabeta da época, quando isso ainda era um impeditivo para votar. Em março, Paulo Freire foi nomeado para coordenar o projeto, já que havia criado o método de alfabetização usado no programa.  o PNA foi extinto pela ditadura militar. Freire foi preso por 70 dias e, depois, ficou exilado até 1980.
Educador brasileiro foi preso por mais de 70 dias durante o regime militar sob a justificativa de doutrinação marxista. 

Internacional. Nos anos de exílio, Freire ficou conhecido pelo mundo, tornando-se inclusive professor da Universidade de Harvard. Uma de suas obras mais conhecidas, "Pedagogia do Oprimido", foi finalizada no Chile em 1968, publicada nos Estados Unidos em 1970 e, no Brasil, apenas em 1974. Segundo um estudo de 2016, o livro é a terceira obra acadêmica mais citada em trabalhos de ciências humanas no mundo. Entre outras menções internacionais, ele tem ao menos 35 títulos de Doutor Honoris Causa em universidades pelo mundo. Da Finlândia à África do Sul, há quem diga que Paulo Freire é mais reconhecido lá fora do que no Brasil. Aqui, ele é considerado Patrono da Educação Brasileira 2012, quando foi sancionada a Lei nº 12.612. Após o exílio, foi professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da PUC-SP, além de se filiar ao PT e atuar no partido e na prefeitura de São Paulo até o início da década de 1990.

 Veja mais em https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/10/17/o-que-e-a-pedagogia-paulo-freire-e-como-ela-supera-a-alfabetizacao.

sábado, 8 de agosto de 2020

ATENTADO A DEMOCRACIA NO BRASIL

 

VOU INTERVIR!

O dia em que Bolsonaro decidiu mandar tropas para o Supremo

por MONICA GUGLIANO
           
                           

Fonte: Google.com

A a temperatura em Brasília não passou de 27ºC naquela sexta-feira, mas o ambiente estava tórrido no gabinete presidencial, no Palácio do Planalto. Ainda pela manhã, Jair Bolsonaro fora informado que o ministro Celso de Mello, o decano do Supremo Tribunal Federal, consultara a Procuradoria-Geral da República para saber se deveria ou não mandar apreender o celular do presidente e do seu filho Carlos Bolsonaro. Era uma formalidade de rotina, decorrente de uma notícia-crime apresentada por três partidos, mas a mera possibilidade de que seu celular viesse a ser apreendido deixou Bolsonaro transtornado. No seu gabinete, a reunião das 9 horas começou com um pequeno atraso. Estavam presentes dois generais: o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, e o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. O terceiro general a participar do encontro, Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, achando que aquele 22 de maio de 2020 seria um dia tranquilo, marcara uma consulta médica na parte da manhã. Foi o último a chegar à reunião. Agitado, entre xingamentos e palavrões, o presidente saiu logo anunciando sua decisão:

Vou intervir!disse.

Bolsonaro queria mandar tropas para o Supremo porque os magistrados, na sua opinião, estavam passando dos limites em suas decisões e achincalhando sua autoridade. Na sua cabeça, ao chegar no STF, os militares destituiriam os atuais onze ministros. Os substitutos, militares ou civis, seriam então nomeados por ele e ficariam no cargo “até que aquilo esteja em ordem”, segundo as palavras do presidente. No tumulto da reunião, não ficou claro como as tropas seriam empregadas, nem se, nos planos de Bolsonaro, os ministros destituídos do STF voltariam a seus cargos quando “aquilo” estivesse “em ordem”. A essa altura, ele já tinha decidido também que não entregaria seu celular sob hipótese alguma, mesmo que tivesse que descumprir uma ordem judicial. “Só se eu fosse um rato para entregar meu celular para ele”, disse, fazendo uma comparação que voltaria a usar, em público, no transcorrer do dia.

Vou intervir! – repetiu.

Apesar da extrema gravidade do anúncio, o general Luiz Eduardo Ramos, amigo de Bolsonaro há mais de quatro décadas, recebeu bem a intenção do presidente de partir para um confronto de desfecho catastrófico. Achava que intervir no Supremo era, de fato, a única forma de restabelecer a autoridade do presidente, que vinha sendo abertamente vilipendiada pelo tribunal. No seu raciocínio, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que proibira a posse de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, já tinha sido um abuso inaceitável. Braga Netto e Augusto Heleno concordavam que Moraes fora longe demais. Também achavam que a decisão do ministro fora uma interferência inadmissível em ato soberano do presidente, mas tinham dúvidas sobre a forma e as consequências de uma intervenção. A certa altura, o general Heleno tentou contemporizar e disse ao presidente:

Não é o momento para isso.

piauí reconstituiu os detalhes da reunião com quatro fontes que pediram anonimato para não contrariar o presidente. Duas delas testemunharam a reunião. O clima era tenso, as pessoas entravam e saíam do gabinete presidencial, enquanto os garçons, aparentemente alheios ao ambiente carregado, serviam água e café preto, com as opções de açúcar, adoçante ou leite em pó. Entre a decisão de Bolsonaro de intervir no STF e o conselho apaziguador de Heleno, deu-se um debate sobre como a intervenção poderia acontecer legalmente. Apesar da brutalidade autoritária de uma intervenção, havia a preocupação de manter as aparências de uma medida dentro da lei.
A reunião prolongou-se e acabou se fundindo com a reunião seguinte, prevista para as 10 horas na agenda presidencial. Os participantes do compromisso das 10 horas – os ministros André Mendonça (Justiça) e Fernando Azevedo (Defesa), além de José Levi, titular da Advocacia-Geral da União – se incorporaram à discussão de como dar legalidade a uma eventual intervenção. A conversa girou em torno do artigo 142 da Constituição.

