sábado, 7 de fevereiro de 2026

Inselberg do Espinho Branco

 


                                                                                                         

       Inventário de Paisagem: 
       Sertão e Agreste do Nordeste. 

01. Análise geomorfológica do Inselberg do Espinho Branco- Patos -PB  

  Figura1: Autor da Imagem: Rafael Xavier. Fonte: Google.com em Geografia da Paraiba/Facebook.s/d.

A formação relevo denominada Espinho Branco localizada no Município de Patos-PB, é sob a análise de paisagem da Geomorfologia uma elevação rochosa erosiva denominada de inselberg. Inselberg são formas rochosas erosivas isoladas datadas da Era Cenozoica, do Período quaternário, entretanto por ser uma forma geomorfológica e datada do holocênica, ou seja do último milhão de anos, por seu turno se destacam nas interfaces entre bordas de planaltos cristalinos na depressão sertaneja, são marcadas por altitudes elevadas e isoladas na paisagem dominadas por esparsas áreas dominadas por pediplanos.

Os Pediplanos são os ambientes naturais de acumulação de sedimentos que se distribuem no entorno de área elevadas (inselberg) com características aplainadas, esse termo da geomorfologia que geralmente é usado para designar as áreas planas presentes e embutidas nas depressões sertanejas, e serve para não confundir com planície, a saber áreas planas de sedimentação, de baixa altimetria e acumulativas de sedimentos, marcantes  no litoral de toda a Região Nordeste, em geral associados as desembocadura de rios.

Nesse caso particular do Inselberg do Espinho Branco existente em Patos, na verdade são partes pertencente a um conjunto maior das vertentes Ocidental Norte do Planalto da Borborema, a saber formação rochosa elevada de grande importância, que por sua grandeza se estende por grande parte das regiões do Agreste e Sertão do Nordeste.

A paisagem onde se situa essa forma de relevo denominada Espinho Branco (Figura 1) é quase predominantemente natural, nessa escala de paisagem é possível distingue-se duas partes desse conjunto: 1) um complexo dominante na cor verde caracterizado pela cobertura vegetal do tipo Caatinga arbustiva aberta, essa se estende sobre os pediplanos e pedimentos da vertentes; 2) um complexo subdominante cor acinzentada caracterizado pela exposição de rochas cristalinas período cambriano, com algumas partes coberta com nuances de Caatinga rupestres, esses locais quando visto em logo na pesquisa de campo, é possível observar desenvolvimento de mini biomas, essas localizadas em frestas e cavidades rochosas, oriundas da erosão mecânica e química devido a variação térmica entre período diurno quente e frios noturno. 

Essas camadas superiores dominadas por rochas cristalinas, estão sempre dominadas por processos mecânicos intemperes que atuam em suas encostas, nas quais as a esfoliação prossegue no embasamento fazendo-as recuar lentamente formando caneluras sobre as quais server de escoadouro das águas em épocas de trovoadas.

Entre as vertentes e a região Bajada (*Dresch) se distribuem os pedimentos, áreas que as muitas vezes são usadas pela agricultura por sua umidade, e onde a vegetação se desenvolve mesmo durante grande estiagem.   o solo desses locais quase sempre é revestido poro fragmentos de seixos e areia carreadas das encostas pelos cursos torrenciais, de modo geral quase sempre é um material heterogêneo, compostos de seixos angulosos de quartzo, areias, fragmentos de limonitas e alguns sedimentos desintegrados.              

 REFERENCIAS:

             PRESS, F.; SIEVER, R.; GROTZINGER, J.; JORDAN, T. H. Para Entender a Terra.

             TEIXEIRA, W.; FAIRCHILD, T. R.; TOLEDO, M. C. M.; TAIOLI, F. Decifrando a Terra.

             POPP, J. H. Geologia Geral.

             JATOBÁ,L;LINS, R.C. Introdução a Geomorfologia. 

     

*Jean Dresch (1905-1994): Geógrafo e geólogo francês, reconhecido por suas pesquisas em geomorfologia, geologia e lutas anti-colonialistas, com estudos influentes na África.

 

       

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

POTENCIALIDADES TURÍSTICAS E RISCOS AMBIENTAIS NO PARQUE NACIONAL DO CATIMBAU

 

POTENCIALIDADES TURÍSTICAS E RISCOS AMBIENTAIS 

NO PARQUE NACIONAL DO CATIMBAU *[1,2,3]

*Autor: Natalício de Melo Rodrigues; Orientadores: Fernando de Oliveira Mota Filho; Eugênia C. Pereira.

No Brasil o estabelecimento de unidades de conservação iniciou-se no século XIX prolongando-se até os dias atuais. Por isso, os critérios que justificavam sua formação também sofreram alterações. Inicialmente os objetivos que nortearam a criação dos primeiros parques nacionais encontravam-se relacionados aos aspectos cênicos, uma influência clara do modelo americano. Com isso, buscaram-se como critérios de seleção, a escolha de paisagens de grande beleza natural, como por exemplo, formações rochosas, canyons e cascatas (RUNTE, 1979 apud MORSELLO, 2001).

