ÍNDICES DE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS HIDROGRÁFICAS APLICADOS A BACIA DO RIO BITURI DE BELO JARDIM- PE COM USO DE IMAGEM DO GOOGLE EARTH
RESUMO
INTRODUÇÃO
As
cheias, um fenômeno natural poderoso e muitas vezes devastador, estão cada vez
mais ligadas ao crescimento urbano acelerado e ao aquecimento global. O aumento
da urbanização, especialmente em áreas de rios e planícies costeiras, contribui
significativamente para o agravamento das inundações. À medida que as cidades
se expandem, há uma maior impermeabilização do solo devido à construção de
estradas, edifícios e estacionamentos, o que reduz a capacidade de absorção da
água pelo solo. Como resultado, quando ocorrem chuvas intensas, há um aumento
do escoamento superficial, elevando o risco de inundações.
Além
disso, o aquecimento global desempenha um papel crucial no aumento das cheias,
sendo possível observar através das mudanças climáticas que estão provocando um
aumento na frequência e na intensidade de eventos climáticos extremos, como
tempestades tropicais e chuvas torrenciais. Esses eventos extremos não apenas
aumentam o volume de água disponível para inundação, mas também podem levar ao
derretimento acelerado de geleiras e calotas polares, contribuindo para o
aumento do nível do mar.
A
combinação do crescimento urbano descontrolado e do aquecimento global cria um
ciclo de feedback negativo. À medida que as cidades continuam a se expandir,
mais áreas propensas a inundações são desenvolvidas, exacerbando os impactos
das cheias. Por sua vez, as inundações causam danos significativos à
infraestrutura urbana, à economia e à saúde pública, aumentando a necessidade
de mais desenvolvimento e reconstrução, muitas vezes em áreas de risco.
Para
lidar eficazmente com o problema das cheias, é essencial adotar abordagens
integradas que considerem tanto o desenvolvimento urbano sustentável quanto a
mitigação das mudanças climáticas. Isso inclui a implementação de práticas de
gestão de águas pluviais, como a construção de áreas verdes e a restauração de
ecossistemas naturais, bem como a redução das emissões de gases de efeito
estufa para limitar o aquecimento global. Somente através de esforços
coordenados e políticas eficazes podemos esperar mitigar os impactos crescentes
das cheias em um mundo em rápida urbanização e aquecimento. Por isso, a
importância e a necessidade de identificar, delimitar e mapear as áreas de bacia e que sirva outro estudo identificar áreas inundação na malhas urbana de Belo Jardim.
Em
2010 Pernambuco enfrentou uma das maiores cheias de sua história naquele ano, o
momento fatídico foi computado 16 mortes, mais de 80 mil pessoas ficaram
desabrigadas em 14 cidades do Agreste, o fenômeno, cheia se estabeleceu em
diversas áreas de diferentes regiões de Pernambuco, estendendo-se pelo Litoral
e Zona da Mata e Agreste. As chuvas que provocaram as cheias nos rios;
Capibaribe, Beberibe e Ipojuca, danificaram 2.013 quilômetros de estradas e 79
pontes caíram. As cidades afetadas foram: Palmares, Cortês, Água Preta,
Barreiros, Correntes, Vitória de Santo Antão, Barra de Guabiraba, Jaqueira,
Escada, Nazaré da Mata, Primavera, Amaraji, Chã Grande e Gravatá. Belo Jardim onde
localiza-se o objeto dessa pesquisa também foi atingido pela cheia de 2010, mas
não pelo Rio Ipojuca como ocorreu nas diversas cidades do Agreste e Zona da
Mata, uma vez que o Ipojuca não passa pela malha urbana de Belo Jardim, mais sim
fora das fronteiras da malha urbana municipal. O problema das cheias de 2010 em
Belo Jardim, diferentemente com as demais cidades citadas, está relacionado com
a cheia do Rio Bituri um dos afluentes do Rio Ipojuca.
Belo
Jardim por sua localização no Vale do Ipojuca, sua rede hidrográfica natural é
integrante das bacias dos Rios Capibaribe (421,6 km2 64,5%) e
Ipojuca (232 km2, 35,5%) conforme dados da APAC (2005). A rede hídrica
do municipio é extensa, composta de inúmeros córregos que desaguam nos
principais cursos d’água dos rios Tabocas e Bituri. O primeiro está localizado
na zona rural e atualmente represado pela barragem homônima e integrada a
Barragem do Bituri. O Segundo, Rio Bituri, rio de segunda ordem hierárquica é
afluente principal do Ipojuca. Desses rios citados apenas o Bituri tem relação
direta com as cheias em Belo Jardim sendo o foco principal da pesquisa, assim
bem como os problemas de ordem ambiental decorrente da expansão da malha urbana
sobre a bacia hidrográfica.