No dia 28 de maio, o jurista Ives Gandra da Silva Martins, de 85 anos, publicou um artigo no Consultor Jurídico, um site de notícias jurídicas. O título do artigo já mostrava a tese central: Cabe às Forças Armadas Moderar os Conflitos entre os Poderes. O jurista dizia que o artigo 142 da Constituição permite que qualquer dos três poderes, caso se sinta “atropelado por outro”, peça que as Forças Armadas “ajam como poder moderador” com o objetivo de restabelecer “a lei e a ordem”. A ideia do jurista não era propriamente uma novidade, mas a publicação do artigo ajudou a dar visibilidade a uma tese que já circulava no meio militar e, nos últimos tempos, vinha aparecendo nas manifestações que a militância bolsonarista promove habitualmente contra o Congresso e o Supremo.

A interpretação de que as Forças Armadas têm o papel equivalente ao de um “poder moderador” encontra terreno nos clubes militares e entre oficiais da reserva, mas costuma ser rechaçada pelo alto-comando das armas. Em 2016, o professor Dehon Padilha Figueiredo, do Quadro Complementar de Oficiais do Exército, e o oficial do Exército Renato Rezende Neto publicaram um estudo jurídico cujo título é o seguinte: Direito Operacional Militar: Análise dos Fundamentos Jurídicos do Emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem. O estudo se encarrega de mostrar que o papel moderador da Forças Armadas está na combinação de quatro artigos da Constituição: 34, 136, 137 e 142. “Fica claro que a função primordial das Forças Armadas é garantir os poderes constitucionais, inclusive a independência entre eles”, disse Figueiredo, um dos autores do estudo, em conversa com a piauí. “Se houver algum risco de quebra dessa ordem, o chefe do poder que se viu atingido pode requerer uma intervenção.”

O estudo, embora realizado em 2016, só foi publicado em janeiro passado e, desde então, começou a circular no Palácio do Planalto e nos grupos de WhatsApp de reservistas que defendem uma saída autoritária. A combinação dos quatro artigos chegou a ser mencionada na reunião com Bolsonaro, para mostrar que haveria um respaldo constitucional na intervenção. Nessas franjas militares, é antiga a tese de que a Constituição submete o poder civil ao poder militar. Quando ainda era candidato, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, ao responder uma pergunta hipotética, falou sobre o assunto. Disse entender que, em caso de “anarquia”, a Constituição prevê que o presidente dê um golpe militar em seu próprio favor. “É um autogolpe, você pode dizer isso.”

No meio jurídico, o estudo dos quatro artigos não é conhecido, mas o texto de Gandra Martins disseminou-se rapidamente e causou espanto. Em uma decisão judicial sobre uma ação movida pelo PDT, que pedia um esclarecimento sobre o papel dos militares, o ministro Luiz Fux, do STF, disse textualmente que a missão institucional das Forças Armadas “não acomoda o exercício de poder moderador”. O ministro Gilmar Mendes disse que, para confundir a missão dos militares com a de poder moderador, é preciso percorrer “uma distância abissal”. O ministro Luiz Roberto Barroso, em outra decisão, classificou a interpretação dos defensores da intervenção militar como “terraplanismo constitucional”. “Esse poder moderador que o presidente confere às Forças Armadas não existe”, disse um graduado general, que pediu para ficar anônimo porque os militares da ativa não podem emitir opiniões políticas. “Você não vai encontrar essa função em nenhum livro ou manual das escolas militares.”

Entre os militares da reserva, estão os saudosos da ditadura militar. Eles defendem a radicalização do governo, inclusive com a adoção de medidas de exceção. A situação é outra entre os atuais comandantes, que têm tropa e poder. Esses querem distância da polarização política e rejeitam qualquer hipótese de intervenção militar. Nos três últimos meses, enquanto Bolsonaro minimizava a pandemia e apoiava manifestações radicais na frente de quartéis, as três forças – Marinha, Exército e Aeronáutica – se encarregaram de adotar um comportamento oposto, participando das ações de combate à Covid-19. No mesmo dia em que Bolsonaro fez pronunciamento na tevê dizendo que a pandemia era um problema sério na Itália, mas não no Brasil, o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, publicou um vídeo dizendo que a crise sanitária “talvez seja a missão mais importante de nossa geração”.

 Dois argumentos ajudaram a acalmar Bolsonaro na reunião. O primeiro: não havia ordem para apreender seu celular, apenas uma consulta do ministro do STF, de modo que ainda havia a possibilidade de que a apreensão não ocorresse. (De fato, dez dias depois, Celso de Mello arquivou o pedido de apreensão, mas, em sua decisão, fez questão de mandar um recado ao presidente, dizendo que o descumprimento de uma ordem judicial “configuraria gravíssimo comportamento transgressor”.) O outro argumento: o governo daria uma resposta contundente ao STF na forma de uma nota pública. Combinou-se na reunião que o general Heleno assinaria a nota. Além de concordar com a queixa de Bolsonaro segundo a qual a Corte Suprema estaria ferindo a independência entre os poderes, Heleno é responsável pela proteção física e pela defesa do presidente. Ficou acertado que a apreensão do celular do chefe do Executivo poderia ser considerada uma forma de atentado, não físico, mas contra a sua autoridade.