Os parques norte-americanos e brasileiros foram marcados por semelhanças e diferenças. As primeiras se dão no que diz respeito às motivações iniciais de suas criações, em geral, baseadas em aspectos cênicos. Porém, havia diferenças no tipo de localização geográfica e na política de manejo. Enquanto nos Estados Unidos os primeiros parques foram criados em lugares remotos no Brasil, Parques Nacionais equivalentes eram localizados em áreas urbanizadas próximas das capitais (DRUMMOND, 1988 apud MORSELLO, 2001, p.153). Quanto ao manejo havia drásticas diferenças: os parques norte-americanos não permitiam a presença do homem; no Brasil, ao contrário, a presença humana é permitida e condicionada às ações de manejo sustentável.

Com a popularização do ecoturismo, milhares de pessoas procuram ambientes naturais para desenvolver atividades de lazer, como diferencial da rotina diária implementada nos grandes centros urbanos. Nesse sentido os parques nacionais passam a ser centro de atração para caminhadas, trakking, rapel, dentre outras atividades desportivas ligadas à natureza. Assim, atividades turísticas quando bem planejadas, podem se tornar importante fonte de receita para os moradores dos municípios envolvidos diretamente com o Parque. No entanto, quando mal planejadas, podem prejudicar a atividade do turismo local.

Sabe-se que os Parques Nacionais são áreas do território nacional, delimitadas e protegidas sob jurisdição do governo federal, que apresentam elevados atributos naturais de importância nacional, tendo como objetivo preservá-los e conservá-los para fins científicos, educativos, ou como patrimônios culturais e naturais da nação, contanto que mantenham ao máximo seu estado natural. Por isso, dentro dos Parques Nacionais é proibida qualquer forma de exploração dos recursos naturais.

Em contrapartida, algumas atividades são permitidas nessas áreas, desde que associadas à preservação. É o caso do ecoturismo. Esta atividade é considerada positiva porque agrega valores econômicos à economia local. É necessário preservar o ambiente, uma vez que uma atividade econômica pode ser sustentável se seus recursos são conservados. No entanto, por serem Parques Nacionais abertos à visitação, devem possuir atração significativa para o público, oferecendo oportunidade de recreação, educação ambiental, pesquisas, estudos e, principalmente, infra-estrutura, algo que nem sempre ocorre.

O Parque Nacional do Catimbau foi criado pelo Decreto Lei 4.340 de 22/08/02 em conformidade com a Lei 9.985 (Lei SNUC), que define no seu art. 11º: os parques “tem como objetivo básico à preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisa científica e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico” (SANTOS, 2003).

Mesmo sendo uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, é ilusório pensar, que, pelo fato de se transformar determinada área em Parque Nacional, que inclui espaços de domínio público, áreas particulares não desapropriadas, entre outras categorias, fique imune aos problemas causados por atividades antrópicas. Neste sentido, o Parque Nacional do Catimbau constitui um exemplo do que vem ocorrendo na maioria dos parques brasileiros. Portanto, não foge à regra quanto à deficiência administrativa e existência de problemas ambientais. Assim, quando a lei é ignorada, nem sempre os parques podem funcionar de fato comoilhas”, onde teoricamente estariam ausentes os efeitos dos impactos ambientais.

Em virtude dos problemas existentes e dos recursos naturais exuberantes, a criação do Parque Nacional do Catimbau foi justificada por constituir-se de paisagem com riqueza de biodiversidade ímpar. Essa região do Catimbau, por suas características, foi considerada “Área de Extrema Importância Biológica”, pelos grupos temáticos do workshop realizado em Petrolina – PE, em dezembro de 2000. Essa avaliação foi fundamental para implementação de ações prioritárias de conservação e utilização sustentável da biodiversidade do bioma caatinga. Os motivos justificados para enquadrar essa Unidade de Conservação (UC) na categoria “parque” foram os seguintes; a) do ponto de vista geológico, pois possui uma unidade representativa da geologia do estado de Pernambuco e possibilita a realização de estudos no assunto voltados para a compreensão da evolução geológica e estrutural; b) testemunhos de processos de erosão eólica e pluvial que desenvolveram feições de diferentes tonalidades nos paredões, o que confere a essa região aspectos de exuberância cênica; c) rica espeleologia oferecendo condições para o espeleoturismo; d) diversidade de espécies da caatinga e de estruturas, em função da variação do relevo e aspectos climáticos; e) a ocorrência de numerosos sítios de pinturas e gravuras rupestres de grande heterogeneidade (SNE, 2000).