GUERRA.A.J.
T (2011), afirma que a água, o principal agente modificador da paisagem, assume
diferentes estados e trajetórias ao longo do seu ciclo. Sua entrada nos
sistemas terrestre, abrange a biosfera, a litosfera, a pedosfera, e a própria
hidrosfera, na atmosfera na forma de precipitação, desencadeia uma série de processos
e possíveis trajetórias, que dependem não das características da precipitação
propriamente, mas também e sobretudo dos atributos e condições das diferentes
esferas por onde irá circular. Em
condições naturais sem intervenção antrópica, a água ao atingir a superfície
pode no caso de uma área coberta de vegetação, assumir diferentes caminhos.
Pode ser interceptada pelas folhas e galhos das arvores e daí evaporar para
atmosfera, pode parte dessas águas em forma de gotículas ficar retido nas
folhas e troncos, escorrer pela serra pilheira, escoar pelo solo, e também ser
absorvida pelo solo abastecendo os lençóis freáticos e nutrindo a própria
vegetação.
Por
outro lado, nas áreas urbanas toda essa diversidade de caminhos do sistema
natural é reduzida ao binômio escoamento e infiltração, prevalecendo mais o
primeiro. Em virtude dessa total ausência da cobertura vegetal e da
serrapilheira, nessas áreas as demais possibilidades de trajetórias da água são
eliminadas. Nessas áreas urbanas, novos elementos oriundos do antropismo são
acrescentados, como edificações, pavimentação, canalização e retificação dos
rios, aterramento de lagoas, etc., que contribuem para reduzir drasticamente a
infiltração e favorecem o escoamento das águas, que atingem seu exultório mais
rapidamente e de forma mais concentrada, gerando um aumento da magnitude e
frequências das enchentes nessas áreas.
Dessa
forma pode se afirmar que as bacias urbanas são marcadas pela diminuição do
tempo de concentração de água e pelos aumentos de picos de cheias, quando
comparadas a situação anterior da urbanização. Estudos de Porto et.al apud
GUERRA.A.J. T (2011), afirmam que o pico de cheia numa bacia hidrográfica
urbana pode chegar a seis vezes mais o pico dessa bacia em condições naturais.
Além disso, somam-se às águas pluviais as servidas, de uso doméstico, comercial
e industrial, que muitas vezes são conduzidas juntamente, não havendo
escoamento individualizado.
Os
cursos d’água independente da interferência humana, realiza três processos,
básicos: transporte, erosão e deposição, construindo dessa forma, seu próprio
perfil de equilíbrio. Sua extensão, sua largura, sua profundidade, a
velocidades de suas águas e seu padrão de canal, resultam da combinação dos
três processos, estando a eles adaptados e ao mesmo tempo influenciado e se
alterando ao longo do tempo, evoluindo dinâmica e equilíbrio. Qualquer
intervenção no curso d’água altera o seu equilíbrio dinâmico, obrigando o rio a
buscar novo ajuste. Dessa forma toda alteração precisa ser muito bem avaliada
antes de prevalecer uma catástrofe.
Os
meandros formados não são caprichos da natureza, eles se formam porque um rio
precisa dissipar sua energia acumulada nos trechos de maior declive, a
montante. Quando adentra em áreas de baixa declividade como são os casos de
lagoas, suas águas meandram ou divagam, e o processo de deposição se impõe predominantemente.
Os
paradigmas da História elucidam que os recurso hídricos tem sido alvo de
intervenções antrópicas há muito tempo, desde as primeiras comunidades humanas.
Belo Jardim não foge a esse paradigma uma vez que sua História de ocupação e
crescimento urbano se deu as margens de seus rios. Foi no vale do Rio Bituri que
o sitio urbano se originou da Fazenda Lagoa do Capim. Em 1833 já fazia parte do
Distrito de Paz de Jurema, comarca do Brejo da Madre de Deus. Aos poucos, a
fazenda foi abrigando novos moradores. Mais tarde esse nome foi mudado para
Belo Jardim em 1881. Nessa época o rio era para dessedentação, preparo de
alimentos, pesca, construção, abastecimento da cidade etc. Hoje o rio é
irreconhecível, sua água é poluída, não tem peixe, nem mata ciliar, canalizado
passa por problemas de assoreamento ao longo do tempo, e ocupados por
edificações, restando ainda algumas áreas verdes no seu entorno como é caso do
Parque do Bambu.