A Nota à Nação Brasileira, escrita pelo próprio general Heleno e divulgada no início da tarde daquela sexta-feira, veio em tom pesado. O general disse que o pedido de apreensão era “inconcebível e, até certo ponto, inacreditável” e consistia em “uma afronta à autoridade máxima” do presidente. Encerrava o texto curto com um aviso ameaçador: “O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República alerta as autoridades constituídas que tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional.”

A nota ajudou a serenar os ânimos de Bolsonaro, mas atiçou os ânimos do país. Seu tom foi duramente criticado por políticos e juristas. Nos dias seguintes, general Heleno recebeu aplausos de organizações militares e dos seus colegas de turma da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), que lançaram uma nota alarmista, alertando para o risco de “guerra civil” e acusando os ministros do STF de falta de “decência” e de “patriotismo”. Heleno agradeceu a nota dizendo-se “emocionado”. Dias depois, com a crise do celular já superada pela decisão de Celso de Mello, o general voltou a falar da nota publicamente. Afirmou que, naquele dia, não quis ameaçar ninguém e lembrou que não citara o nome de nenhuma autoridade. No Planalto, assessores disseram que a expressão “consequências imprevisíveis” devia ser interpretada nos seguintes termos: “Tudo pode acontecer, inclusive nada.”

Na tarde daquela mesma sexta-feira, o ministro Celso de Mello autorizou a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, na qual Bolsonaro claramente reclama que suas tentativas de interferir na Polícia Federal para proteger familiares e amigos não vinham obtendo sucesso. A repercussão do vídeo – com seu linguajar rasteiro, os palavrões, as ameaças vulgares – ajudou a elevar a temperatura. A divulgação do vídeo, no entanto, não transtornou Bolsonaro, que já esperava que o sigilo fosse levantado e apostava que, no fim das contas, seu eleitorado até ficaria satisfeito com o conteúdo.

A intervenção foi descartada naquele dia, mas não morreu. Seis dias depois da reunião do golpe, quando Gandra Martins publicou seu artigo, o presidente divulgou uma entrevista do jurista em uma de suas redes sociais. No mesmo dia, inconformado com a operação policial contra seus aliados realizada na véspera, disse: “Acabou, porra! Me desculpem o desabafo. Acabou! Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais.” E prometeu: “Não teremos outro dia igual a ontem. Chega. Chegamos ao limite.” Um dia antes, o deputado federal Eduardo Bolsonaro também abordara o assunto em um vídeo que se encontra no YouTube. Disse que era “inadmissível” o que os ministros Alexandre de Moraes e Celso de Mello estavam fazendo “com a democracia brasileira” e afirmou que já não havia mais dúvida de que haverá uma “ruptura”. Disse ele: “Não é mais uma opinião de ‘se’ mas ‘quando’ isso vai ocorrer.” Eduardo Bolsonaro é aquele que, antes da eleição do pai, disse que bastavam um cabo e um soldado para fechar o STF.

No dia 12 de junho, duas semanas depois do “Acabou, porra”, o próprio presidente retomou, agora em público, a ideia de que as Forças Armadas são superiores ao poder civil. Em resposta à decisão de Fux que esclareceu que os militares não formam um “poder moderador”, Bolsonaro divulgou uma nota dizendo que as Forças Armadas não cumprem “ordens absurdas” e não aceitam “tentativas de tomada de poder por outro poder da República, ao arrepio das leis, ou por conta de julgamentos políticos”. O vice-presidente e o ministro da Defesa assinaram a nota com o presidente. Naquele mesmo dia, veio a público o conteúdo de uma entrevista à revista Veja na qual o general Ramos, da Secretaria de Governo, disse que era “ultrajante” a ideia de que militares estão pensando em golpe e, em seguida, completou com o mais explícito golpismo já externado por um militar no governo: “O próprio presidente nunca pregou o golpe. Agora, o outro lado tem de entender também o seguinte: não estica a corda.”

Em 16 de junho, dia em que o Supremo quebrou o sigilo bancário de onze parlamentares bolsonaristas e a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão contra suspeitos de financiarem ilegalmente atos antidemocráticos, Bolsonaro publicou uma série de dez mensagens numa rede social. Disse que não podia “assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas”, e argumentou que sua luta destinava-se a defender “a Constituição e a liberdade dos brasileiros”.

Com notas ambíguas ou claras, declarações dúbias ou ameaçadoras, o fantasma de uma intervenção militar não se dissipa. Em maio, o próprio general Heleno teve que mandar um áudio no WhatsApp para desmentir uma versão atribuída a um capitão da reserva, Durval Ferreira, segundo a qual o general vinha defendendo um golpe militar. “Boa noite a todos os amigos do Rio Grande Sul. Quem está falando é o general Heleno, daqui de Brasília”, começa o áudio. Na mensagem, que dura 1 minuto e 50 segundos, o general admite que conhece Durval Ferreira – “conheço, mas não é meu amigo” –, mas diz que o capitão não tem autorização para falar em seu nome. “Não penso como ele”, diz o general. “Não acho que haja clima para uma intervenção militar, muito menos para um golpe de Estado.” Heleno afirma que “medidas graves foram tomadas em discordância da Constituição”, mas que, nessa hora crítica, “temos que ter muito juízo”, e encerra pedindo “muita, mas muita prudência”. Durval Ferreira afirma que nunca disse que Heleno pregava um golpe militar.