Localiza-se entre as coordenadas geográficas 8º 24’ 00” e 8º 36’ 35” S e 37º 09’ 30” e 37º 14’40” WG, totalizando uma superfície de 62.300 ha na forma de uma poligonal. Sua área encontra-se distribuída entre os municípios de Buíque (12.438 ha.); Tupanatinga (23.540 ha) na Microrregião do Vale do Ipanema, e Ibimirim (24.809 ha) na Microrregião do Moxotó do Estado de Pernambuco (Figura 01).

Analisando essa divisão, observa-se que Buíque é o município com menor parcela do Parque. Entretanto, dentro de uma perspectiva de acessibilidade espacial, Buíque exerce a territorialidade porque é o município que melhor acesso oferece, através da PE-270.

O turismo no Catimbau ainda é recente. Embora o local possua grande potencial de crescimento dessa atividade, não dispõe de uma infra-estrutura capaz de atender, de forma eficiente, o turista. Entretanto, o IBAMA alega dificuldades de ordem financeira para cuidar adequadamente da Unidade. Por conta dos parcos recursos e falta de estrutura, o Parque Nacional do Catimbau encontra-se oficialmente fechado à visitação pública.

O principal guia de referência de turismo sobre Parques no Brasil é o Guia Philips de Parques Nacionais do Brasil, editado pela Revista Horizonte Geográfico. De informações consideradas confiáveis, vem sendo recomendado pelo IBAMA. Por possuir grande credibilidade perante o público, é atualizado a cada edição, sendo por isso o mais lembrando e oficialmente recomendado para turistas brasileiros e estrangeiros que pretendem visitar os Parques Nacionais.

Figura 1: Localização do Parque Nacional do Catimbau no estado de Pernambuco. Fonte: SNE (2000)

O Guia em sua última edição, publicada no ano de 2003, incluía o Parque Nacional do Vale do Catimbau como um dos 52 parques oficiais do Brasil. Mas, na agenda de serviços, o parque aparece como um parque fechado, recomendando ao turista que se interessa em visitá-lo, primeiramente entrar em contato com o IBAMA. Isso significa dizer que, embora o parque tenha sido criado há quase seis anos, ainda não se resolveram os problemas de oficialização das trilhas, e não possui infra-estrutura mínima para funcionar.

Em pesquisa de campo buscou-se analisar essa situação. Foi possível mostrar que embora o parque tenha sido criado oficialmente no ano de 2000, ainda não há as mínimas condições de funcionamento, elucidando a informação do Guia Philips. Os problemas se estabelecem em vários níveis como deficiência de transporte, condições das estradas, conservação de trilhas, infra-estrutura hoteleira, falta de funcionários treinados para recepção de turistas, placas informativas, e problemas ambientais, dentro e na zona de amortecimento do Parque.

A condição de Parque fechado considerada pelo IBAMA pode significar perdas para o turismo ecológico de preservação. Isto reflete em desperdício para a população de uma oportunidade única e rentável que empregaria pessoas, movimentando o comércio local. Em adição, não seria cumprido seu objetivo principal, o de promover o lazer contemplativo e qualificado voltado a sensibilizar as pessoas para a necessidade de conservação da diversidade biológica desse local.

O IBAMA afirma que está buscando parcerias com a iniciativa privada para fazê-lo funcionar plenamente. Essa falta de infra-estrutura dos locais, principalmente de técnicos do IBAMA, tem permitido a ocorrência de invasões, construção de moradias irregulares, atividades econômicas turísticas ilegais, degradação de pinturas rupestres e, até mesmo, a degradação ambiental.

 

Potencialidades espeleológicas do Parque Nacional do Catimbau

O Parque do Catimbau possui um forte potencial para a atividade turística associada à espeleologia. Com cerca de 62 mil hectares de paisagens elaboradas em formação arenítica, abriga sítios históricos, cânions, cemitérios indígenas pré-históricos, pinturas rupestres, flora de caatinga, além de um grande número de cavernas e furnas.

O espeleoturismo no Catimbau é promissor. Até o momento, apenas 4% das cavernas foram cadastradas (SNE, 2000). É conhecida a possibilidade de ocorrer várias outras, todas em rochas areníticas, que não são tão extensas e ricas em espeleotemas como as cavernas desenvolvidas em rochas carbonáticas. Ainda assim, podem apresentar grandes entradas, e amplos corredores e salas internas e, por vezes, lagos de águas cristalinas e fontes. Esses e outros fatores lhes conferem beleza e potencialidade turística. Um bom exemplo é a caverna da Furna do Gato (figura 02a).