Essa história da ocupação de suas margens pode
ser dividida dois momentos de ocupação. Uma mais antiga, lenta, espontânea, e
outra mais recente nova, rápida e projetada. A mais antiga teve como
característica construções das unidades residências seguindo uma ordem
aritmética contínua que se estende do surgimento do sitio urbano até o ano 2020.
A outra rápida em curso segue uma ordem geométrica marcadas pela intervenção de
grupos incorporadores imobiliários, que constroem grandes conjuntos de residências
ou vilas alguns com 50, outras com 300 ou mais unidades, construídos em blocos,
ocupando sua margem e comprometendo ainda mais sua rede de drenagem do Rio
Bituri, criando assim mais rotas de colisão e obstrução com os canais e lagos
de drenagem natural.
As
nascentes que compõe a micro bacia do Rio Bituri, possuem por sua dimensão
segundo dados da APAC cerca de mil
nascentes, dessas, cerca de 140 mais importantes foram catalogadas pela CPRH,
essas em sua maioria localizada nas escarpas do Planalto da Borborema, maciços
setentrionais em área de geomorfologia diversificada, revelando-se sob diversas
formas de relevo escarpados onde predomina as cotas altimétricas mais elevadas,
muitas dessas acimas de 1.000 metros de
altitude e circunda o grande vale do Rio Bituri, como são os casos das matas
arbóreas montanhosas: Serra Taboquinhas
1082 metros, Serra da Jurema 1042 m, Serra do Olho d’agua 1040 m, Serra do
Caboclo com 1148 m e Serra do Sacovão 1005 m, entre outras.
Segundo
Osório de Andrade e Raquel Caldas (1980) no clássico Brejos pernambucanos,
essas áreas ao Sul predominam grandes áreas de relevo marcadas por escarpas
onduladas cobertas por uma vegetação arbórea, a umidade que se faz presente
pelo efeito altitude onde predomina paleosuperficies desnudadas que
compõe o que se denomina na literatura clássica geomorfológica de Pernambuco de
Pd3, marcadas por antigos Brejos de Altitude pleistocênicos sobre as
montanhosas áreas, ou escarpas do Lineamento Pernambucano e que se manifesta na
forma de áreas abrejadas. Essas cotas altimétricas citadas começam a ser
reduzidas para 798 metros, desaguando no boqueirão da Serra do Brejo Grande,
hoje represado pelo paredão da Barragem do Bituri, caracterizando como primeiro
momento de intervenção antrópica.
O
seu leito por sua vez, se manifesta na forma de curso meandrante, se estendendo
assim por oito quilômetros dentro da malha urbana do municipio de Belo Jardim.
O início de seu curso em contato com o perímetro urbano se dar de forma
enfática no Parque do Bambu onda suas cotas começa a ser reduzidas média de 600
m, em áreas de relevo marcadas por feições ora de pediplaplanos, ora de pedimentos,
formas de relevo onduladas datadas do holoceno e do quinto Táxon e parte deste sujeito
a inundações sazonais. Essas feições se matem por quase sua totalidade da malha
urbana em seu curso. Essas partes do rio por formas de relevo é a que mais se
encontram ocupados por edificações urbanas, escondendo suas feições
morfológicas.
Quando
em épocas de trovoadas que trazem grandes massas de águas, e essas precipitam
sobre a malha urbana e se direciona para seu leito com grande poder erosivo
sobre o solo que por sua vez, sem a mata ciliar que antes ocupava suas margens
e permitia parte da drenagem de água da chuva, drena direto para os parcos canais
de drenagem, que outrora foram córregos e antigos riachos, agora bloqueadas ou ocupados
por edificações que compõe a malha urbana. Sem permeabilidade ou escoamento
adequado produzem erosões nas ruas, remove as coberturas asfálticas, coberturas
de paralelepípedo que serve de pavimentação de ruas, deposita sedimentos em
forma de lama, derruba árvores e estruturas de praças, invade residências,
lojas comerciais gerando prejuízos econômicos, e segue até desaguar em seu
estreito canal urbano do Bituri, que incapaz de absorver toda água eleva seu
nível, alterando seu equilíbrio dinâmico na forma de cheias. Em algumas áreas
centrais é possível perceber em trechos do seu curso os antigos paleoterraços
do pleistoceno, elucidando seu antigo nível de inundação.