A decisão do presidente de intervir no STF pode ser vista como intempestiva, tomada no calor da hora, mas é relevante que os anais da história registrem que o presidente do Brasil, numa reunião no palácio na manhã de 22 de maio de 2020, decidiu ocupar o Supremo com tropas – e foi persuadido a desistir da quartelada. Curiosamente, naquele mesmo vídeo no YouTube em que diz que a “ruptura” é só uma questão de tempo, Eduardo Bolsonaro afirma para sua audiência que o Brasil está no caminho de uma ditadura, orquestrada pelo STF, e explica que um regime autoritário não se materializa de um dia para o outro. Constrói-se aos poucos. Para elucidar seu ponto, Eduardo cita então o exemplo da Venezuela e dá a receita: “[Você] dissolve a Suprema Corte, bota todos bolivarianos indicados pelo Hugo Chávez.”
Ditadura, está claro, é só quando o outro dissolve a Suprema Corte.

FONTE:
1.https://piaui.folha.uol.com.br/materia/vou-intervir/

2.https://www.bahianoticias.com.br/noticia/250195-maioria-ve-risco-a-democracia-em-atos-que-pedem-fechamento-do-congresso-e-do-stf.html

quinta-feira, 30 de abril de 2020

A ESCOLA DE ATENAS


 A ESCOLA DE ATENAS

RAFAEL SANZIO

Segundo a Wikipédia Rafael Sanzio nasceu em  Urbino, 6 de abril de 1483, e faleceu em 6 de abril Roma, 6 de abril de 1520, frequentemente referido apenas como Rafael, foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras.

Quando esta obra Escola de Atenas foi pintada o papa Júlio II planejava a reconstrução da Catedral de São Pedro com o arquiteto Bramante, entretanto em 1514, ocorreu a morte do pintor Bramante, assim Rafael foi nomeado o arquiteto papal. O desenho arquitetônico de Rafael utilizando a sóbria ordem dórica, é um belo reconhecimento de sua admiração pelo estilo de Bramante. Na época, Rafael era um artista pouco conhecido de 25 anos, sem muita experiência em pinturas de grandes dimensões e na técnica do afresco.

  Rafael Sanzio por Mario Colavita
  
Durante a pintura em outra sala vizinha realizava-se outra grande encomenda papal: o pintor Michelangelo estava pintando o teto da Capela Sistina. Rafael quando menino foi prodígio, nascido na cidade de Urbino, na Itália central. Em 1504, ao chegar em Florença, tinha apenas 21 anos; contudo, foi logo considerado do mesmo nível que outros dois gigantes da Alta Renascença: Michelangelo, na época com 29 anos, e Leonardo da Vinci, com 52. Rafael teve o patrocínio do papa Júlio II e de seu sucessor Leão X, que em 1514 nomeou Rafael arquiteto papal. Morreu atingido por uma febre no dia 6 de abril (que é também a data de seu nascimento) de 1520, com apenas 37 anos de idade. Rafael junto com Michelangelo e Leonardo da Vinci forma a tríade de grandes mestres do Alto Renascimento.            

PINTURA

A Escola de Atenas (Scuola di Atene no original) é um afresco de Raffaello (1506-151), de 5,00 m x 7,00, exposto no Palácio Apostólico na cidade do Vaticano, é uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Atenas. A pintura já foi descrita como "a obra-prima de Rafael e a personificação perfeita do espírito clássico do Renascença. Foi pintada entre 1509 e 1511 na Stanza della Segnatura sob encomenda do Vaticano. Este aposento era usado como biblioteca; era também o local em que o papa Júlio II (1443-1513) assinava decretos da corte eclesiástica. A importância da obra também está em demonstrar como a filosofia e a vida intelectual da Grécia Antiga foram vistas ao final do Renascimento.


DESCRIÇÃO DA PINTURA
O cenário arquitetônico é imaginário, mas sua escala, magnificência e harmonia representam os ideais da Renascença, que buscava expressar sempre valores sobre-humanos. Há quatro temas (um em cada parede): filosofia, teologia, poesia e direito. A obra abaixo ilustra a filosofia e está repleta de imagens dos maiores expoentes da Filosofia grega Clássica como veremos em detalhe mais adiante.

A figura do primeiro nicho frontal visível à esquerda, observa-se um escultura de homem nu segurando uma lira, é Apolo, deus do Sol, que representa a harmonia e a sobriedade, representa também o estabelecimento filosófico e o poder civilizador da razão. A imagem baseia-se numa escultura de Michelangelo, “O Escravo Moribundo”, que hoje está no Museu do Louvre, em Paris.

No nicho à direita é a representação da escultura é deusa Minerva, era a deusa romana das artes, do comércio e da sabedoria, que preside a paz e a guerra defensiva. Encarnação da sabedoria, ela é a padroeira tradicional das instituições dedicadas à busca do conhecimento e da realização artística. A
partir do século II a.C., os romanos equipararam-na à deusa Atena. Minerva faz parte da Tríade capitolina da antiga religião romana.
Nichos de Apolo a Direita e Diana a esquerda.

PERSONAGENS DA FILOSOFIA GREGA 
A obra Escola de Atenas ilustra a Academia de Platão, contudo os filósofos que surgem representados identificam-se com épocas distintas, mostrando a continuidade histórica do pensamento filosófico. É também é uma alegoria complexa do conhecimento filosófico profano. Estão representados na obra para além de filósofos, matemáticos, astrônomos e personagens contemporâneos do pintor, assim como humanistas e artistas. A identidade de alguns dos filósofos como Platão ou Aristóteles, são inegáveis. Porém, a identificação das restantes figuras representadas tem sido sempre hipotéticas.
Identificação: 1. Zenão de Cítio ou Zenão de Eléia 2: Epicuro 3: Frederico II, duque de Mântua e Montferrat 4: Anaximandro ou Empédocles 5: Averroes 6: Pitágoras 7: Alcibíades (Segundo STEWART, J.2018)  o Grande 8: Antístenes ou Xenofonte 9: Hipátia (Francesco Maria della Rovere ou Margherita, amante de Rafael) 10: Ésquines ou Xenofonte 11: Parménides 12: Sócrates 13: Heráclito (Miguel Ângelo). 14: Platão segura o Timeu (Leonardo da Vinci). 15:Aristóteles segura a Ética  16: Diógenes de Sínope 17: Plotino 18: Euclides ou Arquimedes acompanhado por estudantes (Bramante) 19: Estrabão ou Zoroastro (Baldassare Castiglione ou Pietro Bembo). 20: Ptolomeu : 21: Protogenes (Il Sodoma ou Pietro Perugino).