Há, entretanto, alguns inconvenientes. Em muitas dessas cavernaspresença de morcegos e abelhas, o que dificulta a prática do turismo, embora sejam fundamentais para o equilíbrio do meio ambiente, principalmente, por exercerem na fauna o importante papel na disseminação de sementes e polinização. Existem numerosos sítios de pinturas e gravuras rupestres localizados, principalmente, nos abrigos rochosos das serras de arenito. Foram registradas, também, inúmeras pinturas realizadas em épocas pré-históricas, que apresentam uma grande heterogeneidade gráfica, com características que as identificam como fazendo parte da classe de registros rupestres conhecidos como Tradição Nordeste, Tradição Agreste e, outras classes ainda não bem definidas.

Foram cadastrados os seguintes sítios arqueológicos que, no estado atual das pesquisas, considera-se apenas um pequeno percentual, dada à potencialidade da área em termos arqueológicos: 1. Mulungu, 2. Quixéu 3 Serra das Torres, 4 Alcobaça 5. Pedra da Concha, 6. Pedra da Concha II, 7. Casa de Farinha, 8. Serra Branca, 9. Mirante da Serrinha, 10. Frutuoso, 11. Frutuoso II, 12. Furna dos Letreiros, 13. Furna dos Caboclos, 14. Gruta do Israel, 15. Sítio dos Meninos, 17. Letreiro do Prateado, 18. Sítio dos Macacos, 19. Serra das Andorinhas, 20. Serra do Catimbau, 21. Lajedo Bonito, 22. Serrinha, 23. Puiu, entre outros. Destes, apenas alguns estão em condições de receber turistas.

Muitos desses sítios arqueológicos permaneceram intocados, principalmente porque são protegidos pela vegetação e o difícil acesso. Entretanto, alguns se encontram hoje em iminente perigo de destruição, pelo desmatamento e ação do turismo improvisado. Entretanto, sabe-se que, por falta de conhecimento e visando um retorno imediato (lucro) tem-se promovido, sem nenhum planejamento, a visitação a alguns destes sítios arqueológicos sem acompanhamento de agentes credenciados do parque. Esta atividade não subordinada à direção administrativa do Parque Nacional, junto com o IBAMA, pode causar danos irreparáveis a esse importante patrimônio nacional.

Foi observado durante as visitas às prefeituras de Ibimirim, Buíque e Tupanatinga que, em nenhum destes órgãos, existem projetos que visem proteção e preservação desses ambientes, de belezas naturais e patrimônio cultural da pré-história do povo nordestino. Seria importante que as prefeituras e a sociedade estivessem envolvidas diretamente no projeto do parque, e todos deviam ter a obrigação de desenvolver meios adequados de visitação e de proteger um patrimônio natural e cultural ímpar no Nordeste brasileiro. Mesmo na condição de oficialmente fechado (IBAMA, 2005), o Parque Nacional do Catimbau, continua a funcionar informalmente.

Condições ambientais na Vila do Catimbau e Paraíso Selvagem

O acesso à Vila do Catimbau se inicia em Buíque. O turista que solicitar informações sobre o funcionamento do Parque para visitação ou informação das potencialidades turísticas, vão se surpreender com o desconhecimento da população sobre o local. Outro problema que um turista poderá enfrentar é encontrar um transporte que permita o acesso ao Parque. Como não existe um transporte oficial, não resta outra opção a não ser alugar um táxi, ou transporte de lotação. Neste último caso, o transporte é muito incerto e desconfortável.

A Vila do Catimbau (figura 02b) é oficialmente o ponto oficial de chegada e de direcionamento para os demais pontos de visitação do Parque Nacional do Catimbau. Nesse local encontra-se um posto de turismo mantido pela Prefeitura Municipal do Buíque e supervisionado pelo IBAMA (figura 02c). O turista deve se dirigir a esse posto para receber um folder oficial que explica o acesso aos principais pontos turísticos do Parque, por exemplo, Cânion e Serra das Torres, Serrinha e, Pedra do Cachorro (figura 02d).

A Vila do Catimbau lembra uma cidade histórica com ruas estreitas, uma capela no centro e diversas casas enfileiradas. O saneamento é deficiente, as ruas são sujas, os esgotos são a céu aberto, e a única praça existente encontra-se atualmente deteriorada. Entretanto, o parque vem funcionando de forma improvisada. Por isso, é comum a presença esporádica de ônibus e automóveis particulares que se dirigem a esses locais. Em geral trata-se de estudantes ou, às vezes, moradores das cidades circunvizinhas que usam o local como balneário de fins de semana. Mas nada que lembre um turismo estruturado com a presença maciça de turistas, lojas de conveniências, movimento de hotelaria e restaurantes movimentados.

Entre as recomendações do folder, ressalta-se a visita ao Paraíso Selvagem, ao sítio Alcobaça e à gruta do Meu Rei. O que se observa quando se visitam esses locais é que as condições ambientais e de infra-estrutura são inadequadas para prática dessa atividade. As potencialidades oferecidas pela natureza são significativas, mas o turismo nas condições atuais é inviável. Embora as opções de passeio sejam recomendadas pelo posto do IBAMA, ao exame de algumas dessas trilhas, percebe-se que é pouco provável que realmente os turistas possam ter disposição para ir a esses locais, não por incompetência dos guias, mas pela falta de estrutura de acesso aos locais. Desses pontos o de mais fácil acesso, e com uma razoável estrutura, é o Paraíso Selvagem.