A
foz o Rio Bituri localizada ao Norte geográfico, é marcado pelo encontro com o
Rio Ipojuca, a paisagem muda em contraste as de suas nascentes do Rio Bituri à
Sul, mas o relevo se mantém, assim bem como suas cotas de altitude quase não se
elevam mantendo as cotas de 600m em média. O clima por sua vez sofre uma
pequena variação em virtude de não ser dotado de montanhas e vegetação arbórea,
prevalece mais as condições típica do semiárido, caracterizado por vegetação
tipo Caatinga arbustiva. É também nesse setor que se localiza a Barragem Pedro
Moura que represa o Rio Ipojuca formando o maior manancial de água de Belo
jardim calculado em 30 milhões de m3. Embora Belo Jardim possua uma área
territorial significativamente grande dentro da Bacia do Ipojuca, algo em torno
de 650, km2 de área, assim parte desse território de 232 km2 pertencente à
bacia do Ipojuca, o que equivale a 6,60% da bacia ocupada pelo Município, um
número significativo que representa 35,5% da área total da totalidade dos
municipio em termo de ocupação de área em bacia, mas essa área não está sujeita
a cheia por estar localizada em zona rural.
O
que se propõe com esse projeto, é mapear delimitando e mensurando as áreas de
inundação presente na malha urbana de Belo Jardim. Os paramentos utilizados
para análise de uma bacia hidrográfica urbana, aplicados a análise de uma Sub-bacia
como é caso do Rio Bituri, já são conhecidos na literatura, cabe ao pesquisador
saber quais são, como aplicar e julgar que parâmetros se enquadra em sua
pesquisa, muitos dos quais uma pesquisa de campo pode indicar, tornando
possível elucidar em campo a rede de drenagem e suas áreas de inundação.
Para
alcançar os objetivos desse projeto de pesquisa, se faz necessário recorrer a
estratégica que delimite e identifique os divisores de águas, o seu limite
físico e as ocupações no entorno. Outrora obtidos tradicionalmente através de
cartas cartográficas, os limites de uma bacia hidrográfica podem ser traçados de
forma mais cientifica e com resultados mais confiáveis com a disponibilidade das
novas técnicas do sensoriamento remoto, alguns destes disponibilizado nas redes
de internet como é o uso de software Google Earth a qual também pretendemos usar.
Esse software por sua potencialidade permite uma visualização realística em
três dimensões das características geográficas naturais da área que se quer
pesquisar como são os casos de área urbana ocupada, além de disponibilizar
técnicas de construção da linha temporal das alterações ambientais.
Essa
técnica com auxílio do conhecimento teórico da Geografia especificamente nas
suas subáreas da Hidrogeografia, Geomorfologia e Climatologia possibilitam
delimitar interativamente a bacia através do traçado de seu divisor de águas. O
trabalho com sensor remoto não dispensa o trabalho de pesquisa em campo, daí a
necessidade de o pesquisador dominar técnica de georreferenciamento de campo
com GPS Garmin, por exemplo, para validar os dados do software, seja: Track
Maker, o Google Maps, ou ainda o Google Earth.
OS
MESMO PARÂMETROS COMO UMA NOVA METODOLOGIA
Método utilizado pela Escola Politécnica da USP:
O novo método aplicado a Sub-baciado Rio Bituri com uso do Google Earth.
Figura 2: Observa-se que a delimitação da bacia hidrográfica se utiliza de imagem do Google Earth apresentado como um nova maneira de fazer. O traçado em cor azul elucida os divisores de água e traçado com lápis do próprio software, para evitar o mínimo de erro foi utilizada a ferramenta de zoom para localização e determinação dos pontos que compões os divisores da bacia hidrográfica. Fonte; Google Earth, 2014.
ÍNDICES APLICADOS A CÁLCULOS DE BACIAS
HIDROGRÁFICA
Assim em conformidade com os cálculos o índice da Subbacia do Rio Bitury tem com Kc o valor 1,800>1 ou seja não é circular e assim sujeito a picos de enchente, mas não em sua totalidade e sim em determinadas áreas. O cálculo do Kc :
PORTO, R.L.; FILHO.K.Z.;SILVA.R.M. Bacias Hidrográficas, Escola Politécnica de USP, Depto de Engenharia Hidráulica e Sanitária. PHD 307. Hidrologia Aplicada.1999.
Rio Ipojuca. Recife: 2005. 64p. (Série Bacias Hidrográficas de Pernambuco, 1.) AGÊNCIA ESTADUAL DE PLANEJAMENTO E PESQUISAS DE PERNAMBUCO – CONDEPE/FIDEM Boa Vista – Recife – Pernambuco – Brasil.
DRENAGEM URBANA Aspectos de Gestão GESTORES REGIONAIS DE RECURSOS HÍDRICOS Curso preparado por : Instituto de Pesquisas Hidráulicas Universidade Federal do Rio Grande do Sul Fundo Setorial de Recursos Hídricos (CNPq) André Luiz Lopes da Silveira 2002 Primeira Edição










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