CURIOSIDADES
Uma das mais curiosidades dessa pintura renascentista, é a suposição de que Rafael acabou colocando o rosto de alguns de seus pintores contemporâneos: Heráclito (13) teria o rosto de Michelangelo, Platão (14) o de Leonardo da Vinci,  e o pintor grego Apeles (R) teria o rosto do próprio Rafael.

CENÁRIO  COMENTADO
No centro do cenário arquitetônico estão os dois grandes filósofos do mundo clássico: Platão (14) que foi discípulo de Sócrates (a esquerda), com vestes predominante vermelha e segurando o livro Timeu (afirma-se que a cabeça é de Leonardo da Vinci), e aponta para o alto, sendo assim identificado com o ideal platônico, o mundo das ideias e que representa a filosofia abstrata e teórica. Aristóteles (15) ao seu lado, foi discípulo de Platão na escola Academos aparece com veste azul e baio, esse filósofo grego, professor de Alexandre - o Grande, mante-se ao lado do ex-mestre Platão, e segura na mão esquerda o livro Ética (aí se encontram as leis da conduta moral), enquanto a mão direita encontra-se aberta, com a palma virada para baixo, representando o plano terrestre, o mundo sensível, a filosofia natural e empírica. As suas obras abrangem diversos assuntos como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia.

Platão (14) foi discípulo de Sócrates(12)  e mestre de Aristóteles (15).

A esquerda da pintura ver-se Sócrates (12) um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, pai da ética que veio a ser mestre de Platão aparece no grupo da esquerda. Sócrates enumera pontos específicos com os dedos. Questionar e analisar são a essência da filosofia socrática; faz isso voltado para um personagem que tudo leva a crer que seja Alcibíades (7) Alcibíades também era amigo e entusiasta do filósofo Sócrates, que lhe salvou a vida na campanha de Potideia (em 432 a.C.) e a quem salvou em Delion. Plutarco escreveu que Alcibíades "temia e reverenciava unicamente a Sócrates, e desprezava o resto de seus amantes". Como decorrência dessa íntima amizade, Alcibíades aparece em dois diálogos de Platão, no quadro  observa-se que ele aparece com elmo na cabeça e a mão esquerda na espada, e o olhar  direcionado a Sócrates (c. 470-399 a.C.). 

Sócrates(12) dialoga com Alcebíades (7), Xenofonte(8) e Esquines (10).  

Quanto ao personagem identificado pelo numero 10 e próximo a Sócrates (12), há um, duvida se seja Ésquines de Samos ( 389-314 a.C.) foi um orador ateniense ou Xenofonte (Militar que foi discípulo de Sócrates, que caminhou ao Oraculo de Delfos indagando a Pitonisa sobre quem era o homem mais sábio da Grécia, a resposta dada foi Sócrates). O mesmo problema de identificação duvidosa, ocorre na identificação do personagem que aparece representado pelo numero 8, esse pode ser Antístenes ou Xenofonte. O personagem de numero 9 é mais complexo de identificar podendo ser Hipátia ou Monalisa, Fornarina como uma personificação do Amor ou ainda Francesco Maria della Rovere.

Anaximandro (4) e Pitágoras(6) elucida os postulados da Geometria.

No canto inferior direito, sentado lendo um livro está Pitágoras ( 6) que viveu entre 580-c.500 a.C., o famoso matemático grego, cujos postulados geométricos até hoje são ensinados nas escolas. O personagem loga atrás representado pelo numero 4 podendo ser Empédocles, observe que ele faz anotações uma lousa. O personagem representado pelo numero 5 é Averróis(1126-1198) filosofo, foi um forte defensor do aristotelismo, tentou restaurar o que enxergava como o ensinamento original de Aristóteles, contra as tendências neoplatônicas de pensadores muçulmanos e que ficou conhecido no ocidente como "O Comentador". Também serviu como juiz e médico. O numero 2 é Epicuro (341.a.C) um filósofo grego do período helenístico, ensinava que a felicidade consiste em buscar os prazeres da mente, foi muito difundido e numerosos centros epicuristas que se desenvolveram na Jônia, no Egito, aparece em primeiro plano e à esquerda, veja que há uma coroa com folhas de videira; O numero 1 é Zenão de Eleia foi um filósofo pré-socrático fundador da escola filosófica estoica, surge com uma criança nos braços, enquanto ouve atentamente Epicuro. Enfatizou a bondade e a paz de espírito, conquistadas através de uma vida plena de virtude, de acordo com as leis da natureza.
Averrois (5) de vestes verde ,foi filosofo e forte defensor do aristotelismo.