O acesso à serra das Torres, por exemplo, é um dos mais difíceis. Primeiramente porque se faz necessário percorrer um bom trecho, cerca de 5 km de automóvel em estrada arenosa e de difícil acesso. Esse percurso inicial leva a um local denominado Baixa Funda. A partir desse trecho só é possível o acesso às torres em veículos pequenos. Por fim, o restante da trilha tem de ser feito a pé e dura, em média, uma hora.

A serra das Torres possui cerca de 970 metros de altitude (SUDENE, 1970). No alto dessas torres é possível observar diversas formações rochosas provocadas pela erosão eólica com inúmeros matizes. Uma dessas lembra um pássaro pré-histórico (figura 02e). São também visíveis alguns traços escavados nas rochas que lembram figuras geométricas na forma de pinturas rupestres.

As trilhas da Pedra do Cachorro e da Igrejinha são os pontos mais accessíveis ao turista. A pedra do Cachorro, por exemplo, pode ser observada ao longo da estrada de terra que acessa a Vila do Catimbau. O Paraíso Selvagem, por sua vez, é uma área particular que ainda não foi indenizada pelo IBAMA, por isso o acesso é pago. A um custo de R$ 2,00 por pessoa torna-se possível a visitação. Aliás, esse é um dos poucos acessos seguros com uso de veículos, inclusive ônibus. Esse ponto funciona como uma espécie de balneário, cercado por paredões de arenito com mais de 150 metros de altura nas cores ocre, vermelha, amarela e laranja.

Entre as atrações destacam-se, por exemplo, esculturas rochosas em arenito que lembram a pata de um cavalo. Outra formação se assemelha a cabeça de um cachorro; e, um morro testemunho em forma de elefante. Nesse local pode-se ainda tomar banho de bica em águas que jorram de fontes naturais, ou em piscinas artificiais. Pode-se ainda visitar a pé a imensa caverna da Furna do Gato (figura 02f)

Uma opção é escalar a Serra do Coqueiro com 914 metros de altitude. Essa escalada permite acesso a importantes formações areníticas como, por exemplo, a que tem forma de um soldado (figura 02g); e outra semelhante a uma águia (figura 02h). Além dessas atrações o turista, escalando a Serra de Jerusalém, tem uma visão panorâmica de toda a parte sul do Parque Nacional do Catimbau. É possível ainda ao visitante conhecer o museu de pedra e um considerável acervo particular de revistas e fotos alusivas ao Parque.

Quanto aos problemas ambientais observam-se: alguns danos às cavernas de arenito por escavação, alteração do piso das cavernas (figura 02f), erosão do solo e voçorocas (figura 02e), construção de ocas que descaracterizam a paisagem (figura 02j), dentre outros. Muito dessas alterações não decorre diretamente de ação proposital do proprietário, mas devido à improvisação, sendo resultado do turismo amador e sem orientação ao longo de mais de 20 anos, o que representa a falta de cuidados do governo federal com o patrimônio histórico nacional.

Quanto às construções existentes no local, vale ressaltar que estas antecedem a criação do Parque, e tinham como objetivo oferecer algum conforto aos turistas que buscam visitá-lo. Aliás, é ao turista amador a quem se têm atribuído as atividades pioneiras de divulgação dos aspectos cênicos desse local, antes mesmo de ser criado oficialmente o parque.

O parque de escultura natural José Bezerra

Outro importante local com potencialidade turística localizada na vicinal do Catimbau encontra-se distante cerca de 10 km do Paraíso Selvagem. Nesse o turista pode ver obras de arte em troncos retorcidos de madeiras. A exposição dessas obras é a céu aberto, em um grande pátio. São peças em formas diversas que lembram cabeças de humanos, pássaros, répteis e outros elementos da natureza, além de imagens que lembram santos (figura 03).

A importância desse local foi divulgada pela imprensa e as peças já foram expostas em eventos culturais no Centro de Convenções de Pernambuco em Recife. Esse local também pode ser visitado virtualmente pelo site www.pe-az.com.br/arte_cutura/zebezerra.htm. Os dotes do artesão local não se resumem à produção de esculturas. O turista pode ainda contar com canções que relatam os costumes, a vida do sertanejo nordestino no campo, dentre outros temas da cultura regional.

Por fim é possível sugerir que o Parque Nacional do Catimbau enquadra-se perfeitamente na categoria de Unidade de Conservação com potencial para o turismo ecológico. No entanto, a falta de infra-estrutura para tal atividade, o descumprimento da legislação que protege as UC s e planejamento adequado para práticas turísticas dificultam o acesso de pessoas interessadas na visitação, bem como o retorno financeiro que melhoraria as condições socioeconômicas dos habitantes locais.