Finalizando esse grupo ver-se ao centro Heráclito (13) filosofo pré-socrático considerado o "Pai da dialética", aparece sentado num degrau em primeiro plano, tem o braço esquerdo apoiado num bloco de mármore, numa atitude de extrema tristeza. Tem como modelo o genial Miguel Ângelo. Esta figura foi acrescentada depois, pois não se encontrava no desenho preparatório. Após ver, secretamente, parte do trabalho do artista na Capela Sistina, Rafael ficou maravilhado e resolveu fazer uma homenagem ao pintor mais velho, usando-o como modelo para Heráclito. Quanto ao personagem numero 11 é Parménides (530.a.C) foi um filósofo grego natural de Eleia, fundador da escola eleática, tem o pé esquerdo sobre um bloco de mármore e faz anotações.
Heráclito (13) o pai da dialética.

No centro ver-se a figura esquálida esparramada nos degraus na parte central da composição,  é Diógenes de Sínope (16) (c.412-c.323 a.C.), um pensador, que detestava as posses materiais e vivia dentro de um barril – de onde veio o apelido de “o cão”. Seu estoicismo ficou bem ilustrado quando ele ignorou um convite para a coroação de Alexandre, o Grande. O novo rei lhe fez uma visita, perguntando se havia algo que pudesse fazer pelo velho filósofo, e obteve a resposta: “Não me tires o que não podes dar.”. Referia-se ao sol, que o conquistador tapava, fazendo-lhe sombra;
Diógenes de Sínope (16) (c.412-c.323 a.C.)

No grupo de pessoas abaixo à direita está Euclides (18) de Alexandria (Séc.III a.C) foi um professor, matemático platónico e escritor grego, muitas vezes referido como o "Pai da Geometria". acompanhado de estudantes (Bramante), matemático grego do século III a.C. e discípulo de Sócrates. Ele aqui expondo um de seus princípios geométricos usando um compasso, ele está arqueado e escrevendo numa lousa pousada no chão. O grupo ao seu redor mostra alunos entusiasmados observam a explicação.
Euclides de Alexandria ( 300 AC) o "Pai da Geometria".

Supõe-se que o segundo rosto, que aparece da direita para esquerda, no grupo próximo à Euclides, é o auto-retrato do artista (Rafael) indentificado pela letra R que incluiu um retrato de si mesmo: ele é o jovem ao lado de Ptolomeu (20), e olha diretamente para fora do quadro, como se quisesse captar nossa atenção e ser notado. Muitas outras figuras são homens famosos da época de Rafael: Platão se parece com Leonardo da Vinci, e Euclides com Bramante. tudo leva a crer que essa pratica artística era uma maneira de conectar o passado com o presente e de prestar uma homenagem aos grandes homens de sua época. Quanto ao numero 17 é filosofo Plotino um dos principais filósofos de língua grega do mundo antigo.

Auto-retrato de Rafael Sanzio (R) e ao seu lado Protógenes pintor grego.

Dois astrônomos se destacam nesse grupo: O numero 19 é Zoroastro ou Zaratustra, significa contemplador de astros, ele segura nas mãos uma esfera que representa a órbita celeste. Por sua vez em sua frente o numero 20 é Cláudio Ptolomeu( 90 – 168), de costa segura o globo terrestre que significa as orbitas dos planetas. Foi cientista grego que viveu em Alexandria, uma cidade do Egito. Ele é reconhecido pelos seus trabalhos em matemática, astrologia, astronomia, geografia e cartografia.E junto a eles o 21Protogenes (Il Sodoma ou Pietro Perugino), pintor da Grécia antiga, usa um manto branco, e encontra-se ao lado de Rafael. 

Os dois astrônomos: Zoroastro(19) segura a esfera celeste e Ptolomeu(20) segura o globo terrestre.

EXPLANAÇÃO ORAL COMENTADA DA OBRA EM VÍDEO.


Sobre o Vídeo: A Escola de Atenas se tornou um marco e um símbolo na história da arte e do pensamento ocidentais! Criadas pela mente de uma dos mais geniais pintores que já existiram: Rafael Sanzio. A Escola de Atenas de Rafael Sanzio data; 1509 - 1511, Stanza Della Segnatura, Cidade do Vaticano, Roma - IT A Capela Sistina, Michelangelo - 1508 - 1512, Vaticano, Roma - IT Música de Abetura: The Jazz Piano - Ben Sound Trilha de Fundo: Mozart, Lacrimosa

Fontes:
1.youtube
2.Wikipédia.com
3.historiadasartes.com 
4.mymodernmet.com: Story Behind Raphael’s Masterpiece ‘The School of Athens: of de STEWART, JESSICA,2018..





































































segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

ESPAÇO DO POETA CARLOS ALBERTO CAVALCANTE


POEMAS PARA LER NA QUARENTENA
2020

POEMAS PARA LER EM TEMPOS DE QUARENTENA é o novo livro do poeta Carlos Alberto participou como autor de uma poema no novo ebook publicado pela  Almeida Editorial com titulo em apresso, trata-se de uma Antologia momento de reflexão nº1, organizado por Celso Ricardo de Almeida e Ricardo Leite. A poesia de Carlos Alberto de Assis Cavalcante merece destaque e tem como titulo Ressonância pag.33 pode ser apreciada no modo free baixe e leia clik nesse link: ebookfree.
Disponível para download.


RECORTES EM PROSA E VERSO DA HISTÓRIA DE ARCOVERDE

ANO 2018.