Figura 02: Aspectos do Parque Nacional do Catimbau, Buíque – PE: (a) Furna do Gato no Balneário do Paraíso Selvagem; (b) Vista da Vila do Catimbau; (c) Posto de Turismo na Vila do Catimbau; (d) Paraíso Selvagem, com demonstração da Pedra do Cachorro; (e) Erosão eólica observada nas rochas da Serra das Torres; (f) Furna do Gato. Seta indica alteração do piso; (g) Pedra do Soldado na Serra de Jerusalém; (h) Pedra da Águia na Serra de Jerusalém; (i) Erosão dos solos e voçorocas; (j) Construção de ocas na entrada do Paraíso Selvagem. Fotos: Natalício Rodrigues (2004).

Figura 02: Aspectos do Parque Nacional do Catimbau, Buíque – PE: (a) Furna do Gato no Balneário do Paraíso Selvagem; (b) Vista da Vila do Catimbau; (c) Posto de Turismo na Vila do Catimbau; (d) Paraíso Selvagem, com demonstração da Pedra do Cachorro; (e) Erosão eólica observada nas rochas da Serra das Torres; (f) Furna do Gato. Seta indica alteração do piso; (g) Pedra do Soldado na Serra de Jerusalém; (h) Pedra da Águia na Serra de Jerusalém; (i) Erosão dos solos e voçorocas;(j) Construção de ocas na entrada do Paraíso Selvagem. Fotos: Natalício Rodrigues (2004).

BIBLIOGRAFIA

 

GUIA PHILIPS. Parques Nacionais do Brasil. São Paulo: Editora Horizonte Geográfico, 2003.

IBAMA. www.ibama.gov.com.br Unidades de Conservação. 2005. Acesso 14/04/05

MORSELLO, C.. Áreas Protegidas - Seleção e Manejo. São Paulo: Annablume, 2001

SANTOS, Saint-Clair.H. Direito Ambiental - Unidades de Conservação, Limitações Administrativas. Curitiba: Juruá, 2003.

SNE - Sociedade Nordestina de Ecologia. Projeto Técnico para a Criação do Parque Nacional do Catimbau/PE – versão final, em cumprimento ao Contrato n º 086-00/02, Subprojeto “Proposta para Criação do Parque Nacional do Catimbau/PE”. 2002.

SUDENE. Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Ministério do Interior – Departamento de Recursos Naturais – Divisão de Cartografia. Folha SC.24-X-A- III.1970

 

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*[1] Parte da dissertação de mestrado em Gestão e Políticas Ambientais/UFPE do primeiro autor[2] Doutorando do programa de Pós Graduação em geografia – UFPE; Professor da Faculdade de Formação de Professores de Belo Jardim/PE[3] Professor do Depto. de Ciências Geográficas/CFCH/UFPE.e-mail: natalicio.rodrigues@ig.com.br; fmf@elogica.com.br; eugenia.pereira@pq.cnpq.br


segunda-feira, 14 de agosto de 2023


Começa na sexta-feira (14), em Belo Jardim, Agreste de Pernambuco a 54ª Festa das Marocas. A festa é a mais tradicional da cidade e este vai receber artistas regionais e nacionais. Na abertura dos festejos, no palco principal, se apresentam a cantora Raphaela Santos, Conde Só Brega e Forró na Mídia.


A festa vai contar com diversos polos de animação espalhados pelo município: Palco Principal, no Pátio de Eventos Nivaldo Jatobá, o Palco Alternativo, ao lado do Pátio de Eventos, o Palhoção, na Rua Marechal Deodoro; o Polo Infantil, na Praça Jorge Aleixo e a Feira de Artesanato e Gastronomia, no Calçadão das Marocas.


 MUSICA DA FESTA DA REDENÇÃO

Belo Jardim é uma cidade muita bela 
O povo que mora nela merece toda atenção
No mês de junho tem forro e tem seresta  
Quem quiser ver essa festa, venha para redenção

Eh, eh, eh, boaida
Eh , eh, eh, boiada  

Na terrça feira todo mundo lhe espera 
E se considera como se fosse irmão
O nome dele é Otoni propaganda
O povo solta girandola tá aberto a Redenção

Na frente vem a turma da camisinha
é rapaz, moça e mocinha, é aquela animação
A gente vê uns bebendo, outros pulando,
Outros cantando, outros dançando e aquela animação

Na sexta feita quando o carro vai embora
A cidade toda chora com desanimação
O povo diz gastei todo  meu vitém 
Só para o ano que vem tem nova Redenção
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sábado, 25 de fevereiro de 2023

MILTON SANTOS - UMA MENTE BRILHANTE

 Quem foi Milton Santos?