A memória é um dos alicerces que dá sentido à vida. Com uma cidade não é diferente. Preservar a memória da sociedade e sua vivência no núcleo urbano é manter a cidade viva e uma forma de fortalecer sua identidade. Na Geografia Crítica Milton Santos já advertia para a importância do Lugar como ponto de partida para se conhecer e entender a sociedade. Lugar: é uma categoria muito utilizada por aqueles pensadores que preferem construir uma concepção compreensiva da Geografia. Grosso modo, o lugar pode ser definido como o espaço percebido, ou seja, uma determinada área ou ponto do espaço da forma como são entendidos pela razão humana. Seu conceito também se liga ao espaço afetivo, aquele local em que uma determinada pessoa possui certa familiaridade ou intimidade, como uma rua, uma praça ou a própria casa. É o lugar que identifica nossas raízes, por isso essa identidade é quem nos faz sentir a saudade quando dela nos afastamos.

Assim, para que essa memória seja preservada, é preciso conservar fotos, documentos, objetos e organizar os registros dos fatos. Os erros e acertos do passado ajudam a entender o presente e a planejar ações futuras. Também é preciso olhar para as pessoas, pois a história local é uma construção que traz em si as marcas dos sujeitos que dela fazem parte. 

Desse modo, o uso da escala temporal em conjunto com escala espacial é fundamental para entender a História. A escala espacial diz respeito à dimensão do objeto, se um país, um estado ou um município. Na escala menor, no municio, se dão os acontecimentos do cotidiano, levando a escala temporal que elucida o passado e rege o presente. A escala temporal é quem vai organizar os fatos cronológicos, mostrando como ocorreu a sequência dos fatos. 

Muitas vezes os Professores de História se deparam com uma realidade não muito plausível de que grande parte dos alunos não conhece a historia de sua comunidade de seu município ou seu estado, prendendo-se apenas a História nacional desvinculada da sua realidade local e de seu contexto histórico local. Esse problema causa o desinteresse dos alunos pela História e por outras disciplinas que eles não consideram importantes justamente pelo fato desses alunos não se sentirem inseridos nessa História ou no processo histórico a qual essa História se constrói com sua vivencia.

Assim, considerando a escala espacial, no mundo (Planeta Terra), na América do Sul, no Brasil, no estado de Pernambuco, na Mesorregião do Sertão Pernambucano, Microrregião do Sertão do Pajeú quem engloba os municípios de Betânia,Custodia, Ibimirim, Manari, Inajá, e Arcoverde, objeto de estudo dessa pesquisa de memoria.

Em Arcoverde que vem construído o acervo que preserva a memoria de Arcoverde é Carlos Alberto Cavalcante, mas de uma maneira diferente com prosas e verso e imagens. Carlos Alberto de Assis Cavalcanti,e-mail: cajaprof@hotmail.com, é pedrense de nascimento e arcoverdense por adoção, casado com a Sra. Jaci Ferreira Lira Cavalcanti. Professor universitário do Centro de Ensino Superior de Arcoverde – PE, atua na área de Letras, dai sua dedicação a poesia e verso. Cursou Mestrado em Teoria da Literatura - na Universidade Federal de Pernambuco -UFPE, é autor da obra Itinerário Poético – poesias – obra que recebeu Menção Honrosa no Concurso Nacional de Poesias da Academia Pernambucana de Letras (2001); e outra várias premiações nacionais em concursos de poemas; sonetos e trovas. 

Foi laureado com a Medalha Machado de Assis pela Academia de Letras e Artes Rio – Cidade Maravilhosa – Rio de Janeiro – RJ; como Membros Correspondente da: Academia Cachoeirense de Letras – Cachoeiro do Itapemirim – ES; Academia de Letras e Artes Rio – Cidade Maravilhosa, RJ; Academia de Letras e Artes de Ponta Grossa – PR. Delegado Municipal da UBT (União Brasileira de Trovadores). Sócio da UBE (Recife).

Em 2018, Carlos Alberto publica o artigo RECORTES EM PROSA E VERSO DA HISTÓRIA DE ARCOVERDE disponível nessa blog. Para baixar e conhecer essa obra inédita você deve clicar no link na palavra o Download em negrito. Baixe aqui: (Dowloand).

 Em Março de  2020, participa do Concurso Literário Virtual Relâmpago  da FALARJ - Federação de Letras e Artes do Estado do Rio de Janeiro, e obtém  o 1º lugar na categoria POESIA, com a Poesia Diálogo ente linhas cruzadas.

Ver-se acima cópia do Diploma de premiação do concurso de poesia realizado pela FALAR em março de 2020.



Figura 1: Vê-se na imagem: o Poeta Carlos Alberto Cavalcanti declamando a poesia A POLIGLOTA. Fonte:Youtube, 2020.



REFERÊNCIAS:

CAVALCANTE, C.A. Recortes Em Prosa E Verso da Hsitoria de Arcoverde,2008.
SANTOS,M. Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção / Milton Santos.2000.
PENA, Rodolfo F. Alves. "Categorias da Geografia"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/categorias-geografia.htm. Acesso em 13 de janeiro de 2020.





sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Os Vários Brasis, por Aziz Ab’Saber

Os Vários Brasis, por Aziz Ab’Saber


Aziz Nacib Ab'Saber (São Luís do Paraitinga, 24 de outubro de 1924 — Cotia, 16 de março de 2012) foi um geógrafo e professor universitário brasileiro.
Considerado como referência em assuntos relacionados ao meio ambiente e a impactos ambientais decorrentes das atividades humanas foi um professor polivalente, laureado com as mais altas honrarias científicas em geografia, arqueologia, geologia e ecologia - Membro Honorário da Sociedade de Arqueologia Brasileira, Grã-Cruz em Ciências da Terra pela Ordem Nacional do Mérito Científico, Prêmio Internacional de Ecologia de 1998 e Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente. Era Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, professor honorário do Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade e ex-presidente e atual Presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Embora aposentado compulsoriamente no final do século XX, manteve-se em atividade até o fim da vida.