Nasceu: Brotas de Macaúbas (BA) Ocupação: Educador Obras fundamentais: A cidade nos países subdesenvolvidos (1965), Por uma geografia nova (1978) e Por uma outra globalização. Do pensamento único à consciência universal (2000). 2 Da alfabetização em casa pelos pais, que eram professores, até o doutorado na universidade Strasbourg, em 1958, na França, e os 20 títulos de doutor honoris causa em universidades renomadas até 2000, a vida acadêmica de Milton Santos produziu uma vasta obra sobre as principais mudanças da humanidade no nosso tempo. Milton Santos nasceu na cidade de Brotas de Macaúbas (BA), em maio de 1926. Foi preso na ditadura militar em 1964 e ficou no exílio até 1976. Ele morreu em junho de 2001, na cidade de São Paulo. 

"*Sou baiano, venho de uma família de professores do lado materno, meu avô e minha avó eram professores primários, mesmo antes da abolição. Do lado paterno, devem ter sido escravos, não sei muito bem, porque em minha casa me ensinaram a olhar mais para a frente do que para trás. Meu pai também acabou sendo professor primário, de modo que nasci numa família que – antes da criação do que se chama classe média – era uma família remediada, humilde mas não pobre, e que tentou me dar uma educação para mandar, para ser um homem que pudesse, dentro da sociedade existente na Bahia, conversar com todo mundo."

*Milton Santos, em entrevista à Revista Caros Amigos, em 1998.

Em 1994, recebeu o Prêmio Vautrin Lud, conferido por universidades de cinquenta países, o maior reconhecimento da área da geografia, equivalente a um Prêmio Nobel. Em 1996, quando completou 70 anos, foi realizado um seminário internacional chamado “O Mundo do Cidadão. O Cidadão do Mundo”, que virou um livro com o mesmo nome e o registro de textos de 67 intelectuais sobre Milton Santos e sua obra de centenas de livros, análises e artigos.

Atuações múltiplas e uma crítica social vigorosa

Com formação em Direito, atuação no jornalismo e como professor em diversas universidades, foi na área da Geografia que Milton Santos revolucionou o olhar acadêmico com novas frentes de pesquisas e textos sobre a globalização, urbanismo, desenvolvimento econômico dos países do Terceiro Mundo e a relação entre o território e seus habitantes, entre outros. No programa Roda Viva, da TV Cultura, a televisão pública do Estado de São Paulo, em março de 1997, Milton Santos definiu o problema estrutural da globalização, um dos principais temas analisados por ele.

" “Durante dois séculos, a humanidade sonhou com uma ciência a serviço do homem. Quando isso se obtém, este objetivo é deixado de lado para que a globalização sirva a um número extremamente limitado, não só de pessoas, mas de empresas e instituições”, disse Santos."

Santos inovou o pensamento científico ao propor a mudança de eixo da análise socioeconômica para a socioespacial, que deu base para o conceito de Nova Geografia. “Creio que os territórios têm um papel muito grande na compreensão do que é uma nação”, disse o geógrafo. A visão aguçada de Milton Santos para questões amplas da sociedade fez com que fosse escolhido como consultor da ONU, da Unesco e da OIT. Ele também assessorou os governos da Argélia e da Guiné Bissau, ambos na África. Foi membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano do Brasil e da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo.

CREIO QUE OS TERRITÓRIOS TÊM UM PAPEL MUITO GRANDE NA COMPREENSÃO DO QUE É UMA NAÇÃO -Santos,M.

“Tudo deve ser ensinado como um grande enredo. Os livros deveriam ser escritos como enredo, abanar o facultês, o universitês e o geografês e apresentar os fatos e as realidades como são”, afirmou em um programa de televisão, em julho de 1995. Milton Santos dizia que não era um especialista na questão negra, mas era um negro brasileiro que teve a experiência de ter sido negro em quatro continentes. “A luta dos negros no Brasil só terá eficácia se forem envolvidos todos os brasileiros, inclusive os negros, mas não só os negros. Não cabe aos negros, aliás, fazer essa luta. Essa luta tem que ser feita sobretudo por todos”, disse durante uma conferência do Movimento Negro, em 1995, na Faculdade de Serviço Social da UERJ.

Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria 8 experiência brasileira. 

As realidades não são as mesmas. Aqui, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história econômica, essencial à manutenção do bemestar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária.

 Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar a expressões veladas ou ostensivas de ressentimentos (paradoxalmente contra as vítimas). Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por cinco séculos, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar manifestações de inconformidade, vistas como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolhera nenhuma forma de discriminação ou preconceito. Milton Santos

“Milton Santos tem mil atuações e é uma grande inspiração. Ele deixou como legado uma crítica social vigorosa. Ele fez questionamentos importantes sobre o pensamento social brasileiro”, disse Katty Valêncio, bibliotecária e proprietária da livraria Africanidades.

Para conhecer melhor: 3 livros de Milton Santos e 2 vídeos 

Livro: A cidade nos países subdesenvolvidos Civilização Brasileira, esgotado 

A obra de 1965 começa uma linha de análises sobre as dinâmicas e transformações nos países periféricos e como eles impactam no arranjo geral do mundo. Milton Santos faz uma apurada observação sobre a desigualdade e a formação das grandes cidades nos países pobres. “A cidade não tem poder para forçar a evolução regional de que depende o seu próprio desenvolvimento. As possibilidades de evolução regional são criadas fora da região e da cidade, de acordo com os interesses do mundo industrial”, aponta em um trecho da obra.

Por uma Geografia Nova: da Crítica da Geografia a uma Geografia Crítica Edusp, 288 págs. 

Lançado em 1978, o livro é um marco da geografia. Milton Santos une filosofia, história e epistemologia, e outras disciplinas da área de humanas, para ampliar o pensamento geográfico, com destaque para o estudo dos territórios, dos espaços. A obra representa o surgimento de uma geografia mais crítica, que ajuda o entendimento do mundo, e das relações humanas, como um todo. 

Por uma outra globalização Record, 176 págs.,  Publicado em 2000.


 

Trata-se de um grande resumo da obra de Milton Santos que, ao mesmo tempo, também é uma nova revolução no pensamento global ao destacar os efeitos possíveis dos monopólios do dinheiro e da informação. Milton Santos antevê os problemas gerados pelo aumento exacerbado da competitividade no mundo e do empobrecimento das massas.


Documentário

Encontro com Milton Santos: o mundo global visto do lado de cá 1h29min, 2006 

Assita aqui. Clik no play acima.

Dirigido por Silvio Tendler, o documentário mostra a última entrevista do geógrafo, gravada em janeiro de 2001, cinco meses antes da sua morte. Entrevista Ao Roda Viva 1h26min, 1997 Disponível aqui Entrevista concedida por Milton Santos em 1997 no programa Roda Viva, da TV Cultura, está disponível no YouTube no canal oficial da atração.


Entrevista Ao Roda Viva 1h26min, 1997 

Disponível aqui .Clik no play acima.

Entrevista concedida por Milton Santos em 1997 no programa Roda Viva, da TV Cultura, está disponível no YouTube no canal oficial da atração.

FONTE; NOVA ESCOLA.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

O ESPAÇO CIDADÃO 

PROFESSOR DR. MILTON SANTOS* -
PALESTRA DE ABERTURA DO CONGRESSO INTERNACIONAL DE GEOGRAFIA - HAVANA, CUBA -

*Milton Almeida dos Santos  (Brotas de Macaúbas, 3 de maio de 1926 – São Paulo, 24 de junho de 2001) foi um geógrafo, escritor, cientista, jornalista, advogado e professor universitário brasileiro.

Considerado um dos mais renomados intelectuais do Brasil no século XX, foi um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970. Embora graduado em Direito, destacou-se por seus trabalhos em diversas áreas da geografia, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo e por seus trabalhos sobre a globalização nos anos 1990. Sua obra caracterizou-se por apresentar um posicionamento crítico ao sistema capitalista e seus pressupostos teóricos dominantes na geografia de seu tempo.

Foi professor da Universidade Federal da Bahia, da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, da Universidade Columbia, Universidade de Toronto, da Universidade de Dar es Salaam e da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP, onde se tornou professor emérito. Em alguns anos da sua trajetória profissional, conciliou suas atividades acadêmicas com consultorias a Organização Internacional do Trabalho, a Organização dos Estados Americanos e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, além de ter participado da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo. Ele também escreveu mais de 40 livros, publicados não apenas no Brasil, como também em países como França, Reino Unido, Portugal, Japão e Espanha.

Recebeu diversos títulos acadêmicos e honrarias, entre os quais o prêmio Vautrin Lud, o de maior prestígio e uma espécie de Nobel na área da geografia, e também foi agraciado postumamente em 2006 com o Prêmio Anísio Teixeira.



 DO LIVRO : GEOGRAFIA DO CIDADÃO

A atividade econômica e a herança social distribuem os homens desigualmente no espaço fazendo com que noções como rede urbana ou sistema de cidades não tenham validade para a maioria das pessoas. O acesso efetivo delas aos bens e serviços depende de seu lugar socioeconômico e também do lugar geográfico, tema que Milton Santos explorou anteriormente em O Espaço Dividido. Aprofundando a discussão, o autor se propõe aqui a tratar a questão da cidadania pelo ângulo geográfico, mostrando como a mobilidade ou o imobilismo tornam-se assim categorias de análise. Com a pretensão de contribuir para o debate da redemocratização brasileira, as análises são feitas a partir da realidade do país, mas tentam abarcar também a de outros países subdesenvolvidos.


 

Inselberg do Espinho Branco

                                                                                                                    Inventário de Paisagem: ...