Evidencias científicos que provam que a Terra NÃO é plana


A Terra é mesmo redonda? 

O canal FOX e NET GEO apresentou uma programação,  que faz refletir sobre as grandes questões da humanidade e do universo. O teórico e cosmólogo britânico Stephen Hawking ,um dos mais consagrados cientistas da atualidade. Hawking leva um grupo de três voluntários em uma jornada de descoberta. Ele organiza uma série de desafios para ajudá-los a responder algumas grandes questões sobre o mundo ao nosso redor, inclusive como provar que a Terra é redonda, e mostra quão fácil é chegar a algumas conclusões surpreendentes – se você conseguir entrar na mente de um gênio.


Fonte :Youtube.

Evidencias científicos que provam que a Terra NÃO é plana

1.Observe um barco
Quando um barco desaparece no horizonte ele não vai ficando menor e menor até não conseguimos vê-lo(veja o vídeo abaixo). Na realidade, o que ocorre é que partes da estrutura vão sumindo antes das outras: primeiro o casco da embarcação e só no fim a ponta da vela. Isso ocorre justamente porque a Terra é redonda. Para compreender melhor, basta utilizar um binóculo ou telescópio para observar o horizonte na sua próxima ida à praia.

Observe nesse vídeo como os barcos desaparecem no horizonte. Fonte: youtube.com.03/05/2017.

2.Olhe para as estrelas
Aristóteles descobriu esse fato cerca de 350 anos antes de Cristo e nada mudou desde então. Diferentes constelações são visíveis de diferentes latitudes. Provavelmente, os dois exemplos mais marcantes são o Big Dipper e a Southern Cross. O Big Dipper, um conjunto de sete estrelas que se parece com uma concha, é sempre visível em latitudes de 41 graus Norte ou superior, mas não abaixo de 25 graus sul. Essas diferentes visões só fazem sentido se você imaginar a Terra como um globo, de modo que olhar "para cima" realmente significa olhar para uma faixa de espaço diferente do hemisfério sul ou norte.

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As estrelas que compõe a Constelação Big Dipper ou ursa maior so pode ser visto na condição de localização geográfica a Norte e em 45° o que evidencia a Terra redonda.

3.Assista um eclipse
Aristóteles também provou sua teoria com a observação de que, durante os eclipses lunares, a sombra da Terra na face do Sol é curvada. Uma vez que esta forma curva existe durante todos esses fenômenos, apesar do fato de que o planeta está girando, o filósofo intuiu corretamente a partir da penumbra que a Terra é curvilínea por toda parte — em outras palavras, uma esfera.

Imagem relacionada
Eclipse lunar é um fenômeno astronômico que ocorre quando a Lua é ocultada totalmente ou parcialmente pela sombra da Terra, em geral, sendo visível a olho nu. Isto ocorre sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio destes outros dois corpos.

4. Escale uma árvore
Se a Terra fosse plana, seria possível enxergar tudo independente de onde você está, mas, ao contrário disso, quanto mais altos estamos mais podemos visualizar. 

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5.Faça uma viagem de avião

Se você tiver a sorte de ter uma visão desobstruída do horizonte e um voo comercial suficientemente alto, você pode até mesmo descobrir a curvatura da Terra a olho nu. De acordo com um artigo de 2008 na revista Applied Optics, a curva da Terra torna-se sutilmente visível a uma altitude de cerca de 35,000 pés, desde que o observador tenha pelo menos um campo de visão de 60 graus (o que pode ser difícil a partir de uma janela do avião do passageiro).A curvatura torna-se mais visível acima de 50.000 pés. Os passageiros de um jato supersônico, por exemplo, tem uma visão do horizonte curvo enquanto voam a 60 mil pés.

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Cauda exautora de um avião militar Mig 29 soviético, ver-se no horizonte a curvatura da Terra. 

6.Compre um balão meteorológico
Em janeiro de 2017, estudantes da Universidade de Leicester, no Reino Unido, amarraram algumas câmeras em um balão meteorológico e enviaram-no para o céu. O balão subiu 77,429 pés (23,6 quilômetros) acima da superfície, bem mais que o nível necessário para ver as curvas do planeta. O instrumento a bordo do balão enviou imagens deslumbrantes que mostram a curva do horizonte. Veja a imagem obtida pelos estudantes.

Resultado de imagem para curvatura balão meteorológico

7.Compara sombras
A primeira pessoa a estimar a circunferência da Terra foi um matemático grego chamado Eratóstenes, que nasceu em 276 a. C. Eratóstenes de Cirene (em grego: Ἐρατοσθένης,: Eratosthéni̱s; Cirene, 276 a.C. — Alexandria, 194 a.C.) foi um matemático, gramático, poeta, geógrafo, bibliotecário e astrônomo da Grécia Antiga, conhecido por calcular a circunferência da TerraEle fez isso comparando os tamanhos de sombras no dia do solstício de verão onde hoje fica Assuão, no Egito, com uma cidade mais a leste de Alexandria. Ao meio dia, quando o sol estava diretamente sobre a cabeça em Assuão, não havia penumbra, entretanto, uma vara colocada no chão da outra cidade lançou uma sombra. Em uma Terra plana, não haveria nenhuma diferença entre o comprimento das sombras. A posição do sol seria a mesma, em relação ao solo. Apenas um planeta em forma de globo explica por que a posição do sol deve ser diferente em duas cidades a poucas milhas de distância. Observe os cálculos de Eratóstenes.
 Imagem relacionada
FONTES: Revista Galileu; Wikipédia e Youtube.2020. 

BOLSONARO GENOCIDA